Voltar para o início

"A Dança/ Soneto XVII Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra. Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira, senão assim deste modo em que não sou nem és tão perto que tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

Compartilhar agora

Temas Relacionados

Mais de Pablo Neruda

Ver todas

"NÃO FALTA ninguém no jardim. Não há ninguém: somente o inverno verde e negro, o dia desvelado como uma aparição, fantasma branco, de fria vestimenta, pelas escadas dum castelo. É hora de não chegar ninguém, apenas caem as gotas que vão espalhando o rocio nestes ramos desnudos pelo inverno e eu e tu nesta zona solitária, invencíveis, sozinhos, esperando que ninguém chegue, não, que ninguém venha com sorriso ou medalha ou predisposto a propor-nos nada. Esta é a hora das folhas caídas, trituradas sobre a terra, quando de ser e de não ser voltam ao fundo despojando-se de ouro e de verdura até que são raízes outra vez e outra vez mais, destruindo-se e nascendo, sobem para saber a primavera. Ó coração perdido em mim, em minha própria investidura, generosa transição te povoa! Eu não sou o culpado de ter fugido ou de ter acudido: não me pôde gastar a desventura! A própria sorte pode ser amarga à força de beijá-la cada dia e não tem caminho para livrar-se do sol senão a morte. Que posso fazer se me escolheu a estrela para ser um relâmpago, e se o espinho me conduziu à dor de alguns que são muitos? O que fazer se cada movimento de minha mão me aproximou da rosa? Devo pedir perdão por este inverno, o mais distante, o mais inalcançável para aquele homem que buscava o frio sem que ninguém sofresse por sua sorte? E se entre estes caminhos – França distante, números de névoa – volto ao recinto da minha própria vida – um jardim só, uma comuna pobre – e de repente um dia igual a todos descendo as escadas que não existem vestido de pureza irresistível, e existe o olor de solidão aguda, de umidade, de água, de nascer de novo: que faço se respiro sem ninguém, por que devo sentir-me malferido?"

"Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta."

"Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra."

Autores Populares

Em busca de mais sabedoria?

"A Dança/ Soneto XVII Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propaga..." - Pablo Neruda | PENSADORES.CO