"Dia Inteiro Pense num dia em que seu rosto já acalenta o cansaço semanal, que os bocejos são contínuos, que a palavra faxina é capaz de abalar a sua psique. Pensou na segunda-feira? Errou. Meu dia de ócio é o domingo. Vontade de fazer nada, dia de contemplar o teto. Não tem praia, festa em família e nem balada que me tire do ninho. Me convide às sextas. Barzinho, cinema, música. Emendaremos os sábados. Mas olha, domingo, não. Sabe aquele dia em que a sua maior vontade é de usar pijama o dia inteiro e esquecer de que tem cabelos para pentear? Pois então, bem vindos ao meu dia de domingo. Perco toda a vaidade. Inútil também arrumar a cama. Lá acordarei e regressarei por diversas vezes ao dia. Quase me transfiguro em sessão das grandes lojas: cama, mesa e banho. Aos domingos sou metade. Uma metade inteira de preguiça. Gosto de cozinhar mas preferirei comida pronta. Atualizarei minhas leituras, me entupirei de telecine. Nada de ponte Rio- Niterói, nada de trânsito, relatório, telefonemas, clientes. Muito mais que descansar da correria da semana. Preparar-se pra mais uma. Após tanta moleza, guardo energia pro desfecho. O único esforço é o do final do dia, vencer a batalha de posse do controle remoto: “Fantástico versus Pânico na tv”. Agrego minha cunhada como aliada pelas notícias. Meu irmão e namorado ficam no time oposto, prefiro acreditar que só pra nos contrariar. A disputa é acirrada, cheia de argumentações. E mesmo de meias, mesmo descabeladas, vencemos. Benditas sejam a inteligência e a articulação feminina. Forças renovadas para a nova semana."
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Yohana Sanfer
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Frases - Página 4
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"Dia Inteiro Pense num dia em que seu rosto já acalenta o cansaço semanal, que os bocejos são contínuos, que a palavra faxina é capaz de abalar a sua psique. Pensou na segunda-feira? Errou. Meu dia de ócio é o domingo. Vontade de fazer nada, dia de contemplar o teto. Não tem praia, festa em família e nem balada que me tire do ninho. Me convide às sextas. Barzinho, cinema, música. Emendaremos os sábados. Mas olha, domingo, não. Sabe aquele dia em que a sua maior vontade é de usar pijama o dia inteiro e esquecer de que tem cabelos para pentear? Pois então, bem vindos ao meu dia de domingo. Perco toda a vaidade. Inútil também arrumar a cama. Lá acordarei e regressarei por diversas vezes ao dia. Quase me transfiguro em sessão das grandes lojas: cama, mesa e banho. Aos domingos sou metade. Uma metade inteira de preguiça. Gosto de cozinhar mas preferirei comida pronta. Atualizarei minhas leituras, me entupirei de telecine. Nada de ponte Rio- Niterói, nada de trânsito, relatório, telefonemas, clientes. Muito mais que descansar da correria da semana. Preparar-se pra mais uma. Após tanta moleza, guardo energia pro desfecho. O único esforço é o do final do dia, vencer a batalha de posse do controle remoto: “Fantástico versus Pânico na tv”. Agrego minha cunhada como aliada pelas notícias. Meu irmão e namorado ficam no time oposto, prefiro acreditar que só pra nos contrariar. A disputa é acirrada, cheia de argumentações. E mesmo de meias, mesmo descabeladas, vencemos. Benditas sejam a inteligência e a articulação feminina. Forças renovadas para a nova semana."
"Não saber. Não há nada mais irritante do que respostas não-respostas. Engarrafamento irrita, trânsito de sexta-feira, buzina ignorante, gente contraditória, fila que não anda, vizinho com rádio potente e nenhum bom gosto irrita. Falta de educação, respostas atravessadas, atitude desnecessária, tudo isso. Mas nada mais desconcertante que um "não sei". "Não sei" é termo que não vale, "não sei" não é resposta, "não sei" não é cabível. Falo daquele "não sei" inteligente e esperto não o desprovido de informação. Aquele que é parente próximo do "talvez", vizinho do "pode ser", amigo fiel do "quem sabe". "Não sei" não rende assunto, não dá chance nem esperança. Não dá audiência. É preguiça, provocação. "Não sei" é arrancar as páginas de possibilidades e reflexões de um livro bom, é posição de impedimento, é tirar o corpo fora. Puro descaso, covardia. O boicote das justificativas. A alergia dos práticos. A úlcera dos ansiosos. É ter todas as respostas guardadas, preparadas, apontadas e ainda assim se esquivar. Ter a mancha de um crime nas mãos e negá-lo. "Não sei" é a fuga dos que não se comprometem. É vazio de sentido, tentativa frustrada de absolvição. Inconveniente, conservador, teste e tortura da paciência. "Não sei", piada mal contada. Cretina, infundada. Se esconde atrás da sombra e do suposto respaldo das abstenções. "Não sei" compactua com o "porque sim" e o "porque não" como escape de continuação do asssunto. Simbióticos e injustos. Tenta parar o trânsito da prosa, mas é atropelado pelas interrogações. É a pressa e o pecado da língua insana, o tormento das personalidades combativas, o desespero dos descordantes. "Não sei" é a negação do recurso. Não remete ao passado e não liga ao futuro, é a pedra no caminho da decisão, a pedra no sapato dos objetivos. "Não sei" como comodismo, escolha mais conveniente. Nada bobo o "não sei", bastante sábio. Um perigo, um abuso. Deveria ser censurado, abolido, abortado. Ahhh o "não sei"... descabido e desnecessário! Responda "não sei" pra mim e prepare-se para o show de questionamento. Tenha certeza de sua resposta, de sua falta de posição. Esteja seguro e armado. Armado de argumentação."
