"Os falsos padrões Os padrões... Sento para pensar; poderia fazê-lo deitada... De joelhos, seria uma boa sugestão para não repetir os mesmos erros. Poderia pensar durante o banho, ou penteando os cabelos, quem irá dizer qual o modo ideal para pensar? Fecho os olhos para beijar... Quem disse que se tivesse de olhos abertos, não beijaria igual? Posso beijar com os olhos piscando, fazendo caretas... Beijar debaixo d'água, lavaria os pecados... Beijar no meio da rua, em cima do telhado... Poderia estar mais perto do céu... Posso ir a uma festa descalça... Por que não? Livraria os pés dos sapatos granfinos e desconfortáveis, dançaria a noite toda e praticaria a humildade... Poderia ir descalça à igreja, ao dentista; ao meu casamento; em minha audiência... Quem poderia dizer que não posso? Que não devo? Quem? Poderia usar chapéu, blusa verde abacate; unhas púrpuras, saia roxa e óculos amarelos... Quem poderia impedir? O bom senso? A ditadura da moda? A sociedade hipócrita? A Constituição Federal? O Presidente da República? Quem poderia impedir? Poderia tomar sorvete com calda de morango acompanhado com trufas de chocolate e churros de doce de leite - vou engordar? Vou desagradar? Vou ser infeliz? Quem poderia dizer que isso me torna feia? Quem? A televisão? A tecnologia de ponta? Os críticos severos de si mesmos? Quem? Onde está o padrão? Na bíblia? Na novela? Na mentira? O que é um padrão? O paradigma? O chato a ser perseguido por uma multidão sem criatividade? Quem sou hoje? O que quero ser, ou o que obrigam a ser? Busco aceitação? Aprovação? Busco companhia? Ah! Prefiro me acomodar na falta de limites de minha imaginação, a entregar-me para os rótulos tão bem bolados, feitos especialmente para quem desistiu de viver."
Temas Relacionados
Mais de Adriana Vargas
Ver todas"Com as mãos ávidas, arranho as paredes, sentindo a textura fria e lisa, deslizando por entre minhas digitais - hora desejo tanto, hora repulso, lambuzando a falsa moral de quem finge não sentir nada... Sinto... Deito-me com os sentidos... Penso... Espanto o sentimento; volto ao teatro estimulante de quem treina para sentir. Abro o armário e abraço as roupas, elas se encaixam em meu corpo, acariciam-me como a cereja no copo de martini, de um lado para o outro... tocando-me..."
"Em contraprestação, sou também os pés, em tempos que levanto o voo do chão, com excesso de confiança, abuso do inverso da situação, subo tão alto que alcança a própria cabeça... Subo em minha mente achando lindo olhar o mundo do alto - a dona do mundo. Vingativa, piso nos que não acreditaram nos louros de minha vitória."
"É bem simples entender... Se aqueles homens que construíram a bomba atômica soubessem que estariam aprendendo a fórmula que mais tarde seria usada contra si, talvez houvesse espaço para entender que não compensa trocar seus princípios pela ganância e o poder."
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?


