"Raro e vazio dia. Calmo e velho dia. Os membros lassos debruados deste cansaço sem porquê. Raro e vazio dia, assim inteiro e implacável na solidão grave e trágica do meu quarto nu. Perdido, perdido, este vagabundear dos meus olhos sobre os livros fechados e decorados, sobre as árvores roídas, sobre as coisas quietas, quietas... Raro e vazio dia na minha boca pálida e pouca, sem uma praga para quebrar a magia do ópio!"
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Ver todas"Meu corpo estiraçado, lânguido, ao logo do leito. O cigarro vago azulando os meus dedos. O rádio... a música... A tua presença que esvoaça em torno do cigarro, do ar, da música... Ausência!, minha doce fuga! Estranha coisa esta, a poesia, que vai entornando mágoa nas horas como um orvalho de lágrimas, escorrendo dos vidros duma janela, numa tarde vaga, vaga..."
"Uma árvore está quieta, murcha, desprezada. Mas se o poeta a levanta pelos cabelos e lhe sopra os dedos, ela volta a empertigar-se, renovada. E tu, que não sabias o segredo, perdes a vaidade. Fora de ti há o mundo e nele há tudo que em ti não cabe. Homem, até o barro tem poesia! Olha as coisas com humildade."
"Que ninguém hoje me diga nada. Que ninguém venha abrir a minha mágoa, esta dor sem nome que eu desconheço donde vem e o que me diz. É mágoa. Talvez seja um começo de amor. Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao [mundo. Pode ser tudo isso, ou nada disso. Mas não o afirmo. As palavras viriam revelar-me tudo. E eu prefiro esta angústia de não saber de quê."
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