"Piso nos cacos do chão... São, em muitas vezes, sinonimizados com o meu desleixo evasivo inerente ao que a mim pertence - amor próprio! Sou os cacos que me destroço a miúdo quando não sei perder sem sofrer... Espalho-me por entre os vãos que me escondem do mundo que não pode compreender a minha dor..."
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Ver todas"Sei falar palavras de difícil entendimento, apenas para confundir os que gostam de inutilidades que aparentam beleza ou por ofuscar um brilho que deveria ser feito de ouro. Isso chama atenção, tanto quanto o meu português ruim, quando quero, ou não, bastar-me a mim mesma. O ruim também chama atenção e me faz lembrar sempre do ponto preto pequenino querendo se esconder na parede vasta, toda branca e lisa, porém sua cor é preta... São polegadas de satisfação para olhos que não perdoam. Se eu disser ponto “negro” serei processada por preconceito – as pessoas acham palavras para tudo!"
"Com as mãos ávidas, arranho as paredes, sentindo a textura fria e lisa, deslizando por entre minhas digitais - hora desejo tanto, hora repulso, lambuzando a falsa moral de quem finge não sentir nada... Sinto... Deito-me com os sentidos... Penso... Espanto o sentimento; volto ao teatro estimulante de quem treina para sentir. Abro o armário e abraço as roupas, elas se encaixam em meu corpo, acariciam-me como a cereja no copo de martini, de um lado para o outro... tocando-me..."
"Fecho a porta do armário, na busca entorpecida por sentir, prendo o dedo na emboscada de portas se fechando - fechando o cerco! Sou eu, pressionada, angustiada, sentindo a dor que me faz crescer sem que me dê conta... Desejo escapar; grito! Às vezes, xingo... Um palavrão se quer que expresse a dor, o dedo preso, a mulher presa, sufocada por seus grilhões, que a todo instante lhe cobra crescimento."
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