"Sonhar um beijo Quando me perco nas alamedas escuras da cidade Guardo o tempo em calçadas de pedras onde me deito. Olho apenas estrelas esperando por algum beijo perdido Disparado em direção a algum amante bêbado e tolo. Janelas se fecham, e luzes se apagam em ritmo de noite. Os pertos mais lentos, e os longes bem rápidos. Sincronizam sempre com os choros e gritos. Dos amores e das dores, que a noite sempre agasalha. Adormeço nas pedras coberto de estrelas, quando me chamam. Ainda sonhando ouço tua voz bem perto sussurrar meu nome. E em deboches, risadas e com certeira facada, gritas em ecos: És um bêbado! És um tolo! Jaak Bosmans 12 -03-09"
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Ver todas"Conquista circense Entre rugidos e lonas suspensas, lá estava o circo montado. Arrastado pelos ventos contrários aos teus fugazes desejos Persegui-te em saltos mortais nas alturas dos trapézios Contorci-me a caber-me inteiro em teu irrevelável interior Pouca luz, rufar dos tambores, avisam silêncio e suspense Lâmina afiada separou-te em metades que se refizeram em meu inteiro Equilibrei-me com vendas e guarda sol em cordas bambas e monociclos Palhacei-me para os sorrisos ingênuos e puros na criança de todos nós. Expelido entre fumaça saí em tua direção como homem bala sem sabor Caindo sempre em redes tecidas por pescadores de sereias e sonhos Corri ainda no picadeiro de tantas agonias e pesadelos. Onde me equilibrei em cavalgadas aladas entre estrelas e satélites. Em veloz e ruidoso show, repeti sempre o mesmo trajeto Onde a vida só existe como espetáculo, no mesmo globo da morte. Conquistei-te pela mágica do desfilar dos finos lenços multicores Que lançados aos céus, se transformaram em suave e alva paz. Na apertada malha de tantos brilhos esperou-me o cume da pirâmide Onde pousei sob o olhar da tua bela e misteriosa esfinge. Fiz bailar com doçura os elefantes do teu amargo passado E como último e anunciado impossível de todo o espetáculo Enfrentei a fera indomável da tua beleza selvagem Com o requinte que me fez domar-te com carícias e sussurros. Jaak Bosmans"
"Vivo entre o silêncio que me fez partir e a parte que me fez silenciar."
"Flores da ribalta Cenário sempre quase pronto Figurino ainda em retoques Texto passado por trás das rotundas Luzes ensaiam o anoitecer da cena Num paradoxo de já ser noite Platéia sempre cheia Com lugares reservados nunca usados. Roldanas levantam paredes Como se tudo fosse mentira. No espaço de um palco Cabe o mundo, o universo. Objetos ainda faltam! Que falta poderiam fazer? Completo pode ser qualquer vazio. E no abrir da cortina os atores! Sempre fingem representar, O que na vida sempre fazem. Apenas aguardam os aplausos finais, Que na vida é apenas silêncio, Com algum choro, flores e cortejo. Jaak Bosmans 19-04-09"
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