"Eu não sabia o que dizer quando cheguei lá em cima. O vento estava bagunçando meu cabelo, mas pela primeira vez eu não me irritei. Senti um alívio imenso, como se ali fosse um refúgio. Eu estava a salvo. O sol estava indo embora e eu conseguia ver ele ali, sumindo por detrás da montanha, me fazendo lembrar de bons momentos que eu vivi e que por culpa de toda a confusão eu não conseguia lembrar. O silêncio que perdurou alguns minutos me fez tão bem. Até mesmo o cheiro do perfume misturado com o cheiro das folhas das árvores. Eu não conseguia sentir medo, mesmo estando num lugar tão alto, sem nenhum equipamento de segurança, Não tinha como eu sentir medo. Eu confiaria mesmo se o prédio fosse de quarenta andares. Eu me senti tão bem, como há MUITO tempo não me sentia. Eu não me importei mais com quem estava distante, com quem estava me machucando. Eu me sentia segura ali, e quando olhava pra baixo ria por ser tão boba em ter medo de altura. Eu não queria que aquilo acabasse. Pela primeira vez, em duas semanas, eu estava conseguindo respirar fundo, sentir o ar entrando. E foi tão bom ouvir aquele 'agora você pode respirar, May...' E eu não pude evitar a onda de choro. Eu estava me segurando há muito tempo. Havia espinhos na minha garganta, e eles tinham que sair. Aquele choro contido estava me sufocando. O ombro emprestado foi muito útil, e as palavras me encantaram, como sempre. E mesmo depois de ouvir tudo aquilo, eu não consegui me sentir confusa, porque estava claro que por nunca podermos nos ter, é que nos teríamos para sempre. E, hoje, mesmo depois de tudo o que aconteceu e que me tirou o sono, eu fiquei bem. O pôr-do-sol foi semelhante àquele, eu não estava num lugar tão alto, sentada numa madeira pequena, onde mal cabíamos, eu estava na varanda, sentindo o vento bagunçando meu cabelo - e dessa vez isso me irritava - mas eu me senti bem, como antes. Eu não te tinha ali pra me falar besteiras e me fazer sorrir cantando música de bêbado ou fingindo estar fora do tom, mas eu estava bem. Me senti inteira novamente. E isso me fez tão bem. Eu podia estar tão cansada agora, depois de fazer cinco bolos, rir um monte, ajudar na nova decoração da cantina, e comer o dia todo. Mas não. Estou disposta como naqueles dias em que eu vivia assim. É tão bom saber que em algum lugar aqui dentro ainda permanece aquela essência. Permanece aquela substância que, misturada com uma gotinha de felicidade, me faz quicar de alegria pelos cantos da casa, cantar sozinha e fazer bolos. Eu não sei ainda o que quero, o que decidi. Algumas coisas já estão encaminhadas. GRAÇASADEUS. Mas, sinceramente, não quero saber. Eu não quero que isso saia aqui de dentro, e só em pensar em voltar a ser como tudo era há dois dias atrás me dá vontade de chorar. Eu comecei a entender. Só agora. Eu não posso esperar que alguém retribua o que eu fiz com atitudes semelhantes. Não posso. Eu aprendi a amar a minha companhia; não posso dizer que não preciso, mas eu não dependo disso pra ser feliz. Não dependo da amizade, do apoio, das conversas. Uma hora as pessoas vão, encontram os motivos dela e vão, simplesmente. E eu não posso julgá-las por isso. Nunca. Elas também serão felizes, como eu sempre disse. Assim como eu também serei. Elas precisam ir, uma hora ou outra. E elas sempre estiveram cientes disso, apesar de todo o drama e filosofias que sempre chegam àquele ponto de que todo mundo parte, uma hora, e é preciso aceitar isso. Eu deixei tanta gente quando vim pra cá, cada mudança minha foi carregada de dor e uma saudade quase insuportável. Mas eu superei. E não vai ser agora que não vou superar. Mesmo que eu não vá e que eu fique mais um pouco, pelo menos, até a vida amanhecer, de novo. Eu sei que haverá essa despedida, mesmo perto, e que não seremos mais tão próximos. Quem sabe você tenha razão, quem sabe eu esteja fugindo dessa provável distância, mesmo morando a uns quilômetros de distância de você. E, se for isso mesmo, não me envergonho, Ter medo de perder alguém não é vergonha. Ainda mais quando esse 'perder' fora para sempre. Nem sempre eu tive oportunidade de me despedir, e uma das maiores saudades que sinto foi de uma pessoa que partiu, sem nem me avisar. E... Eu superei, não foi? Saudade... Foi isso que eu sempre temi, e foi