"Hoje eu descobri que as flores crescem mais rápido quando ouvem música, e aí que eu entendi porque as margaridas do vô sempre cresceram rápido e lindamente. Engraçado, né? Alguma coisa sempre faz falta. E como por um equívoco, eu senti falta de tudo o que você não foi pra mim. De tudo o que você fez questão de não ser pra mim. De todas as vezes que eu, com esse meu olhar marejado desde o momento que abri os olhos pra vida, te olhei com ternura esperando que você tirasse meus sonhos das minhas gavetas e realizá-se-os - já que você era o único que podia. Eu fugi de escrever sobre isso que tem me atormentado durante toda a semana, até que o meu namorado mandou eu respirar fundo, ouvir uma boa música e fazer o que de melhor eu sei fazer: ser eu mesma. Eu sei que, daqui a pouco, eu esqueço esses pontapés, chutes, tapas e golpes baixos que a vida me deu e que ainda pode dar, e eu vou por esse meu sorriso sem jeito no rosto, cantar uma música qualquer e continua vivendo e sonhando com as coisas que você nunca se importou. Na verdade, hoje eu sinto como se mil pessoas se importassem comigo, menos uma. E, de alguma forma, era a única que eu necessitava que se importasse. Eu martelei uma porção de coisas pra escrever e pra te dizer durante toda a semana, dessas que não se diz costumeiramente. Mas, eu travo. Eu sempre travo diante de você e do seu ar de sou-bem-maior-que-você. É tarde demais pra você se importar. É estranho pra qualquer um me observar e ver o quanto me sinto um peixe fora do aquário perto de vocês e de todos esses que fazem parte de você. Eu me esforço, prometo. Me esforço - mais do que pensei que podia - pra tentar te aceitar e entender o porquê de todas as palavras, olhares, atitudes, mas eu não consigo. E cada vez que eu tento dói, dói mais ainda ver o quanto de amor carrego aqui dentro. Dói saber que se você me olhasse com um pouco de amor e abrisse um pouco os braços eu correria chorando pra te abraçar prometendo esquecer tudo o que me fez, o que me falou... Porque, por mais que você e todo mundo negue, um pouco do teu sangue corre aqui nas minhas veias, e as nossas almas são ligadas como devia ser as almas de todos que fazem parte de uma família. E eu sou essa pessoa de coração mole e pequeno tentando guardar todo mundo aqui dentro, tentando não viver das más lembranças, mas encontrar nas boas lembranças um motivo pra continuar acreditando. E mesmo depois de tudo ontem, eu continuo acreditando que a gente um dia vai se olhar nos olhos e se reconhecer, como toda sobrinha reconhece um tio, e todo tio reconhece uma sobrinha. E o que você faz com os seus sentimentos, fantasias e essa necessidade vital e instintiva de amar? Você ama. Você deve amar, mesmo que te doa. Deve amar."
