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Pablo Neruda

Pablo Neruda

Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto (1904-1973), conhecido com o pseudônimo de Pablo Neruda, foi um poeta chileno.

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Frases - Página 9

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"A Dança/ Soneto XVII Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra. Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira, senão assim deste modo em que não sou nem és tão perto que tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."
"Soneto XVII No te amo como se fueras rosa de sal, topacio o flecha de claveles que propagan el fuego: te amo como se aman ciertas cosas oscuras, secretamente, entre la sombra y el alma. Te amo como la planta que no florece y lleva dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores, y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo el apretado aroma que ascendió de la tierra. Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde, te amo directamente sin problemas ni orgullo: así te amo porque no sé amar de otra manera, sino así de este modo en que no soy ni eres, tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía, tan cerca que se cierran tu ojos con mi sueño."
"O Vento na Ilha O vento é um cavalo Ouça como ele corre Pelo mar, pelo céu. Quer me levar: escuta como recorre ao mundo para me levar para longe. Me esconde em teus braços por somente esta noite, enquanto a chuva rompe contra o mar e a terra sua boca inumerável. Escuta como o vento me chama calopando para me levar para longe. Com tua frente a minha frente, com tua boca em minha boca, atados nossos corpos ao amor que nos queima, deixa que o vento passe sem que possa me levar. Deixa que o vento corra coroado de espuma, que me chame e me busque galopando na sombra, entretanto eu, emergido debaixo teus grandes olhos, por somente esta noite descansarei, amor meu."
"No se cuentan las ilusiones ni las comprensiones amargas, no hay medida para contar lo que podría pasarnos, lo que rondó como abejorro sin que no nos diéramos cuenta de lo que estábamos perdiendo. Perder hasta perder la vida es vivir la vida y la muerte y son cosas pasajeras sino constantes evidentes la continuidad del vacío, el silencio en que cae todo y por fin nosotros caemos. Ay! lo que estuvo tan cerca sin que pudiéramos saber. Ay! lo que no podía ser cuando tal vez podía ser. Tantas alas circunvolaron las montañas de la tristeza y tantas ruedas sacudieron la carretera del destino que ya no haya nada que perder. Se terminaron los lamentos."
"O Inseto Das tuas ancas aos teus pés quero fazer uma longa viagem. Sou mais pequeno que um inseto. Percorro estas colinas, são da cor da aveia, têm trilhos estreitos que só eu conheço, centímetros queimados, pálidas perspectivas. Há aqui um monte. Nunca dele sairei. Oh que musgo gigante! E uma cratera, uma rosa de fogo umedecido! Pelas tuas pernas desço tecendo uma espiral ou adormecendo na viagem e alcanço os teus joelhos duma dureza redonda como os ásperos cumes dum claro continente. Para teus pés resvalo para as oito aberturas dos teus dedos agudos, lentos, peninsulares, e deles para o vazio do lençol branco caio, procurando cego e faminto teu contorno de vaso escaldante!"
""I want to tell you the ocean knows this: that life in its jewel boxes is endless as the sand, impossible to count, pure, and among the blood-colored grapes time has made the petal hard and shiny, made the jellyfish full of light and untied its knot, letting its musical threads fall from a horn of plenty made of infinite mother-of-pearl. I am nothing but the empty net which has gone on ahead of human eyes, dead in those darknesses, of fingers accustomed to the triangle, longitudes on the timid globe of an orange. I walked around as you do, investigating the endless star, and in my net, during the night, I woke up naked, the only thing caught: a fish, trapped inside the wind""