isso que sempre me acompanhou. Eu fui 'crescendo', vivendo e... Sempre sentindo saudades. Saudade de um cheiro, de um gosto, de um abraço, de um lugar. O amado ia mas o amor permanecia e aquele sentimento ficou ali, alojado, agarrado àlguma planta que eu nem lembro quando plantei. Eu lembrei de tanta coisa hoje a tarde. Dos pactos inplícitos que foram rompidos, sem sequer uma explicação. Principalmente, dos pactos. Eu sempre fui tão sincera e sempre tão entregue às promessas que eu fazia/faço. E ter esses pactos rompidos doeu demais. Ainda dói. Eu tenho saudades, e não sou eu a culpada delas. Ultimamente, meu grau de sanidade tem estado muito a baixo de zero. Consigo imaginar novas situações, expressões. A saudade chega a ser tanta que sinto o cheiro, ouço a voz aveludada, revivo aquela noite tão inesquecível. Hoje, eu consigo pensar sem sentir o pesar da perda, da despedida, da ausência. Eu sinto como algo que vivi e que está tão distante, como em outra época, mas que me fez tão feliz como nunca fui. Ah...! Fazia tempo que eu não escrevia assim... Fazia tempo que eu não soltava os dedos sobre o teclado e deixasse sair o que quisesse. Eu estava me manipulando, não me permitindo. Um dos motivos para eu me sentir sufocada. Deixei os dedos rolarem, de novo... Nem lembro mais como comecei a escrever esse texto... Ah! estava falando sobre...O lindo pôr-do-sol que vi. Foi maravilhoso... Eu vou levar pra sempre. Sabe aquelas histórias de livro? - porque nem sempre o cinema reproduz aquela emoção com tanta perfeição - foi assim que me senti. Personagem de um livro cheio de emoção e encanto. Eu nunca imaginei estar sob aquela hélice gigante, sentada ali, com aquela mão firme na minha cintura pra não me deixar cair. Sem me irritar com aquele vento que teimava em bagunçar o meu cabelo - depois até fez um belo penteado, né? Eu renasci. Me senti viva, de novo. E vi como tudo pode ser mais bonito. É só eu me esforçar um tico. Todo esse lero-lero é pra agradecer. Eu realmente me surpreendi por ver algumas pessoas ausentes, fingindo que não entendem e me acusando sempre que podem. Não esperava isso. Mas a gente nunca espera ser machucado. A ferida logo seca e depois só fica a cicatriz, pra você lembrar que um dia deu permissão o suficiente para que alguém entrasse na sua vida e tivesse a liberdade de te conhecer um pouco mais do que a moça da padaria (que te atende todos os dias quando você vai comprar 8 pães de trigo e cinco pães doce), e pudesse usar alguma coisa contra você. Eu permiti e... Uma hora ou outra isso poderia acontecer. Tudo segue, não é? O mundo não pára de girar. E, a propósito, sabia que a Terra gira em torno do sol a 80km/s? Por segundo! Eu quase desmaiei quando me disseram isso, se não fosse pela gravidade, o que seria dos meus cabelos? Buenas... Voltando, obrigada. Quem eu nem imaginava que estaria ao meu lado por esses dias, mesmo ausente, esteve. Se fez presente por uma mensagem, uma ligação, uma ajudinha, um e-mail, um olhar. Realmente é bom ter vocês. Eu consegui ter bons momentos no meio de toda essa guerra, dessa confusão constante que teimava em me pegar de surpresa. Eu sempre disse que minha vida começaria de verdade quando esse problemas passassem, quando eu me formasse, quando eu casasse, quando eu fosse um pouco mais independente e tivesse as minhas coisas. Na verdade, eu não tinha percebido que esse obstáculos são exatamente parte da minha vida, é o que a faz interessante, o que a deixa com um ar de mistério e me faz viver cada hora na expectativa de um momento melhor, de uma surpresa. A felicidade está numa caixa de bombons, deveras? Crianças ganham caixas de bombons, adultos também."
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Ver todas"Eu acredito na bondade do ser humano, acredito que existam pessoas como eu, com coração de carne, pessoas que possuam sentimentos nobres, e que entendam que por trás dessa Mayara bonitinha (feia arrumada xD), metida a patricinha, que ama a cor rosa, que tem medo de sapos, que trabalha, que é responsável, inteligente... Existe uma menina frágil, com o coração cheio de sentimentos, sonhadora, que ainda não sabe muita coisa, que vive consertando seus erros e chora com a cabeça no travesseiro. Que existe uma menina frágil, somente."
