"Entro em um banheiro público e nele, as bonecas de louça no retoque do batom, mas não só neste que bem se adivinhava a mão leve e inteligente de uma mulher, de gosto e educação, na escolha de alguns móveis, e, sobretudo, na escolha desses pequenos objetos íntimos, indispensáveis para fisgar um homem de tratamento fútil: escovas, pequenos espelhos, estojo de unhas, porta-jornais, vide-poches, porta-jóias, cinzeiros de madrepérola, etc. Tudo isso disposto com aparente descuido intimo (superficialidade), mas com requintado instinto artístico. As pessoas gostam de impressionar (Por que não leem?)"
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Ver todas"O plenilúnio opalino de uma transparência e suavidade dulcíssima, banhava tudo. Inundava o céu e a terra; envolvia as copas unidas das árvores, montes abaixo, num véu tenuíssimo de bruma luminosa e as fazia projetar sombras fantásticas no chão. Volta-me o asco - serão cortadas em breve... Não combinam com a estética da nobre casa recém construída, na rua mais cobiçada de uma metrópole."
"Piso nos cacos do chão... São, em muitas vezes, sinonimizados com o meu desleixo evasivo inerente ao que a mim pertence - amor próprio! Sou os cacos que me destroço a miúdo quando não sei perder sem sofrer... Espalho-me por entre os vãos que me escondem do mundo que não pode compreender a minha dor..."
"Os falsos padrões Os padrões... Sento para pensar; poderia fazê-lo deitada... De joelhos, seria uma boa sugestão para não repetir os mesmos erros. Poderia pensar durante o banho, ou penteando os cabelos, quem irá dizer qual o modo ideal para pensar? Fecho os olhos para beijar... Quem disse que se tivesse de olhos abertos, não beijaria igual? Posso beijar com os olhos piscando, fazendo caretas... Beijar debaixo d'água, lavaria os pecados... Beijar no meio da rua, em cima do telhado... Poderia estar mais perto do céu... Posso ir a uma festa descalça... Por que não? Livraria os pés dos sapatos granfinos e desconfortáveis, dançaria a noite toda e praticaria a humildade... Poderia ir descalça à igreja, ao dentista; ao meu casamento; em minha audiência... Quem poderia dizer que não posso? Que não devo? Quem? Poderia usar chapéu, blusa verde abacate; unhas púrpuras, saia roxa e óculos amarelos... Quem poderia impedir? O bom senso? A ditadura da moda? A sociedade hipócrita? A Constituição Federal? O Presidente da República? Quem poderia impedir? Poderia tomar sorvete com calda de morango acompanhado com trufas de chocolate e churros de doce de leite - vou engordar? Vou desagradar? Vou ser infeliz? Quem poderia dizer que isso me torna feia? Quem? A televisão? A tecnologia de ponta? Os críticos severos de si mesmos? Quem? Onde está o padrão? Na bíblia? Na novela? Na mentira? O que é um padrão? O paradigma? O chato a ser perseguido por uma multidão sem criatividade? Quem sou hoje? O que quero ser, ou o que obrigam a ser? Busco aceitação? Aprovação? Busco companhia? Ah! Prefiro me acomodar na falta de limites de minha imaginação, a entregar-me para os rótulos tão bem bolados, feitos especialmente para quem desistiu de viver."
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