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Ver todas"Mente a mulher que diz não sentir ciúmes. Nada é mais reconfortante do que conseguir imaginar a amiguinha da faculdade dele morrendo esmagada por um trem. Mais reconfortante ainda é encontrar a ex dele e torcer pra que ela seja atropelada 5 vezes por um trator. Eu sei, eu sei. É crueldade demais. Mas não é tão cruel assim quando estamos enciumadas. Tanto eu quanto você, quando acabarmos de ler esse texto, estaremos envergonhadas por ter pensado tanta bobagem e desejado um mal tão grande à alguém que - de certa forma - nem faz parte da vida do homem que a gente ama - não faz parte como a gente faz. Se você namora um cientista - que é o meu caso - você sabe bem do que estou falando. Quem disse que é fácil imaginar que a colega de alguma disciplina do mestrado é gorda e usa óculos fundo de garrafa? Não é difícil imaginar uma bonitona usando óculos moderno e carregando um telescópio moderninho com ar de quem pode todas as coisas. É difícil controlar esse lado maníaco e a vontade imensa de sair metralhando qualquer uma que cause a mínima suspeita de estar sorrindo pro seu namorado. Eu não consigo imaginar uma mulher super equilibrada, que nunca cobra nada, super segura, nada ciumenta e calma. Não adianta! Essa mulher não existe. Mulher que é mulher vive controlando esses impulsos o tempo todo. Daí o motivo de tantos homens reclamando de mulheres. Eles não entendem que nós pensamos muito na frente, temos a mente mais fértil que a da Stephenie Meyer e não é fácil controlar esses impulsos. Qual o namorado que nunca ficou intrigado com o silêncio repentino da namorada? Se ele não aprontou nada, com certeza, ela lembrou de alguma sujeita que incomoda ela. Eu combinei com o meu namorado que não ia mais ligar pra encher o saco porque eu estava com ciúmes. Agora eu só ligo pra dizer que estou com ciúmes, mas não encho o saco - pode perguntar pra ele. Por mais livros que você leia, a sua grande questão sempre será se dá pra você ser amada sem o corpo daquela modelo, ou o cabelo daquela outra, ou as medidas daquela outra. No fundo eu sei que não é nada disso, é pura maluquice. Mas a maior maluquice é saber que mesmo a gente sabendo disso tudo lá no fundo, a gente insiste em morrer de ciúmes por ele. Sabe... Essa coisa de ciúmes deve fazer parte de uma parcela de paixão que acompanha quem ama. Não dá pra não se apaixonar por alguns olhares e manias e covinhas na bochecha e olhos pequenos. Mas as pazes faz parte do amor, sem dúvida alguma. A gente se engana mil vezes sentindo ciúmes e dizendo que ama ele de vez em quando, quando na verdade, amamos pra sempre. Mulheres. Ciúmes pra pessoas ansiosas é como álcool pra iniciantes. Você sente náuseas, febre, dor de cabeça. Você acorda assustada no meio da noite - isso quando consegue dormir -, chora à toa. Argh! Uma chatice. A melhor coisa é respirar fundo e vomitar tudo isso nele. Contar as mil coisas que gostaria de fazer com cada uma das sujeitas que você desconfia e pronto. Ele vai rir um bocado de você e te dar um beijo na testa dizendo que você é a melhor. A melhor. Simples e reconfortante como um copo d'água no deserto. A gente sofre de ciúmes e quer matar algumas delas mas, antes disso tudo a vida era muito sem graça pra nós - pra você eu não sei, mas pra mim era um saco. Amor... Ele sabe que, no fundo, eu me declaro aqui. Mesmo me picando - mentira, já nem estou mais me picando de ciúmes. Agora eu tô sentindo amor. Ah... Amor não se pede. Amor se declara. E, quer saber? Ele sabe... Ele sabe."