"É necessário mais coragem para escrever do que para falar. A escrita nasce no momento em que está sendo lida... E, particularmente, eu sempre gostei de saber disso - mesmo não escrevendo com tanta frequência ultimamente. Eu não tenho tido muito tempo de vir postar sobre coisas corriqueiras como o susto que tomei hoje saindo do conservatório - antes disso - , da música linda de Vivaldi que ouvi um professor ensaiando hoje. Nem tenho tido muito tempo pra falar sobre os meus dias corridos e os que insistem em passar lentamente diante dos meus olhos, sobre amizade que fiz e que tem se mantido em pé apesar das tempestades e chuvas torrenciais. O cheiro das árvores que estão no caminho que faço todos os dias, e como tem sido incrível encontrar o meu bem todos os finais de semana - apesar de não termos muito tempo pra gente sempre, mas o simples fato de nos termos por perto deixa minha alma em paz. Eu, sinceramente, preciso voltar a escrever as besteiras de sempre, falar sobre o meu dia, deixar a preguiça dos dedos de lado e contar... Deixar que a escrita nasça enquanto alguém que eu nem faço ideia a lê lentamente, ouvindo uma boa música, ou então curtindo o silêncio de uma noite serena. Mas hoje eu estou aqui escrevendo porque me sinto transbordar... Porque eu vivi os dois anos mais incríveis de toda a minha vida e finalmente sinto que completei o quebra-cabeça que tanto me quebrou a cabeça durante toda a minha adolescência. Eu sempre te disse, Tharsis, em diversos momentos, o exato momento em que eu soube que era pra sempre, que nós somos pra sempre. E acho que te deixei confuso... Porque até hoje existem momentos que me fazem ter a certeza do 'pra sempre' entre a gente. Você me fez viver tantas coisas inesperadas. Eu tinha tanto medo de viver no rascunho, afinal, eu vivia me preparando pra vida e nada do que eu planejei aconteceu. Você veio e me virou do avesso, me mostrou que eu podia continuar sendo eu e você me amaria mesmo assim. Hoje, enquanto eu voltava pra casa, pensei em nós e no quanto você me segurou durante esses dois anos. Não caberia em um livro tudo o que vivemos... E eu percebi, mais uma vez, que se não fosse você me emprestando seu ombro, sendo meu melhor amigo, apertando as minhas mãos quando senti medo, me olhando nos olhos quando eu quis desistir... Se não fosse você ao meu lado, com a sua voz mansa e carregada de um sotaque só seu, eu nem sei o que teria sido de mim e dos meus joelhos fracos. Por tantas vezes eu te olhei com olhos marejados e sussurrei que estava cansada, que queria desistir, mas você sempre fez renascer em mim o desejo de recomeçar. Já dizia meu avô que a saudade engana tão bem que às vezes pode parecer que é amor. E durante os 18 meses que ficamos longe um do outro eu tive medo todos os dias de que a saudade estivesse nos enganando... E quando você veio de vez, veio pra ficar, pra me ver sempre, pra morar aqui perto, eu descobri que a saudade só nos ajudou durante todo esse tempo. E pensar que eu nem sei como foi que eu suportei todo aquele tempo longe de você. Mas só nos fez mais fortes, mais unidos. E eu te amo por isso e muito mais. Você não desistiu, não reclamou da intensidade, não desfez dos meus dramas e manias. Obrigada por ainda olhar o céu comigo, acreditar que eu converso com a lua e me falar coisas tão lindas todas as noites. Se lembra de quando você me mandou essa imagem? Eu me apaixonei por você, meu cientista, e é lindo poder ver as estrelas através dos seus olhos e de toda a sabedoria que Deus te deu. No dia que você me mandou essa imagem eu não entendi lhufas, mas através de cada pontinho branco desse que insiste em brilhar no céu, eu pude ver o seu amor. Amar você me fez ouvir e entender estrelas, e por isso eu transbordo de amor todos os dias. Obrigada por ter me esperado e ainda me esperar por esses dois anos. Obrigada por me entender, me respeitar e me amar do seu jeitinho que me encanta todos os dias. Obrigada pelos abraços que viraram colo, confissão. Você correu pra me encontrar, me esperou em vários lugares, só pra eu me aconchegar nos teus braços e chorar tudo o que eu tinha pra chorar. Eu esperei 19 anos por você, pela pessoa que oraria junto comigo nas madrugadas, que me motivaria a continuar independentemente da situação. Esperei pelo seu abraço, pelos seus olhinhos pequenos marejados, pelas diversas vezes que choramos abraçados pensando que não conseguiríamos suportar a