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"Mente a mulher que diz não sentir ciúmes. Nada é mais reconfortante do que conseguir imaginar a amiguinha da faculdade dele morrendo esmagada por um trem. Mais reconfortante ainda é encontrar a ex dele e torcer pra que ela seja atropelada 5 vezes por um trator. Eu sei, eu sei. É crueldade demais. Mas não é tão cruel assim quando estamos enciumadas. Tanto eu quanto você, quando acabarmos de ler esse texto, estaremos envergonhadas por ter pensado tanta bobagem e desejado um mal tão grande à alguém que - de certa forma - nem faz parte da vida do homem que a gente ama - não faz parte como a gente faz. Se você namora um cientista - que é o meu caso - você sabe bem do que estou falando. Quem disse que é fácil imaginar que a colega de alguma disciplina do mestrado é gorda e usa óculos fundo de garrafa? Não é difícil imaginar uma bonitona usando óculos moderno e carregando um telescópio moderninho com ar de quem pode todas as coisas. É difícil controlar esse lado maníaco e a vontade imensa de sair metralhando qualquer uma que cause a mínima suspeita de estar sorrindo pro seu namorado. Eu não consigo imaginar uma mulher super equilibrada, que nunca cobra nada, super segura, nada ciumenta e calma. Não adianta! Essa mulher não existe. Mulher que é mulher vive controlando esses impulsos o tempo todo. Daí o motivo de tantos homens reclamando de mulheres. Eles não entendem que nós pensamos muito na frente, temos a mente mais fértil que a da Stephenie Meyer e não é fácil controlar esses impulsos. Qual o namorado que nunca ficou intrigado com o silêncio repentino da namorada? Se ele não aprontou nada, com certeza, ela lembrou de alguma sujeita que incomoda ela. Eu combinei com o meu namorado que não ia mais ligar pra encher o saco porque eu estava com ciúmes. Agora eu só ligo pra dizer que estou com ciúmes, mas não encho o saco - pode perguntar pra ele. Por mais livros que você leia, a sua grande questão sempre será se dá pra você ser amada sem o corpo daquela modelo, ou o cabelo daquela outra, ou as medidas daquela outra. No fundo eu sei que não é nada disso, é pura maluquice. Mas a maior maluquice é saber que mesmo a gente sabendo disso tudo lá no fundo, a gente insiste em morrer de ciúmes por ele. Sabe... Essa coisa de ciúmes deve fazer parte de uma parcela de paixão que acompanha quem ama. Não dá pra não se apaixonar por alguns olhares e manias e covinhas na bochecha e olhos pequenos. Mas as pazes faz parte do amor, sem dúvida alguma. A gente se engana mil vezes sentindo ciúmes e dizendo que ama ele de vez em quando, quando na verdade, amamos pra sempre. Mulheres. Ciúmes pra pessoas ansiosas é como álcool pra iniciantes. Você sente náuseas, febre, dor de cabeça. Você acorda assustada no meio da noite - isso quando consegue dormir -, chora à toa. Argh! Uma chatice. A melhor coisa é respirar fundo e vomitar tudo isso nele. Contar as mil coisas que gostaria de fazer com cada uma das sujeitas que você desconfia e pronto. Ele vai rir um bocado de você e te dar um beijo na testa dizendo que você é a melhor. A melhor. Simples e reconfortante como um copo d'água no deserto. A gente sofre de ciúmes e quer matar algumas delas mas, antes disso tudo a vida era muito sem graça pra nós - pra você eu não sei, mas pra mim era um saco. Amor... Ele sabe que, no fundo, eu me declaro aqui. Mesmo me picando - mentira, já nem estou mais me picando de ciúmes. Agora eu tô sentindo amor. Ah... Amor não se pede. Amor se declara. E, quer saber? Ele sabe... Ele sabe."

