"Por Que Não ? eu olhei e pensei por que não dezesseis anos mais velho, seguro homem de opinião e nenhum caráter o velho truque do maduro um ator na vida, e eu pensei por que não vai ver é um menino com medo vai ver se atrapalha não, acho que não deve ser um pouco canalha como todos são um cruzar de pernas, um olhar grave não sei direito o que se faz pra ser querida uma posição mais provocante uma atitude mais desinibida logo eu que morro de vergonha de tentar ser um pouco atrevida logo eu que o que cometo em sonhos seria incapaz de cometer na vida mas pensei por que não o estímulo de uma aventura o prazer de ceder à tentação é tão raro acontecer esse desejo, dura tão pouco isso a novidade e depois não tem o compromisso da paixão come e depois espalha pra cidade aquela coisa machista insuportável estilo gosta de levar vantagem — chega de pensar bobagem — não é possível que ele seja assim ele é sensível, inteligente, um homem que chora só falta agora um sopro de coragem, uma insinuação e se ele for um sujeito compulsivo maníaco depressivo, do tipo que atormenta astral anos sessenta e eu me arrepender profundamente — o ruim do porre é a ressaca — se for um cara babaca desses dose pra analista se ainda for comunista do antigo pecezão não, claro que não ele é brilhante, contemporâneo, atuante ativo da linha de frente e eu molhei os lábios sensualmente e pensei por que não?!"
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Ver todas"FASCÍNIO a face oculta das palavras às vezes se mostra na mais estranha luz e a parte escura nunca antes revelada aflora ousada com uma intimidade inesperada como a primeira claridade de uma aurora. Todas essas malditas paalvras sem pudor que eu queria afugentar mandar embora. as palavras elas, as palavras suas luzes, seus ritimos, significados."
""SUPERMENCADO" Ainda ficou um pouco de teu cabelo no travesseiro de teu corpo no meu corpo de teu cheiro um pouco da tua colônia em alguns vestidos meus ficou no meu cotidiano um gosto bobo de adeus. Ficou um resto de shampoo no teu frasco no banheiro de tudo ficou um pouco de teu jeito, de teu cheiro. Ficaram umas coisas tuas espalhadas pelo quarto. Ficou teu riso marcado na moldura no retrato. Em tudo ficou um pouco. Ficou nosso jogo de damas (eu branco, você preto) intacto no sofá-cama. Alguns discos teus, alguns livros na parede atrás da porta a gravura de Dalí e tua natureza morta. Um pouco de teu silêncio se espalhou pela casa tua xícara de porcelana verde e branca, sem a asa. De você ficou um pouco do trem daquela viagem do nosso jantar chinês da nossa camaradagem. Ainda ficou tua letra em alguns papéis amassados. Em tudo ficou um pouco na rua, no supermencado. Ficou um pouco de você no mar, no rio, na serra na estrada da casa de campo na pedra, no gato, na terra. Ficou um pouco do teu rosto no rosto dos meus amigos ficaram palavras tuas em tudo aquilo que digo. Eu fiquei com o teu jeito de querer falar primeiro teu corpo no meu corpo cabelo no travesseiro."
"Casa suspeita talvez eu quisesse ser teu lado mais bonito a parte da tua história mais repleta, plena a coisa certa de uma forma tão serena, tão doce mas que ao mesmo tempo fosse selvagem e obscena, violenta até. que o ódio está sempre contido na paixão e se eu tenho uma paz toda que me enfeita trago uma casa suspeita dentro do coração trago um crime que cometi ou que vou cometer e jogo contra mim, jogo contra você vivo do perigo de te fazer enlouquecer no eterno dilema de ser e não ser ando na beira do que pode acontecer e morro de medo de te perder."
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