despedida. Eu não sei me despedir de você. Eu sempre tento estender o abraço, o beijo... Nunca fui preparada para me despedir de você e nem serei. Mas estamos aqui, amor. Conseguimos. E como nós mesmo sussurramos todas as noites: "O nosso dia está chegando e aí não precisaremos mais de despedidas." E eu quero dizer, amor, entre tantas palavras e melismas que eu estou aqui, te esperando, como desde antes mesmo de nos conhecermos. Que eu só quero te fazer feliz sempre, segurar a sua mão e enfrentar o que tiver de ser, porque quem escreveu a nossa história está conosco. Ele é fiel e é por isso que estamos aqui, sonhando mais do que nunca, esperando no que sequer conseguimos ver apontar no horizonte... Mas sabemos que é nosso, que está vindo. Eu te amo porque ligamos um pro outro de noite só pra ficarmos em silêncio, esperando o outro pegar no sono. Te amo porque você me ajuda a cuidar das minhas plantas e entende meu amor por elas - mesmo eu não tendo a mão boa pra cuidar delas. Te amo porque você consegue ouvir a música que toca dentro de mim e que me faz dançar todos os dias. Porque você faz a melhor limonada do mundo. Porque só você sabe o jeito certo de cuidar de mim, de fazer a minha cólica passar, de me entregar o chocolate certo na hora certa. Te amo porque lê meus textos, entende minhas manias e respeita cada uma delas. Te amo porque você me olha enquanto durmo e me acorda me enchendo de mimos, te amo porque você acha meus joelhos tortos bonitos e não implica com a minha mania de mudar de esmalte sempre. Te amo quando você ouve jazz ou coloca reggae só pra me irritar. Te amo quando você me irrita, finge que não me ouve, pede pra eu explicar de novo, me troca pelo Flamengo ou por uma matéria qualquer do Tecnoblog. Te amo quando você sorri e eu mordo as covinhas da sua bochecha, te amo quando você me beija, te amo quando você me aperta. Te amo porque estudar música me faz pensar em você, porque quando componho eu penso em você. Te amo quando você me inspira. Te amo mais ainda - e nesse momento, sinto tudo aqui dentro de mim virar do avesso e meus olhos marejam - porque você me conhece. Conhece o meu olhar, sabe ler aqui dentro, você enxerga bem depois da íris. Sabe quando a palavra me dói, quando lembrar do passado já é insuportável. Você sabe como é dolorido pra mim ter que abraçar algumas pessoas, cumprimentar outras e até conviver com outras. E se não fosse esse seu olhar cúmplice, esse abraço acolhedor, eu não teria enfrentado nada daquilo. Você sabe mais de mim do que eu mesma, sabe do que eu gosto, sabe do meu jeito simples de ver as coisas e da minha inconstância. Obrigada por nunca ter reclamado da minha inconstância. Obrigada pelas noites que passou em claro depois que tive um pesadelo, pelas palavras de conforto que me ajudaram a perder o medo de viver do jeito intenso que tenho vivido. Obrigada pelos passeios, pelos lanches no McDonald's, pelos sorvetes, chocolates e fins de tarde cheio de amor. Obrigada pelos presentes, por toda a sua dedicação em me agradar, me fazer bem. Você é lindo comigo. E eu te amo mais que a mim. Eu sou doida, amor. Você sabe que sou. Vou ao mercado de pijamas, tomo banho de mangueira no frio, limpo o fogão descalça, mexendo com água e com ele na tomada, sempre me queimo com a cola quente, mudo a temperatura do chuveiro batendo com o rodo, brigo com a atendente do Ragazzo quando ela diz saber tudo sobre mim, sou estressada e quando estou nervosa não meço palavras. Hoje digo que vou bordar todo o nosso enxoval, amanhã digo que vou comprar tudo pronto. Hoje digo que vou aprender tricô, amanhã nem quero mais saber. Hoje estou querendo, amanhã não quero mais. Mas a minha maior loucura é querer você. E essa loucura nunca esteve a mercê da minha inconstância porque eu te guardei aqui dentro no meu sagrado, e ele é intocável. Nos pertencemos. Te amo quando volto pra casa com você, quando faço compras com você, quando caminho com você. Mas eu te amo mais ainda quando deito em seu ombro e me encaixo tão perfeitamente que fico sonolenta e o mundo gira bem devagar. Nessa hora tudo poderia parar e eu ficaria ali eternamente. Eu ficaria aqui por meses dizendo quando e porque te amo tanto assim, e penso em você tanto assim. Eu sempre digo que, antes de você, eu me imaginava com qualquer pessoa. Mas depois de você isso ficou impossível, porque você completou o que faltava, me encheu de vida e me fez sorrir novamente."