"Não saber. Não há nada mais irritante do que respostas não-respostas. Engarrafamento irrita, trânsito de sexta-feira, buzina ignorante, gente contraditória, fila que não anda, vizinho com rádio potente e nenhum bom gosto irrita. Falta de educação, respostas atravessadas, atitude desnecessária, tudo isso. Mas nada mais desconcertante que um "não sei". "Não sei" é termo que não vale, "não sei" não é resposta, "não sei" não é cabível. Falo daquele "não sei" inteligente e esperto não o desprovido de informação. Aquele que é parente próximo do "talvez", vizinho do "pode ser", amigo fiel do "quem sabe". "Não sei" não rende assunto, não dá chance nem esperança. Não dá audiência. É preguiça, provocação. "Não sei" é arrancar as páginas de possibilidades e reflexões de um livro bom, é posição de impedimento, é tirar o corpo fora. Puro descaso, covardia. O boicote das justificativas. A alergia dos práticos. A úlcera dos ansiosos. É ter todas as respostas guardadas, preparadas, apontadas e ainda assim se esquivar. Ter a mancha de um crime nas mãos e negá-lo. "Não sei" é a fuga dos que não se comprometem. É vazio de sentido, tentativa frustrada de absolvição. Inconveniente, conservador, teste e tortura da paciência. "Não sei", piada mal contada. Cretina, infundada. Se esconde atrás da sombra e do suposto respaldo das abstenções. "Não sei" compactua com o "porque sim" e o "porque não" como escape de continuação do asssunto. Simbióticos e injustos. Tenta parar o trânsito da prosa, mas é atropelado pelas interrogações. É a pressa e o pecado da língua insana, o tormento das personalidades combativas, o desespero dos descordantes. "Não sei" é a negação do recurso. Não remete ao passado e não liga ao futuro, é a pedra no caminho da decisão, a pedra no sapato dos objetivos. "Não sei" como comodismo, escolha mais conveniente. Nada bobo o "não sei", bastante sábio. Um perigo, um abuso. Deveria ser censurado, abolido, abortado. Ahhh o "não sei"... descabido e desnecessário! Responda "não sei" pra mim e prepare-se para o show de questionamento. Tenha certeza de sua resposta, de sua falta de posição. Esteja seguro e armado. Armado de argumentação."
