"Romance de Bairro João... mas logo agora que as coisas tavam se ajeitando logo agora que eu tinha aprendido a fazer suflê logo agora que eu tava com a melhor das intenções que eu até falei com o síndico pra abrir uma janela pra aquele terreno baldio só pra você olhar o jogo que eu ia trocar meu canário pelo relógio do Armando de que você tanto gosta, João. Mas logo agora, João que pode ter guerra lá fora que eu tô com medo da vida que prendem a gente na rua e nem dizem por que. logo agora... quando eu ia plantar tulipas pra gente fazer de conta que o mundo é diferente pra gente não se dar conta do que está acontecendo do lado de fora do mundo, João logo agora que eu fiz um quadro novo com umas cores bonitas porque na rua, João já tem cinza demais. eu ia pintar as paredes com as cores do absurdo João em que lugar do mundo você encontra um canto assim? João, a coisa não é essa é preciso ter invento a coisa precisa de graça tem que ter magia, João e isso o mundo esquece ... o Mundo, João, não merece consideração. Mas logo agora que eu tinha comprado incenso e avenca de pôr no vaso cheiro de jasmim no portão você não queria... João logo agora que as coisas tavam se ajeitando logo agora que eu tava com a melhor das intenções logo agora, João esperasse mais um pouco."
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Ver todas"Contágio Feroz em nós uma paixão de novo nos ameaça nos faz vibrar, o sangue flui sobe no rosto de repente a gente fica disposto a tudo e tudo é pouco não importa que essa loucura não tenha alívio a gente muda, respira de outro jeito arfa no peito sempre uma pressa sempre aquela vontade sozinha fico metade depressa me abraça, uma saudade que dói, uma coisa que arrebenta e não se agüenta mais. A gente se entrega ao risco arrisca a pele, perde o rumo no prazer dessa desorientação A gente quer explodir e não pode quer se conter e não sabe quer se livrar do jugo da paixão mas não quer que ela acabe"
"Onde quer que você esteja veja que agora em algum lugar alguém chora porque você foi embora. Eu sei que você continua por aí nesse universo achando rima pra verso com humor e melancolia Perplexo feito criança diante de cada mistério sua sutil sabedoria nota coisas tão pequenas que outro não notaria E aqueles que ficaram por aqui, nessa passagem, sentem no céu esse anjo que você sempre escondia e desejam boa viagem."
"Gaia Você sabe como eu sou despreocupada que me encerro neste quarto e me permito todas as divagações, as fantasias obsessões, perseguições, todos os dias você sabe que eu me viro de inventos que eu me reparto e dou crias que eu mal me resolvo e me aguento carrego pedras no bolso e enfrento ventanias. Você sabe como eu sou desorientada raciocínio pelo instinto e cometo fugas de túnel de ladra de galeria uso malhas e madras manhas e lenhas e percorro superfícies em que você escorregaria Mas você sabe como eu sou de subsolos de subterfúgios, de subversos subliminares como eu sou de submundos subterrãneos, de sub-reptícias folias meio de circo, meio de farsa ervas, panfletos, fluídos, presságios quebrantos, jeitos, gírias, reviras de sensações e cismas, filosofias de como eu sou de estradas, andanças, pressentimentos atmosférica e vadia gato da noite, de crises, guitarras ouros e danças e circunstâncias de vinho azedo e companhia. Que eu sou de todas as misturas todas as formas e sintonias e enfrento esse aperto, essas normas forças, pressões, imposições, o poderio os intervalos, o silêncio da maioria. Você sabe de toda minha luta mesmo quando a intenção silencia que eu não cedo, não desisto a todo custo,, a toda faca, a todo risco eu sobrevivo de paixão e de anarquia. Você sabe bem de minha fraude Você conhece as minhas alquimias."
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