"Eu não costumo postar textos em datas comemorativas. Não porque eu não tenha tempo, é que eu não gosto, dificilmente me inspiro em dias comemorativos. Mas é que falar de natal sempre me faz desejar coisas pra mim ou pra outras pessoas, e desejar feliz natal no dia 26 de dezembro é um pouco estranho. No dia 26 as pessoas nem lembram mais o que é o natal e só pensam na ceia da virada de ano, no vestido branco, nas sete ondas, nas lentinhas e nas promessas idiotas que não irão cumprir no ano seguinte. Mas, deixando toda a minha revolta de lado, eu vim aqui desejar, pra quem ler ou não, coisas lindas. Eu gostaria de ouvir uma boa música agora, mas a chuva está tão forte que isso é quase impossível - e eu gosto disso. O som da chuva me acalma, o cheiro é inebriante, e depois de dias tão quentes nada melhor que uma chuva gostosa pra deixar o natal fresquinho. Eu vim aqui mesmo desejar coisas que todo mundo quer mas dificilmente sabe como pedir e muitos deixam esses pequenos detalhes passarem despercebidos. Eu vim desejar detalhes, esses que, mais tarde, podem fazer muita falta. Eu desejo luzes piscando na janela do quarto, sorrisos contagiantes, música animada. Desejo Cupcakes coloridos, daqueles lindos que faz os olhos de qualquer criança brilharem como dois faróis. Desejo um abraço apertado sem muitas declarações de amor - porque, nos tempos de hoje, um abraço sincero vale mais que muitos 'eu te amo's. Não desejo um banquete, cheio dessas iguarias que só servem pra enfeitar a mesa mas ninguém gosta de comer... Eu desejo uma ceia de natal com as mais saborosas comidas - e essas comidas não são as mais caras, porque as mais saborosas sempre são as que tem mais amor. Desejo frutas doces, pratos coloridos, um jantar que não alimente só o corpo, mas alma. Porque o natal é pra isso, é pra alimentar a alma daqueles que passaram um ano inteiro correndo de um canto a outro tentando matar um leão todos dias e acabou esquecendo dos detalhes. Desejo brincadeiras saudáveis, presentes que sejam guardados eternamente na memória, o amigo oculto mais divertido que puder ser. Desejo crianças acordando ansiosas e procurando debaixo da cama ou no pé da árvore o presente esperado o ano inteiro, desejo gargalhadas gostosas - daqueles que marejam os olhos -, desejo dancinhas engraçadas, conversas que durem a madrugada. Desejo um pai cheio de amor que abrace o filho durante o jantar e que o faça ter borboletas no estômago de ansiedade pelo presente tão esperado, e uma mãe com mãos de fadas que, como mágica, seque as lágrimas dos que sentem dor e adoce a vida de quem está a sua volta. Desejo muito amor aos apaixonados e o encanto da vida nos olhos. Desejo uma chuvinha gostosa por volta das 5 da manhã, quando os ânimos finalmente estiverem calmos, as crianças dormindo, os adultos cambaleando de sono e rindo das brincadeiras passadas e a mesa de jantar com os pratos vazios e copos também. Desejo aquele avós fofos rindo de tudo, que dançam agarradinhos pros netos caírem na risada e que trazem em cada fiozinho branco na cabeça um pouco de sabedoria. Eu desejo muita paz, mas não essa que as pessoas pedem da boca pra fora sem nunca terem sentido. Peço a paz de espírito, aquele sentimento que joga fora toda a dúvida e nos faz descansar em braços cautelosos e cheios de amor, com cheiro de nuvem e sabor de chocolate. A paz que faz as crianças dormirem como anjos e os adultos se amarem como se fosse a última vez. A paz que nos aproxima ainda mais dAquele que nos criou e formou com todo o amor e tem cuidado com a maior paciência, apesar de sermos teimosos e errantes. Eu desejo a família formada com as mais diferentes personalidades mas tão cheia de amor que é capaz de passar por cima dos erros e defeitos e se unirem como um só. Eu desejo esse natal vermelho e dourado que todos estampam em suas casas e roupas para mostrarem o quanto são felizes... Mas eu desejo mais ainda: eu desejo que essas cores e decorações sejam a amostra sincera da maior conquista que um homem pode ter: A FELICIDADE!"
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