"Tenho sede, a todo o momento. É uma sensação estranha de querer ter o que não se pode, ou se pode, mas não se sabe que pode. Não saber que “se pode uma coisa”, é o mesmo que não pode-la. Se você não sabe que pode andar, não anda, se você não anda não corre. Penso que talvez seja assim com a vida. É por isso que eu tenho sede. Sede de descobrir todas as coisas, coisas infinitas que eu posso fazer e ainda não sei. Quantas coisas maravilhosas deixam de ser feitas nessa vida por que nós não sabemos que podemos fazê-las, ou pior, porque nos dizem para não fazê-las. Eu não tenho nada haver com Deus, com a moralidade que criaram, com os bons costumes que foram inventados, portanto, isso não existe para mim. Só as coisas que eu imagino existem para mim, e eu só imagino as coisas que eu quero, e se eu quiser, posso imaginar o mundo do meu jeito,com minhas cores, minhas formas. E que tudo de doentio e assustador que houver no mundo, venha de mim, só de mim. Porque o meu mundo não será de nenhum jeito se não do meu jeito."
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Ver todas"Tome um banho quente querido, Tudo estará bem. Seu teto é de vidro, O meu também. Tome um banho quente querido, Pode chorar que ninguém vê. Só você sabe, Que não é o que gostaria de ser Tome um banho quente querido, E tente não pensar, Que a vida é passageira Que você vai passar. Tome um banho quente querido, Ninguém vai saber Que mesmo tendo pouco pra arriscar, Você tem medo de perder. Tome um banho quente querido E sonhe, sonhe comigo."
"Planetas Ela não sabia amar, só sabia que queria. Acho que é porque quando a gente ama de verdade, nunca tem certeza, apenas desconfia (mesmo que no fundo tenha certeza). Ter certeza que amamos alguém quando se é jovem, exige responsabilidade demais (tanto para quem ama, quanto para quem é amado), mas amor, amor é quase sempre irresponsável. Um dia, olhando fundo nos próprios olhos, ela conseguiu ver todas as cores bem de perto. Seus olhos pareciam um pedaço de terra. Eram a superfície de um novo planeta. Foi quando ela percebeu que todo mundo carrega um planeta nos olhos e que cada um sabe o que vê do seu planeta. E só cada um sabe o que vê do seu planeta. De vez em quando, quando ninguém está vendo nem Deus está ouvindo, os planetas choram sozinhos (é quando eles mais se parecem). O planeta dela tinha uma vista linda, mas quase sempre confusa demais. De qualquer forma, era lindo. Do planeta dela, as cores no céu eram sempre vivas, e a música sempre alta. O resto do mundo dançava, mesmo sem perceber, o resto do mundo dançava. Chegava a doer de tão bonito. Mas nem tudo era tão bom assim... Quando ninguém estava vendo, nem Deus ouvia, seu planeta congelava. Não tinha mais cor, nem som, nem gosto. Só o planeta congelado e uma saudade enorme de um lugar que não existia. Você já sentiu saudade de um lugar que não existe? De um abraço que não recebeu? De uma música que nunca ouviu? Ela sim. Ela sempre sentia. Até que um dia, como nunca se espera, ele surgiu de longe, estranho, fora de contexto. Carregava nos olhos um planeta que ela não entendia, mas que de certa forma matava um pouco da saudade que ela sentia daquele lugar que nunca tinha ido. Deve ser por isso que ela quase sempre o procurava. Depois que um planeta descobre outro, nunca mais é a mesma coisa. Dá vontade de saber como é a vista daquele novo lugar. Dá vontade de ser a melhor vista daquele lugar. Mas no caso dela, talvez fosse só saudade. Ele dizia coisas que faziam ela rir. Ou não dizia nada, mas sem ter o que dizer, ela também ria. Ela sempre ria dele. Ele a incomodava de um jeito estranho (de um jeito quase bom). Na hora de ir embora dava sempre uma tristeza, porque os dois sabiam que no fundo eram apenas dois planetas diferentes. Da última vez que ela foi embora, a tristeza foi maior do que de costume. Talvez ela não volte mais tarde. Antes de ir ela sentiu medo, um nó, que de tanto espremer o coração fez molhar aquilo, que bem de perto parecia um pedaço de terra(parecia outro planeta), mas na verdade eram apenas dois olhos. Ela queria dizer que ao encontrar ele teve a sensação de matar a saudade de um lugar desconhecido (mas que mesmo antes de se conhecer, já se sentia falta). Ela nunca vai conhecer bem esse lugar, mas vai continuar sentindo saudade dele. Ela não sabia amar, só sabia que queria. Acho que é porque quando a gente ama de verdade, nunca tem certeza, apenas desconfia (mesmo que no fundo tenha certeza). Foi quando ela percebeu que todo mundo carrega um planeta nos olhos e que cada um sabe o que vê do seu planeta. E só cada um sabe o que vê do seu planeta. O planeta dela tinha uma vista linda: as cores no céu eram sempre vivas, e a música sempre alta. O resto do mundo dançava, mesmo sem perceber, o resto do mundo dançava... A vida é sempre uma história mal terminada, porque ela nunca termina até terminar..."
"Tem uma música dentro de mim, E ela toca, toca. Toca quando estou sozinho, Toca quando ninguém se importa. Quando o mundo para, Só ela sobra. E ela toca, toca... Toca, mas não se esgota. Toca sem querer, Toca até sem poder, Toca quando ninguém vê. Ela pulsa, é o que quer ser. Ela toca, toca... É viva sem viver."
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