"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"
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Ver todas"ESTE LIVRO Este livro é de mágoas. Desgraçados Que no mundo passais, chorai ao lê-lo! Somente a vossa dor de Torturados Pode, talvez, senti-lo... e compreendê-lo. Este livro é para vós. Abençoados Os que o sentirem, sem ser bom nem belo! Bíblia de tristes... Ó Desventurados, Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo! Livro de Mágoas... Dores... Ansiedades! Livro de Sombras... Névoas e Saudades! Vai pelo mundo... (Trouxe-o no meu seio...) Irmãos na Dor, os olhos rasos de água, Chorai comigo a minha imensa mágoa, Lendo o meu livro só de mágoas cheio!... in Livro de Mágoas"
"Guardo carinhosamente a promessa da sua visita. Que não fique apenas em promessa... Depressa, sim?"
"As quadras dele (II) Digo pra mim quando oiço O teu lindo riso franco, "São seus lábios espalhabdo, As folhas dun lírio branco..." Perguntei às violetas Se não tinham coração, Se o tinham, porque 'scondidas Na folhagem sempre estão?! Responderam-me a chorar, Com voz de quem muito amou: Sabeis que dor os desfez, Ou que traição os gelou? Meu coração, inundado Pela luz do teu olhar, Dorme quieto como um lírio, Banhado pelo luar. Quando o ouvido vier Teu amor amortalhar, Quero a minha triste vida, Na mesma cova, enterrar. Eu sei que me tens amor, Bem o leio no teu olhar, O amor quando é sentido Não se pode disfarçar. Os olhos são indiscretos; Revelam tudo que sentem, Podem mentir os teus lábios, Os olhos, esses, não mentem. Bendita seja a desgraça, Bendita a fatalidade, Bendito sejam teus olhos Onde anda a minha saudade. Não há amor neste mundo Como o que eu sinto por ti, Que me ofertou a desgraça No momento em que te vi. O teu grande amor por mim, Durou, no teu coração, O espaço duma manhã, Como a rosa da canção. Quando falas, dizem todos: Tem uma voz que é um encanto Só falando, faz perder Todo juízo a um santo. Enquanto eu longe de ti Ando, perdida de zelos, Afogam-se outros olhares Nas ondas dos teus cabelos. Dizem-me que te não queira Que tens, nos olhos, traição. Ai, ensinem-me a maneira De dar leis ao coração! Tanto ódio e tanto amor Na minha alma contenho; Mas o ódio inda é maior Que o doido amor que te tenho. Odeio teu doce sorriso, Odeio teu lindo olhar, E ainda mais a minh'alma Por tanto e tanto te amar! Quando o teu olhar infindo Poisa no meu, quase a medo, Temo que alguém advinhe O nosso casto segredo. Logo minh'alma descansa; Por saber que nunca alguém Pode imaginar o fogo Que o teu frio olhar contém. Quem na vida tem amores Não pode viver contente, É sempre triste o olhar Daquele que muito sente. Adivinhar o mistério Da tua alma quem me dera! Tens nos olhos o outono, Nos lábios a primavera... Enquanto teus lábios cantam Canções feitas de luar, Soluça cheio de mágua O teu misterioso olhar... Com tanta contradição, O que é que a tua alma sente? És alegre como a aurora, E triste como um poente... Desabafa no meu peito Essa amargura tão louca, Que é tortura nos teus olhos E riso na tua boca! Os teus dente pequeninos Na tua boca mimosa, São pedacitos de neve Dentro de um cálix de rosa. O lindo azul do céu E a amargura infinita Casaram. Deles nasceu A tua boca bendita!"
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