"O moço do metrô Era pra ser só mais um dia comum. Despertador estridente e banho frio como método de tortura e adeus ao sono às cinco horas da manhã. Paciência e agilidade matinal - dualidade duvidosa - pra domar a jubinha de leão, deixar pra depois o café que eu não tomo e enfrentar aquele trânsito caótico da cidade maravilhosa rumo às aulas de inglês. O fato é que o sono não é tão invencível, a cidade não é tão maravilhosa às seis horas da manhã e após enfrentar o trânsito nosso de cada dia, que parecia duas vezes pior, desisti da aula já que pelo horário, só chegaria a tempo de ouvir o "bye, bye...see you on friday!" Aproveitei o tempo para resolver outras pendências. Mudei de rota e dessa vez fui de metrô. Até que não estava tão cheio, tinha espaço suficiente para entrar com calma e poder virar o pescoço observando a calmaria comum e tediosa que habitava o local. Habitava, até que, para surpresa geral, chega um cidadão carioca, rompendo o silêncio dominante, cantando a música "fora da lei" em volume e tons propagáveis para todo o vagão. O cidadão comum que acordou se achando o Ed Motta, atraiu a atenção e o estranhamento de todos ali presentes. A senhora com cara de "tô brava", lançava olhares de fúria, decerto achou um disparate a coragem e suposta má educação do rapaz. O engravatado olhou com cara de reprovação, repassando bravamente as folhas de seu jornal. O nerd afundou ainda mais a cara em seu livro de "alguma coisa chata demais" certamente sentindo vergonha pelo rapaz que, não só cantava, mas insistia nos "paradibirudubuaê" típicos do Ed. E eu? Eu só conseguia rir. Rir dos "paradibirudubuaê", rir da naturalidade em que o rapaz levava aquela situação e principalmente da reação ao redor. Me recordei de um episódio do programa "De cara limpa" em que o ator-humorista-músico-autor e corajoso Fernando Caruso entra no metrô vestido de mulher e dança na barra de aço, realizando uma inusitada e divertida performance de pole dance para surpresa, estranhamento e simultaneamente risada geral. Trata-se de um programa que visa desmistificar as regras do marasmo, levando humor e descontração a locais públicos onde a tensão ou o tédio imperam, assim, na cara dura, ou conforme o nome, de cara limpa. O que é sensacional, eficaz, positivo e porquê não, construtivo em tempos de estresse coletivo e certeiro. Em tempos de correria e agitação trivial, desatenção aos detalhes cotidianos, ao que é essencial. Um momento pra sorrir, um momento pra romper com as barreiras invisíveis do silêncio, doa a quem doer, custe os olhares insatisfeitos que custarem. Momento pra respirar leveza, diminuir o ritmo. Despir as vestes da formalidade, dos bons modos, ser quem se é quando ninguém está vendo, mas quando todos estão vendo. Coragem? Sim, e autenticidade. Me remete a uma citação de um dos meus escritores preferidos. Luis Fernando Veríssimo disse "Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo". Eu concordo. E o moço do metrô também."
"O moço do metrô Era pra ser só mais um dia comum. Despertador estridente e banho frio como método de tortura e adeus ao sono às cinco horas da manhã. Paciência e agilidade matinal - dualidade duvidosa - pra domar a jubinha de leão, deixar pra depois o café que eu não tomo e enfrentar aquele trânsito caótico da cidade maravilhosa rumo às aulas de inglês. O fato é que o sono não é tão invencível, a cidade não é tão maravilhosa às seis horas da manhã e após enfrentar o trânsito nosso de cada dia, que parecia duas vezes pior, desisti da aula já que pelo horário, só chegaria a tempo de ouvir o "bye, bye...see you on friday!" Aproveitei o tempo para resolver outras pendências. Mudei de rota e dessa vez fui de metrô. Até que não estava tão cheio, tinha espaço suficiente para entrar com calma e poder virar o pescoço observando a calmaria comum e tediosa que habitava o local. Habitava, até que, para surpresa geral, chega um cidadão carioca, rompendo o silêncio dominante, cantando a música "fora da lei" em volume e tons propagáveis para todo o vagão. O cidadão comum que acordou se achando o Ed Motta, atraiu a atenção e o estranhamento de todos ali presentes. A senhora com cara de "tô brava", lançava olhares de fúria, decerto achou um disparate a coragem e suposta má educação do rapaz. O engravatado olhou com cara de reprovação, repassando bravamente as folhas de seu jornal. O nerd afundou ainda mais a cara em seu livro de "alguma coisa chata demais" certamente sentindo vergonha pelo rapaz que, não só cantava, mas insistia nos "paradibirudubuaê" típicos do Ed. E eu? Eu só conseguia rir. Rir dos "paradibirudubuaê", rir da naturalidade em que o rapaz levava aquela situação e principalmente da reação ao redor. Me recordei de um episódio do programa "De cara limpa" em que o ator-humorista-músico-autor e corajoso Fernando Caruso entra no metrô vestido de mulher e dança na barra de aço, realizando uma inusitada e divertida performance de pole dance para surpresa, estranhamento e simultaneamente risada geral. Trata-se de um programa que visa desmistificar as regras do marasmo, levando humor e descontração a locais públicos onde a tensão ou o tédio imperam, assim, na cara dura, ou conforme o nome, de cara limpa. O que é sensacional, eficaz, positivo e porquê não, construtivo em tempos de estresse coletivo e certeiro. Em tempos de correria e agitação trivial, desatenção aos detalhes cotidianos, ao que é essencial. Um momento pra sorrir, um momento pra romper com as barreiras invisíveis do silêncio, doa a quem doer, custe os olhares insatisfeitos que custarem. Momento pra respirar leveza, diminuir o ritmo. Despir as vestes da formalidade, dos bons modos, ser quem se é quando ninguém está vendo, mas quando todos estão vendo. Coragem? Sim, e autenticidade. Me remete a uma citação de um dos meus escritores preferidos. Luis Fernando Veríssimo disse "Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo". Eu concordo. E o moço do metrô também."