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Bruna Lombardi

Bruna Lombardi

Bruna Patrizia Maria Teresa Romilda Lombardi (1952) é uma atriz e escritora brasileira.

53 pensamentos

Frases - Página 5

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"Campo Magnético Agora eu já sabia dele, já tinha conseguido desvendar a fantasia, já quase na quarta casa onde se compreendem os mecanismos da alma, o id, substrato da psique e as grades, as cancelas, quando surgiu a oportunidade de nos olharmos longamente, ah! os freios, e eu senti uma atração alucinada por ele. Isso é tudo. Atração. Atração. Faria qualquer coisa por ele. Viagens interplanetárias. Encontros furtivos. Três dias de ônibus (...) qualquer coisa. Seria capaz de mentir. Estranhos espaços da mente. Atmosferas. Por ele até abstinência sexual. Um homem comum, apenas isso. Mas eu sabia que ele trazia latente aquela coisa absoluta. Definida. Demoníaca. Delírios pactos, bastava ver como tragava a fumaça, de maneira perigosa. Por ele eu me arrastava no tapete, pensei, ah! se ele soubesse, decorei nomes de árvores, espécies, qualidades quando ele me disse que gostava e eu só de vê-lo falar de eucaliptos, ipês, espatódias, bauínias, algarobas, magnólias, tibuchinas, oleandros, muçuendas, acácias, paineiras, plátanos, olmos e resedás, pensava involuntariamente em sexo."
""SUPERMENCADO" Ainda ficou um pouco de teu cabelo no travesseiro de teu corpo no meu corpo de teu cheiro um pouco da tua colônia em alguns vestidos meus ficou no meu cotidiano um gosto bobo de adeus. Ficou um resto de shampoo no teu frasco no banheiro de tudo ficou um pouco de teu jeito, de teu cheiro. Ficaram umas coisas tuas espalhadas pelo quarto. Ficou teu riso marcado na moldura no retrato. Em tudo ficou um pouco. Ficou nosso jogo de damas (eu branco, você preto) intacto no sofá-cama. Alguns discos teus, alguns livros na parede atrás da porta a gravura de Dalí e tua natureza morta. Um pouco de teu silêncio se espalhou pela casa tua xícara de porcelana verde e branca, sem a asa. De você ficou um pouco do trem daquela viagem do nosso jantar chinês da nossa camaradagem. Ainda ficou tua letra em alguns papéis amassados. Em tudo ficou um pouco na rua, no supermencado. Ficou um pouco de você no mar, no rio, na serra na estrada da casa de campo na pedra, no gato, na terra. Ficou um pouco do teu rosto no rosto dos meus amigos ficaram palavras tuas em tudo aquilo que digo. Eu fiquei com o teu jeito de querer falar primeiro teu corpo no meu corpo cabelo no travesseiro."
"Romance de Bairro João... mas logo agora que as coisas tavam se ajeitando logo agora que eu tinha aprendido a fazer suflê logo agora que eu tava com a melhor das intenções que eu até falei com o síndico pra abrir uma janela pra aquele terreno baldio só pra você olhar o jogo que eu ia trocar meu canário pelo relógio do Armando de que você tanto gosta, João. Mas logo agora, João que pode ter guerra lá fora que eu tô com medo da vida que prendem a gente na rua e nem dizem por que. logo agora... quando eu ia plantar tulipas pra gente fazer de conta que o mundo é diferente pra gente não se dar conta do que está acontecendo do lado de fora do mundo, João logo agora que eu fiz um quadro novo com umas cores bonitas porque na rua, João já tem cinza demais. eu ia pintar as paredes com as cores do absurdo João em que lugar do mundo você encontra um canto assim? João, a coisa não é essa é preciso ter invento a coisa precisa de graça tem que ter magia, João e isso o mundo esquece ... o Mundo, João, não merece consideração. Mas logo agora que eu tinha comprado incenso e avenca de pôr no vaso cheiro de jasmim no portão você não queria... João logo agora que as coisas tavam se ajeitando logo agora que eu tava com a melhor das intenções logo agora, João esperasse mais um pouco."
"Gaia Você sabe como eu sou despreocupada que me encerro neste quarto e me permito todas as divagações, as fantasias obsessões, perseguições, todos os dias você sabe que eu me viro de inventos que eu me reparto e dou crias que eu mal me resolvo e me aguento carrego pedras no bolso e enfrento ventanias. Você sabe como eu sou desorientada raciocínio pelo instinto e cometo fugas de túnel de ladra de galeria uso malhas e madras manhas e lenhas e percorro superfícies em que você escorregaria Mas você sabe como eu sou de subsolos de subterfúgios, de subversos subliminares como eu sou de submundos subterrãneos, de sub-reptícias folias meio de circo, meio de farsa ervas, panfletos, fluídos, presságios quebrantos, jeitos, gírias, reviras de sensações e cismas, filosofias de como eu sou de estradas, andanças, pressentimentos atmosférica e vadia gato da noite, de crises, guitarras ouros e danças e circunstâncias de vinho azedo e companhia. Que eu sou de todas as misturas todas as formas e sintonias e enfrento esse aperto, essas normas forças, pressões, imposições, o poderio os intervalos, o silêncio da maioria. Você sabe de toda minha luta mesmo quando a intenção silencia que eu não cedo, não desisto a todo custo,, a toda faca, a todo risco eu sobrevivo de paixão e de anarquia. Você sabe bem de minha fraude Você conhece as minhas alquimias."
"Por Que Não ? eu olhei e pensei por que não dezesseis anos mais velho, seguro homem de opinião e nenhum caráter o velho truque do maduro um ator na vida, e eu pensei por que não vai ver é um menino com medo vai ver se atrapalha não, acho que não deve ser um pouco canalha como todos são um cruzar de pernas, um olhar grave não sei direito o que se faz pra ser querida uma posição mais provocante uma atitude mais desinibida logo eu que morro de vergonha de tentar ser um pouco atrevida logo eu que o que cometo em sonhos seria incapaz de cometer na vida mas pensei por que não o estímulo de uma aventura o prazer de ceder à tentação é tão raro acontecer esse desejo, dura tão pouco isso a novidade e depois não tem o compromisso da paixão come e depois espalha pra cidade aquela coisa machista insuportável estilo gosta de levar vantagem — chega de pensar bobagem — não é possível que ele seja assim ele é sensível, inteligente, um homem que chora só falta agora um sopro de coragem, uma insinuação e se ele for um sujeito compulsivo maníaco depressivo, do tipo que atormenta astral anos sessenta e eu me arrepender profundamente — o ruim do porre é a ressaca — se for um cara babaca desses dose pra analista se ainda for comunista do antigo pecezão não, claro que não ele é brilhante, contemporâneo, atuante ativo da linha de frente e eu molhei os lábios sensualmente e pensei por que não?!"