"A felicidade é como gota de orvalho numa pétala de flor."
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Ver todas"De repente do riso fez-se o pranto silencioso e branco como a bruma e das bocas unidas fez-se a espuma e das mãos espalmadas fez-se o espanto de repente da calma fez-se o vento que dos olhos desfez a última chama e da paixão fez-se o pressentimento"
"Místico O ar está cheio de murmúrios misteriosos E na névoa clara das coisas há um vago sentido de espiritualização… Tudo está cheio de ruídos sonolentos Que vêm do céu, que vêm do chão E que esmagam o infinito do meu desespero. Através do tenuíssimo de névoa que o céu cobre Eu sinto a luz desesperadamente Bater no fosco da bruma que a suspende. As grandes nuvens brancas e paradas – Suspensas e paradas Como aves solícitas de luz – Ritmam interiormente o movimento da luz: Dão ao lago do céu A beleza plácida dos grandes blocos de gelo. No olhar aberto que eu ponho nas coisas do alto Há todo um amor à divindade. No coração aberto que eu tenho para as coisas do alto Há todo um amor ao mundo. No espírito que eu tenho embebido das coisas do alto Há toda uma compreensão. Almas que povoais o caminho de luz Que, longas, passeais nas noites lindas Que andais suspensas a caminhar no sentido da luz O que buscais, almas irmãs da minha? Por que vos arrastais dentro da noite murmurosa Com os vossos braços longos em atitude de êxtase? Vedes alguma coisa Que esta luz que me ofusca esconde à minha visão? Sentis alguma coisa Que eu não sinta talvez? Por que as vossas mãos de nuvem e névoa Se espalmam na suprema adoração? É o castigo, talvez? Eu já de há muito tempo vos espio Na vossa estranha caminhada. Como quisera estar entre o vosso cortejo Para viver entre vós a minha vida humana... Talvez, unido a vós, solto por entre vós Eu pudesse quebrar os grilhões que vos prendem... Sou bem melhor que vós, almas acorrentadas Porque eu também estou acorrentado E nem vos passa, talvez, a idéia do auxílio. Eu estou acorrentado à noite murmurosa E não me libertais... Sou bem melhor que vós, almas cheias de humildade. Solta ao mundo, a minha alma jamais irá viver convosco. Eu sei que ela já tem o seu lugar Bem junto ao trono da divindade Para a verdadeira adoração. Tem o lugar dos escolhidos Dos que sofreram, dos que viveram e dos que compreenderam."
"Soneto de devoção Essa mulher que se arremessa, fria E lúbrica aos meus braços, e nos seios Me arrebata e me beija e balbucia Versos, votos de amor e nomes feios. Essa mulher, flor de melancolia Que se ri dos meus pálidos receios A única entre todas a quem dei Os carinhos que nunca a outra daria. Essa mulher que a cada amor proclama A miséria e a grandeza de quem ama E guarda a marca dos meus dentes nela. Essa mulher é um mundo! — uma cadela Talvez... — mas na moldura de uma cama Nunca mulher nenhuma foi tão bela!"
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