"Soneto XXII Quantas vezes, amor, te amei sem ver-te e talvez sem lembrança, sem reconhecer teu olhar, sem fitar-te, centaura, em regiões contrárias, num meio-dia queimante: era só o aroma dos cereais que amo. Talvez te vi, te supus ao passar levantando uma taça em Angola, à luz da lua de junho, ou eras tu a cintura daquela guitarra que toquei nas trevas e ressoou como o mar desmedido. Te amei sem que eu o soubesse, e busquei tua memória. Nas casas vazias entrei com lanterna a roubar teu retrato. Mas eu já não sabia como eras. De repente enquanto ias comigo te toquei e se deteve minha vida: diante de meus olhos estavas, regendo-me, e reinas. Como fogueira nos bosques o fogo é teu reino."
"XVII I do not love you as if you were salt-rose, or topaz, or the arrow of carnations the fire shoots off. I love you as certain dark things are to be loved, in secret, between the shadow and the soul. I love you as the plant that never blooms but carries in itself the light of hidden flowers; thanks to your love, a certain solid fragrance, risen from the earth, lives darkly in my body. I love you without knowing how, or when, or from where. I love you straightforwardly, without complexities or pride; so I love you because I know no other way Than this: where “I” does not exist, nor “you”, so close that your hand on my chest is my hand, so close that your eyes close as I fall asleep."
"Amigo, toma para ti o que quiseres, passeia o teu olhar pelos meus recantos, e se assim o desejas, dou-te a alma inteira, com suas brancas avenidas e canções. Amigo - faz com que na tarde se desvaneça este desejo de que todas as roseiras me pertençam. Amigo, se tens fome come do meu pão. Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto que sem olhares verás na minha casa vazia: tudo isto que sobe pelo muros direitos - como o meu coração - sempre buscando altura. Sorris-te - amigo. Que importa! Ninguém sabe entregar nas mãos o que se esconde dentro, mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares, e toda eu ta dou... Menos aquela lembrança... ... Que na minha herdade vazia aquele amor perdido é uma rosa branca que se abre em silêncio..."
"CINCO COISAS Quando um dia eu for embora Quando então me despedir Pedirei apenas silêncio E mais cinco coisas Minhas cinco verdades perfeitas Cinco coisas e nada mais. A primeira é o amor sem fim Amor pelas pessoas Pelas árvores pelas flores Amor pelos animais. A segunda é rever o outono Com suas folhas sopradas Sobre a terra à qual voltaremos. A terceira é o inverno rigoroso A chuva que amei, o calor do fogo A aquecer nossas noites eternas. Em quarto lugar, o verão ardente Redonda fruta vermelha Pairando sobre o meu paladar. A última coisa que eu peço São teus olhos, meu amor, Não quero dormir sem os olhos teus Não posso viver sem o teu olhar Eu trocaria o sol da primavera Para que continuasses me olhando. Isso, enfim, o que mais quero É quase nada e quase tudo."
"Quando tuas mãos saem, amada, para as minhas, o que me trazem voando? Por que se detiveram em minha boca, súbitas, e por que as reconheço como se outrora então as tivesse tocado, como se antes de ser houvessem percorrido minha fronte e a cintura? Sua maciez chegava voando por sobre o tempo, sobre o mar, sobre o fumo, e sobre a primavera , e quando colocaste tuas mãos em meu peito, reconheci essas asas de paloma dourada, reconheci essa argila e a cor suave do trigo. A minha vida toda eu andei procurando-as. Subi muitas escadas, cruzei os recifes, os trens me transportaram, as águas me trouxeram, e na pele das uvas achei que te tocava. De repente a madeira me trouxe o teu contacto, a amêndoa me anunciava suavidades secretas, até que as tuas mãos envolveram meu peito e ali como duas asas repousaram da viagem."
"Depois de tudo te amarei como se fosse sempre antes como se de tanto esperar sem que te visse nem chegasses estivesses eternamente respirando perto de mim. Perto de mim com teus hábitos, teu colorido e tua guitarra como estão juntos os países nas lições escolares e duas comarcas se confundem e há um rio perto de um rio e crescem juntos dois vulcões. Perto de ti é perto de mim e longe de tudo é tua ausência e é cor de argila a lua na noite do terremoto quando no terror da terra juntam-se todas as raízes e ouve-se soar o silêncio com a música do espanto. O medo é também um caminho. E entre suas pedras pavorosas pode marchar com quatro pés e quatro lábios, a ternura. Porque sem sair do presente que é um anel delicado tocamos a areia de ontem e no mar ensina o amor um arrebatamento repetido."