"A vida não se resolve com palavras."
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João Cabral de Melo Neto
João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um poeta brasileiro, um dos mais importantes poetas da Geração de 45. Autor de Morte e Vida Severina, poema dramático que o consagrou.
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Frases de João Cabral de Melo Neto
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"Tu não representas as 24 horas de um dia."
"Tu és a antecipação do último filme que assistirei."
"Mesmo sem querer fala em verso Quem fala a partir da emoção"
"Bola de futebol... é um utensílio semivivo, de reações próprias como bicho, e que, como bicho, é mister (mais que bicho, como mulher) usar com malícia e atenção dando aos pés astúcias de mãos."
"E somos Severinos, iguais em tudo na vida. Morremos de morte igual, da mesma morte Severina, que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia. (Morte e Vida Severina)"
"Como aceitara ir no meu destino de mar, preferi essa estrada, para lá chegar, que dizem da ribeira e à costa vai dar, que deste mar de cinza vai a um mar de mar; preferi essa estrada de muito dobrar, estrada bem segura que não tem errar pois é a que toda a gente costuma tomar (na gente que regressa sente-se cheiro de mar)."
""...E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina." (Morte e Vida Severina)"
"Os rios Os rios que eu encontro vão seguindo comigo. Rios são de água pouca, em que a água sempre está por um fio. Cortados no verão que faz secar todos os rios. Rios todos com nome e que abraço como a amigos. Uns com nome de gente, outros com nome de bicho, uns com nome de santo, muitos só com apelido. Mas todos como a gente que por aqui tenho visto: a gente cuja vida se interrompe quando os rios."
"Por trás do que lembro, ouvi de uma terra desertada, vaziada, não vazia, mais que seca, calcinada. De onde tudo fugia, onde só pedra é que ficava, pedras e poucos homens com raízes de pedra, ou de cabra. Lá o céu perdia as nuvens, derradeiras de suas aves; as árvores, a sombra, que nelas já não pousava. Tudo o que não fugia, gaviões, urubus, plantas bravas, a terra devastada ainda mais fundo devastava."
"A um rio sempre espera um mais vasto e ancho mar. Para a agente que desce é que nem sempre existe esse mar, pois eles não encontram na cidade que imaginavam mar senão outro deserto de pântanos perto do mar. Por entre esta cidade ainda mais lenta é minha pisada; retardo enquanto posso os últimos dias da jornada. Não há talhas que ver, muito menos o que tombar: há apenas esta gente e minha simpatia calada."
"Rasas na altura da água começam a chegar as ilhas. Muitas a maré cobre e horas mais tarde ressuscita (sempre depois que afloram outra vez à luz do dia voltam com chão mais duro do que o que dantes havia). Rasas na altura da água vê-se brotar outras ilhas: ilhas ainda sem nome, ilhas ainda não de todo paridas. Ilha Joana Bezerra, do Leite, do Retiro, do Maruim: o touro da maré a estas já não precisa cobrir."