"Teus olhos têm uma cor de uma expressão tão divina, tão misteriosa e triste. Como foi a minha sina!!! É uma expressão de saudade vagando num mar incerto. Parecem negros de longe... Parecem azuis de perto... Mas nem negros nem azuis são teus olhos meu amor... Seriam da cor da mágoa, se a mágoa tivesse cor."
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Florbela Espanca
Florbela Espanca (1894-1930) foi uma importante poetisa portuguesa. Escreveu poesias e contos, além de ter sido a grande precursora do feminismo em Portugal.
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Frases - Página 6
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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"
""Gosto das belas coisas claras e simples, das grandes ternuras perfeitas, das doces compreensões silenciosas, gosto de tudo, enfim, onde encontro um pouco de Beleza e de verdade ...Porque há ainda no mundo, graças a Deus, almas-astros onde eu gosto de me refletir, almas de sinceridade e de pureza sobre as quais adoro debruçar a minha..." Florbela Espanca"
"Só Eu tenho pena da Lua! Tanta pena, coitadinha, Quando tão branca, na rua A vejo chorar sozinha!... As rosas nas alamedas, E os lilases cor da neve Confidenciam de leve E lembram arfar de sedas Só a triste, coitadinha... Tão triste na minha rua Lá anda a chorar sozinha... Eu chego então à janela: E fico a olhar para a lua... E fico a chorar com ela! ..."
"Ter um sonho, um sonho lindo, Noite branda de luar, Que se sonhasse a sorrir… Que se sonhasse a chorar… Ter um sonho, que nos fosse A vida, a luz, o alento, Que a sonhar beijasse doce A nossa boca… um lamento… Ser pra nós o guia, o norte, Na vida o único trilho; E depois ver vir a morte Despedaçar esses laços!… …É pior que ter um filho Que nos morresse nos braços"
"Poetas Ai almas dos poetas Não as entende ninguém, São almas de violeta Que são poetas também. Andam perdidas na vida, Como estrelas no ar; Sentem o vento gemer Ouvem as rosas chorar! Só quem embala no peito Dores amargas secretas É que em noites de luar Pode entender os poetas. E eu que arrasto amarguras Que nunca arrastou ninguém Tenho alma para sentir A dos poetas também!"
"Anseios Meu doido coração aonde vais, No teu imenso anseio de liberdade? Toma cautela com a realidade; Meu pobre coração olha cais! Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da soledade? Tuas lindas quimeras irreais Não valem o prazer duma saudade! Tu chamas ao meu seio, negra prisão!... Ai, vê lá bem, ó doido coração, Não te deslumbre o brilho do luar! Não estendas tuas asas para o longe... Deixa-te estar quietinho, triste monge, Na paz da tua cela, a soluçar!"
"Frieza Os teus olhos são frios como espadas, E claros como os trágicos punhais; Têm brilhos cortantes de metais E fulgores de lâminas geladas. Vejo neles imagens retratadas De abandonos cruéis e desleais, Fantásticos desejos irreais, E todo o oiro e o sol das madrugadas! Mas não te invejo, amor, essa indiferença, Que viver neste mundo sem amar É pior que ser cego de nascença! Tu invejas a dor que vive em mim! E quanta vez dirás a soluçar: "Ah! Quem me dera, irmã, amar assim!""
"És a filha dileta da noss´alma Da noss´alma de sonho e de tristeza Andas de roxo sempre, sempre calma Doce filha da gente portuguesa! Em toda a terra do meu Portugal Te sinto e vejo, toda suavidade Como nas folhas tristes dum missal Se sente Deus! E tu és Deus, saudade!… Andas nos olhos negros, magoados Das frescas raparigas, Namorados Conhecem-te também, meu doce ralo! Também te trago n´alma dentro em mim, E trazendo-te sempre, sempre assim, É bem a pátria qu´rida que eu embalo!"
"Eu Até agora eu não me conhecia, julgava que era Eu e eu não era Aquela que em meus versos descrevera Tão clara como a fonte e como o dia. Mas que eu não era Eu não o sabia mesmo que o soubesse, o não dissera... Olhos fitos em rútila quimera Andava atrás de mim... e não me via! Andava a procurar-me - pobre louca!- E achei o meu olhar no teu olhar, E a minha boca sobre a tua boca! E esta ânsia de viver, que nada acalma, E a chama da tua alma a esbrasear As apagadas cinzas da minha alma!"
"A Mulher Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada! Como sabes fingir quando em teu peito A tua alma se estorce amargurada! Quantas morrem saudosa duma imagem. Adorada que amaram doidamente! Quantas e quantas almas endoidecem Enquanto a boca rir alegremente! Quanta paixão e amor às vezes têm Sem nunca o confessarem a ninguém Doce alma de dor e sofrimento! Paixão que faria a felicidade. Dum rei; amor de sonho e de saudade, Que se esvai e que foge num lamento!"
"Mistério Gosto de ti, ó chuva, nos beirados, Dizendo coisas que ninguém entende! Da tua cantilena se desprende Um sonho de magia e de pecados. Dos teus pálidos dedos delicados Uma alada canção palpita e ascende, Frases que a nossa boca não aprende, Murmúrios por caminhos desolados. Pelo meu rosto branco, sempre frio, Fazes passar o lúgubre arrepio Das sensações estranhas, dolorosas… Talvez um dia entenda o teu mistério… Quando, inerte, na paz do cemitério, O meu corpo matar a fome às rosas!"