"Eu não sabia o que dizer quando cheguei lá em cima. O vento estava bagunçando meu cabelo, mas pela primeira vez eu não me irritei. Senti um alívio imenso, como se ali fosse um refúgio. Eu estava a salvo. O sol estava indo embora e eu conseguia ver ele ali, sumindo por detrás da montanha, me fazendo lembrar de bons momentos que eu vivi e que por culpa de toda a confusão eu não conseguia lembrar. O silêncio que perdurou alguns minutos me fez tão bem. Até mesmo o cheiro do perfume misturado com o cheiro das folhas das árvores. Eu não conseguia sentir medo, mesmo estando num lugar tão alto, sem nenhum equipamento de segurança, Não tinha como eu sentir medo. Eu confiaria mesmo se o prédio fosse de quarenta andares. Eu me senti tão bem, como há MUITO tempo não me sentia. Eu não me importei mais com quem estava distante, com quem estava me machucando. Eu me sentia segura ali, e quando olhava pra baixo ria por ser tão boba em ter medo de altura. Eu não queria que aquilo acabasse. Pela primeira vez, em duas semanas, eu estava conseguindo respirar fundo, sentir o ar entrando. E foi tão bom ouvir aquele 'agora você pode respirar, May...' E eu não pude evitar a onda de choro. Eu estava me segurando há muito tempo. Havia espinhos na minha garganta, e eles tinham que sair. Aquele choro contido estava me sufocando. O ombro emprestado foi muito útil, e as palavras me encantaram, como sempre. E mesmo depois de ouvir tudo aquilo, eu não consegui me sentir confusa, porque estava claro que por nunca podermos nos ter, é que nos teríamos para sempre. E, hoje, mesmo depois de tudo o que aconteceu e que me tirou o sono, eu fiquei bem. O pôr-do-sol foi semelhante àquele, eu não estava num lugar tão alto, sentada numa madeira pequena, onde mal cabíamos, eu estava na varanda, sentindo o vento bagunçando meu cabelo - e dessa vez isso me irritava - mas eu me senti bem, como antes. Eu não te tinha ali pra me falar besteiras e me fazer sorrir cantando música de bêbado ou fingindo estar fora do tom, mas eu estava bem. Me senti inteira novamente. E isso me fez tão bem. Eu podia estar tão cansada agora, depois de fazer cinco bolos, rir um monte, ajudar na nova decoração da cantina, e comer o dia todo. Mas não. Estou disposta como naqueles dias em que eu vivia assim. É tão bom saber que em algum lugar aqui dentro ainda permanece aquela essência. Permanece aquela substância que, misturada com uma gotinha de felicidade, me faz quicar de alegria pelos cantos da casa, cantar sozinha e fazer bolos. Eu não sei ainda o que quero, o que decidi. Algumas coisas já estão encaminhadas. GRAÇASADEUS. Mas, sinceramente, não quero saber. Eu não quero que isso saia aqui de dentro, e só em pensar em voltar a ser como tudo era há dois dias atrás me dá vontade de chorar. Eu comecei a entender. Só agora. Eu não posso esperar que alguém retribua o que eu fiz com atitudes semelhantes. Não posso. Eu aprendi a amar a minha companhia; não posso dizer que não preciso, mas eu não dependo disso pra ser feliz. Não dependo da amizade, do apoio, das conversas. Uma hora as pessoas vão, encontram os motivos dela e vão, simplesmente. E eu não posso julgá-las por isso. Nunca. Elas também serão felizes, como eu sempre disse. Assim como eu também serei. Elas precisam ir, uma hora ou outra. E elas sempre estiveram cientes disso, apesar de todo o drama e filosofias que sempre chegam àquele ponto de que todo mundo parte, uma hora, e é preciso aceitar isso. Eu deixei tanta gente quando vim pra cá, cada mudança minha foi carregada de dor e uma saudade quase insuportável. Mas eu superei. E não vai ser agora que não vou superar. Mesmo que eu não vá e que eu fique mais um pouco, pelo menos, até a vida amanhecer, de novo. Eu sei que haverá essa despedida, mesmo perto, e que não seremos mais tão próximos. Quem sabe você tenha razão, quem sabe eu esteja fugindo dessa provável distância, mesmo morando a uns quilômetros de distância de você. E, se for isso mesmo, não me envergonho, Ter medo de perder alguém não é vergonha. Ainda mais quando esse 'perder' fora para sempre. Nem sempre eu tive oportunidade de me despedir, e uma das maiores saudades que sinto foi de uma pessoa