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"Sempre vai existir essa incansável busca por alguém que escute suas histórias, seus medos, seus fracassos, seus sonhos. Alguém que lhe escute. Não é fácil encontrar, mas não é impossível. Não é rápido, mas também não é eterna a busca. Um dia você encontra uma voz doce que te acalma, alguém que sorri pra você e te abraça sem ao menos se mover, encontra um olhar terno que te faz derreter só de olhar, encontra palavras que sempre quis escutar. Palavras que sempre disse mas não costumavam dizer pra você. Quando isso acontecer agarre, cuide. Porque você acabou de encontrar seu mais lindo esconderijo. "Se é pra amar me ame de verdade, se é pra viver que seja juntos, se não for assim nunca mencione tal frase “eu te amo”, pois para algumas pessoas ela pode siginificar o mundo. " (500 dias com ela)"

"Quando você nasce, cresce e começa a amadurecer dentro daquele castelo que te enclausuraram, é difícil abrir os olhos depois. Nem sempre acontece, mas, comigo aconteceu. Foi de uma hora pra outra, entre uma insônia e outra, olhando as fotos penduradas na parede da cabeceira da cama, eu percebi o quanto não vivo. Lembrei de como tudo sempre foi, de como tudo nunca muda e, depois de me olhar no espelho, perceber o modelo de filha, irmã, namorada, amiga, que criaram pra mim em algum momento da minha infância que eu não lembro, mas que eu sempre segui à risca. O modelo que nunca segue do jeito que acha que deve seguir, que tem que estar sempre bonitinha, que não pode deixar o vento bagunçar o cabelo, que tem que agradar a todos e ser simpática com todos, que não pode chorar em público e nem deixar que percebam quando está triste. O modelo de boa menina, boa filha, boa irmã, boa namorada. O modelo de santa, de certinha, de bonitinha, arrumadinha, educadinha, estudiosa, inteligente, motivo de orgulho pra toda a família. Eu estava com uma caneca de chá em mãos, olhando as fotos com a luz do celular que a Denise esqueceu aqui em casa e comecei a chorar. Sem perceber, a caneca foi pesando e minha mão virando, até o chá quente cair na minha perna. Não foi nada sério além do vermelhão que ficou. Eu fiquei brava, não sabia se enxugava as lágrimas, se continuava a chorar por ter me queimado, ou se ria de tudo isso. Eles não sabem que sou assim, desastrada. Também não sabem que já quase arranquei o queixo de alguém com o joelho porque ele estava vindo me beijar. E não sabe dos milhões de socos e tapas que dei sem querer em uma multidão de seres que cruzou meu caminho por pura distração. Também não sabem das incontáveis vezes que derramei chá em minha roupa, e das vezes que entrei de sutiã no chuveiro e das vezes que sentava na tampa do vaso. Das milhares de vezes que machuquei pessoas pelo meu jeito impulsivo e que, na verdade, não sou tão certa assim. Sou frágil demais pra quem me vê trabalhando e brigando com o carinha da telefonia. E que sou chorona demais pra quem me vê dizendo que não quero me apaixonar, nunca mais. E que por trás de todo esse rímel e batom rosa, existe uma criaturazinha que se derrete quando é abraçada, que se encanta fácil demais, que faz as maiores loucuras só pra fazer bem a quem gosta, e que senta várias tardes na beira-mar só para tentar escrever um poema, compor uma música, e observar as datas em que as pessoas escreveram seus nomes na árvore junto a outro nome que, provavelmente, nem esteja mais ao lado dela. Eles não sabem da minha paixão pela lua e pelo pôr-do-sol. E também não notam os livros que ando lendo nem que, as vezes que me chamam pra jantar e eu recuso, é porque estou com a janela do quarto aberto, olhando a rua e ouvindo música. Coisas que eles nunca fizeram e não entendem o significado. Não entendem a minha paixão por borboletas, nem pelos dias frios de chuva, nem porque meus olhos têm brilhado tanto. Não entendem que não sou o modelo que eles traçaram, que eles queriam. Que a minha profissão não é a do sonho deles, e que eu sou estranha assim. Que eu quero acordar cedo pra estudar, almoçar correndo, ir trabalhar, ficar o dia inteiro na frente de um computador usando a minha criatividade, e quero ir de noite pro curso, e quando chegar, ir escrever poemas, encostada na janela, ouvindo as minhas músicas preferidas. Que isso tudo sempre me fez bem e que foi o que eu sempre sonhei. Que eu não quero namorar um modelo, como eu. Mas alguém que só queira viver intensamente. Como eu tenho tentado, ultimamente. Que eles, algum dia, possam conhecer de verdade a pessoa que conviveu com eles todo esse tempo, e que prestem mais atenção nos simples detalhes que sempre me fizeram toda diferença. Os detalhes que me fazem insistir no amor, na amizade, na fé. Que não me deixaram parar de remar."

