"A noite caiu sem manchas e sem culpa. Os homens tiraram as máscaras de bons actores. Findou o espectáculo. Tudo o mais é arrabalde. No alto, a utópica lua, vela comigo e sonha inutilmente com a verdade das coisas. - Noite! Deixa-nos também dormir..."
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Ver todas"sou o piloto do barco que a tempestade afundou. Não contes, amor, não contes que eu tenho a alma sem luz. ...Quero-me só, a sofrer e arrastar a minha cruz."
"Vou fazendo horas - metade da vida é uma perdulária expectativa. E tonta. E ansiosa. E inútil. Como quem se sentou numa gare de caminho-de-ferro, à espera de um comboio que não se sabe quando passará e qual o seu destino. Certeza, e relativa, está apenas no local de espera. E às vezes na própria espera. Se chegamos a concretizar a viagem, o lugar aonde o comboio nos levou, desilude-nos. Isso, porém, não impede que tudo venha a repetir-se. Desperdiça-se o instante real e concreto, mas que, como areia, se nos escapa das mãos, em favor de uma ilusória vez seguinte."
"Raro e vazio dia. Calmo e velho dia. Os membros lassos debruados deste cansaço sem porquê. Raro e vazio dia, assim inteiro e implacável na solidão grave e trágica do meu quarto nu. Perdido, perdido, este vagabundear dos meus olhos sobre os livros fechados e decorados, sobre as árvores roídas, sobre as coisas quietas, quietas... Raro e vazio dia na minha boca pálida e pouca, sem uma praga para quebrar a magia do ópio!"
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