que partiu, sem nem me avisar. E... Eu superei, não foi? Saudade... Foi isso que eu sempre temi, e foi isso que sempre me acompanhou. Eu fui 'crescendo', vivendo e... Sempre sentindo saudades. Saudade de um cheiro, de um gosto, de um abraço, de um lugar. O amado ia mas o amor permanecia e aquele sentimento ficou ali, alojado, agarrado àlguma planta que eu nem lembro quando plantei. Eu lembrei de tanta coisa hoje a tarde. Dos pactos inplícitos que foram rompidos, sem sequer uma explicação. Principalmente, dos pactos. Eu sempre fui tão sincera e sempre tão entregue às promessas que eu fazia/faço. E ter esses pactos rompidos doeu demais. Ainda dói. Eu tenho saudades, e não sou eu a culpada delas. Ultimamente, meu grau de sanidade tem estado muito a baixo de zero. Consigo imaginar novas situações, expressões. A saudade chega a ser tanta que sinto o cheiro, ouço a voz aveludada, revivo aquela noite tão inesquecível. Hoje, eu consigo pensar sem sentir o pesar da perda, da despedida, da ausência. Eu sinto como algo que vivi e que está tão distante, como em outra época, mas que me fez tão feliz como nunca fui. Ah...! Fazia tempo que eu não escrevia assim... Fazia tempo que eu não soltava os dedos sobre o teclado e deixasse sair o que quisesse. Eu estava me manipulando, não me permitindo. Um dos motivos para eu me sentir sufocada. Deixei os dedos rolarem, de novo... Nem lembro mais como comecei a escrever esse texto... Ah! estava falando sobre...O lindo pôr-do-sol que vi. Foi maravilhoso... Eu vou levar pra sempre. Sabe aquelas histórias de livro? - porque nem sempre o cinema reproduz aquela emoção com tanta perfeição - foi assim que me senti. Personagem de um livro cheio de emoção e encanto. Eu nunca imaginei estar sob aquela hélice gigante, sentada ali, com aquela mão firme na minha cintura pra não me deixar cair. Sem me irritar com aquele vento que teimava em bagunçar o meu cabelo - depois até fez um belo penteado, né? Eu renasci. Me senti viva, de novo. E vi como tudo pode ser mais bonito. É só eu me esforçar um tico. Todo esse lero-lero é pra agradecer. Eu realmente me surpreendi por ver algumas pessoas ausentes, fingindo que não entendem e me acusando sempre que podem. Não esperava isso. Mas a gente nunca espera ser machucado. A ferida logo seca e depois só fica a cicatriz, pra você lembrar que um dia deu permissão o suficiente para que alguém entrasse na sua vida e tivesse a liberdade de te conhecer um pouco mais do que a moça da padaria (que te atende todos os dias quando você vai comprar 8 pães de trigo e cinco pães doce), e pudesse usar alguma coisa contra você. Eu permiti e... Uma hora ou outra isso poderia acontecer. Tudo segue, não é? O mundo não pára de girar. E, a propósito, sabia que a Terra gira em torno do sol a 80km/s? Por segundo! Eu quase desmaiei quando me disseram isso, se não fosse pela gravidade, o que seria dos meus cabelos? Buenas... Voltando, obrigada. Quem eu nem imaginava que estaria ao meu lado por esses dias, mesmo ausente, esteve. Se fez presente por uma mensagem, uma ligação, uma ajudinha, um e-mail, um olhar. Realmente é bom ter vocês. Eu consegui ter bons momentos no meio de toda essa guerra, dessa confusão constante que teimava em me pegar de surpresa. Eu sempre disse que minha vida começaria de verdade quando esse problemas passassem, quando eu me formasse, quando eu casasse, quando eu fosse um pouco mais independente e tivesse as minhas coisas. Na verdade, eu não tinha percebido que esse obstáculos são exatamente parte da minha vida, é o que a faz interessante, o que a deixa com um ar de mistério e me faz viver cada hora na expectativa de um momento melhor, de uma surpresa. A felicidade está numa caixa de bombons, deveras? Crianças ganham caixas de bombons, adultos também."
"TRECHO DE: AS MARGARIDAS DO QUINTAL DO MEU AVÔ Você nunca entendeu o porquê eu tacava a bola com força em você, então. Não era pra te castigar, mas para te mostrar que você é tão frágil quando uma margarida. E que dependendo da força que você tacava a bola, deixava marcas, eternas. Mesmo que a eternidade da margarida durasse um dia."
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