"Poetas Ai almas dos poetas Não as entende ninguém, São almas de violeta Que são poetas também. Andam perdidas na vida, Como estrelas no ar; Sentem o vento gemer Ouvem as rosas chorar! Só quem embala no peito Dores amargas secretas É que em noites de luar Pode entender os poetas. E eu que arrasto amarguras Que nunca arrastou ninguém Tenho alma para sentir A dos poetas também!"
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Ver todas"Só Eu tenho pena da Lua! Tanta pena, coitadinha, Quando tão branca, na rua A vejo chorar sozinha!... As rosas nas alamedas, E os lilases cor da neve Confidenciam de leve E lembram arfar de sedas Só a triste, coitadinha... Tão triste na minha rua Lá anda a chorar sozinha... Eu chego então à janela: E fico a olhar para a lua... E fico a chorar com ela! ..."
"Alma perdida Toda esta noite o rouxinol chorou, Gemeu, rezou, gritou perdidamente! Alma de rouxinol, alma da gente, Tu és, talvez, alguém que se finou! Tu és, talvez, um sonho que passou, Que se fundiu na Dor, suavemente... Talvez sejas a alma, a alma doente Dalguém que quis amar e nunca amou! Toda a noite choraste... e eu chorei Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei Que ninguém é mais triste do que nós! Contaste tanta coisa à noite calma, Que eu pensei que tu eras a minh'alma Que chorasse perdida em tua voz!..."
"Desejos vãos Eu queria ser o Mar de altivo porte Que ri e canta, a vastidão imensa! Eu queria ser a Pedra que não pensa, A pedra do caminho, rude e forte! Eu queria ser o sol, a luz intensa O bem do que é humilde e não tem sorte! Eu queria ser a árvore tosca e densa Que ri do mundo vão é ate da morte! Mas o mar também chora de tristeza... As árvores também, como quem reza, Abrem, aos céus, os braços, como um crente! E o sol altivo e forte, ao fim de um dia, Tem lágrimas de sangue na agonia! E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!... Florbela Espanca - Fanatismo Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não es sequer razão do meu viver, Pois que tu es já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo , meu Amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma história tantas vezes lida! "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, digo de rastros: "Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu es como Deus: Princípio e Fim!...""
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