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"Tome um banho quente querido, Tudo estará bem. Seu teto é de vidro, O meu também. Tome um banho quente querido, Pode chorar que ninguém vê. Só você sabe, Que não é o que gostaria de ser Tome um banho quente querido, E tente não pensar, Que a vida é passageira Que você vai passar. Tome um banho quente querido, Ninguém vai saber Que mesmo tendo pouco pra arriscar, Você tem medo de perder. Tome um banho quente querido E sonhe, sonhe comigo."

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"Tempo, aonde vai Com tanta pressa? E essas pessoas Que com você leva? E os sonhos? E a beleza? E tudo? Tempo, me disseram que você curava tudo! Onde estão meus amigos? E meu futuro Prometido? E meu corpo Esculpido? Porque levaste contigo? E meus poemas nunca lidos, Meus passos Sempre perdidos? Não há placas, Nem direção... Não há como te dar a mão. Vai embora tempo, Tudo é vão."

"Planetas Ela não sabia amar, só sabia que queria. Acho que é porque quando a gente ama de verdade, nunca tem certeza, apenas desconfia (mesmo que no fundo tenha certeza). Ter certeza que amamos alguém quando se é jovem, exige responsabilidade demais (tanto para quem ama, quanto para quem é amado), mas amor, amor é quase sempre irresponsável. Um dia, olhando fundo nos próprios olhos, ela conseguiu ver todas as cores bem de perto. Seus olhos pareciam um pedaço de terra. Eram a superfície de um novo planeta. Foi quando ela percebeu que todo mundo carrega um planeta nos olhos e que cada um sabe o que vê do seu planeta. E só cada um sabe o que vê do seu planeta. De vez em quando, quando ninguém está vendo nem Deus está ouvindo, os planetas choram sozinhos (é quando eles mais se parecem). O planeta dela tinha uma vista linda, mas quase sempre confusa demais. De qualquer forma, era lindo. Do planeta dela, as cores no céu eram sempre vivas, e a música sempre alta. O resto do mundo dançava, mesmo sem perceber, o resto do mundo dançava. Chegava a doer de tão bonito. Mas nem tudo era tão bom assim... Quando ninguém estava vendo, nem Deus ouvia, seu planeta congelava. Não tinha mais cor, nem som, nem gosto. Só o planeta congelado e uma saudade enorme de um lugar que não existia. Você já sentiu saudade de um lugar que não existe? De um abraço que não recebeu? De uma música que nunca ouviu? Ela sim. Ela sempre sentia. Até que um dia, como nunca se espera, ele surgiu de longe, estranho, fora de contexto. Carregava nos olhos um planeta que ela não entendia, mas que de certa forma matava um pouco da saudade que ela sentia daquele lugar que nunca tinha ido. Deve ser por isso que ela quase sempre o procurava. Depois que um planeta descobre outro, nunca mais é a mesma coisa. Dá vontade de saber como é a vista daquele novo lugar. Dá vontade de ser a melhor vista daquele lugar. Mas no caso dela, talvez fosse só saudade. Ele dizia coisas que faziam ela rir. Ou não dizia nada, mas sem ter o que dizer, ela também ria. Ela sempre ria dele. Ele a incomodava de um jeito estranho (de um jeito quase bom). Na hora de ir embora dava sempre uma tristeza, porque os dois sabiam que no fundo eram apenas dois planetas diferentes. Da última vez que ela foi embora, a tristeza foi maior do que de costume. Talvez ela não volte mais tarde. Antes de ir ela sentiu medo, um nó, que de tanto espremer o coração fez molhar aquilo, que bem de perto parecia um pedaço de terra(parecia outro planeta), mas na verdade eram apenas dois olhos. Ela queria dizer que ao encontrar ele teve a sensação de matar a saudade de um lugar desconhecido (mas que mesmo antes de se conhecer, já se sentia falta). Ela nunca vai conhecer bem esse lugar, mas vai continuar sentindo saudade dele. Ela não sabia amar, só sabia que queria. Acho que é porque quando a gente ama de verdade, nunca tem certeza, apenas desconfia (mesmo que no fundo tenha certeza). Foi quando ela percebeu que todo mundo carrega um planeta nos olhos e que cada um sabe o que vê do seu planeta. E só cada um sabe o que vê do seu planeta. O planeta dela tinha uma vista linda: as cores no céu eram sempre vivas, e a música sempre alta. O resto do mundo dançava, mesmo sem perceber, o resto do mundo dançava... A vida é sempre uma história mal terminada, porque ela nunca termina até terminar..."

"Não consigo pensar em nada, que não seja viver. Não o melhor, mas tudo que há nessa vida. Eu quero o melhor, o pior, TUDO da vida, pois dou a vida tudo de mim. Não importa o quão lixo eu seja, nem o quão doentia seja minha mete, entrego isso ao mundo com uma sinceridade que não cabe no meu ser, tenho que dividir o que sou com o mundo. Eu sinto necessidade física de sugar tudo que está nesse planeta pra dentro de mim, e depois, depois que eu sugo o mundo, preencho todos meus espaços, transbordo-os. Explodo! Devolvo ao mundo tudo renovado, e quero mais, mais, eu quero sempre mais..."

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