"E eu estou aqui sob efeito do remédio, lutando contra o sono – já que dormi a tarde inteira e continuo com sono -, e lembrando de mim há meses atrás. Na verdade, estou sentindo uma saudade insuportável da peça que faltava no meu quebra cabeças, da metade da minha laranja, da cutícula da minha unha, dessa minha metade toda amor que me fez a pessoa mais feliz do mundo. Eu me lembrei de mim, lembrei das minhas filosofias – aquelas que eu criava sobre tudo e qualquer coisa que pudesse fazer o ser humano sentir qualquer coisa -, lembrei das muitas vezes que achei que amar era só conseguir ver, e desamar era só não ver mais. Lembrei de como sempre foi fácil pra mim largar tudo e seguir outro rumo, jogar tudo pro alto sem me importar se iria voltar ou não. Simplesmente virar as costas e esquecer de tudo. Deixar tudo guardado num baú que eu abriria num dia chuvoso, onde eu não teria nada pra fazer além de rever umas fotografias e reler algumas cartas, tomando um chocolate quente debaixo de um edredon qualquer. Eu sempre fui de esquecer das pessoas com tanta facilidade. Não que eu não amava, que eu não me importava, mas eu sinto que fui treinada – mesmo que inconscientemente – a descer do trem e deixar que as pessoas que eu amo continuem nele. Fui treinada a descer do trem sem olhar pra trás, parar na estação, observar o trem ir embora e não sentir dor. Eu sempre soube que passaria outro trem, e eu conheceria outros que me fariam felizes, de maneiras diferentes, mas me fariam. E depois, quando o vazio da saudade batia, eu olhava o céu, suspirava, colocava o vazio no bolso e ia ouvir uma sinfonia, assistir um filme ou ler um bom livro. E seguia. Sempre segui. Sempre segui achando que jamais encontraria um olhar que me faria ficar no trem, que faria todos os meus caminhos me encaminharem pra um único lugar. Sempre segui achando que jamais seria pouco dizer que amo, que quero, que preciso, que desejo. Segui jamais imaginando que seria tão pouco qualquer palavra perto do que eu fosse sentir. Você foi lindo comigo. Lindo, mesmo distante e tão perto. Me estudou e sabia exatamente que qualquer surto que eu pudesse ter era um sinal de que eu estava reagindo, de que eu estava me aproximando de tudo de novo. Aquelas inúmeras vezes que você me olhou quase sorrindo, me curaram e me fizeram sonhar que um dia nosso encontro iria acontecer inteiro. E eu deixei de buscar em filmes, músicas, livros e bonsais aquele certo tipo de consolo que eu jamais encontrei. E eu voltei a ter o gosto doce de menina romântica, e aquele gosto ácido de mulher moderna. Fazia tempo que eu não parava pra escrever qualquer coisa, ouvindo uma boa música. Estou pensando em você. Eu penso, repenso e trepenso em você. E eu apenas fecho os olhos, e te sinto mais perto. Bem perto. Cheirando o meu cabelo e sussurrando que me ama, e que eu tô linda mesmo com os olhos inchados e com o nariz vermelho depois de tanto chorar de saudade."

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