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"Eu amo isso. Eterno vai e vem, essa coisa brusca e desenfreada, que me arrasta, depois esquece… comove! complica, arde, alivia, e sempre comove! Isso que move, orienta e desorienta. Minha caneca metade cheia, a blusa grande, os pés pequenos. Faz frio, e ninguém sabe ao certo a medida do tempo. Seu braço, meu abraço. o cheiro do shampoo, o gosto do doce e do amargo. os cds nas capas erradas, minha suave bagunça. os livros que eu nunca terminei. as folhas que eu não escrevi, as que eu fiz voar. Aviãozinho, sapinho, barquinho, chapeuzinho. eu sei. Sei mais… É mais do que ir. é estar! sentir, ser…. vida!!! deixar o vento levar, a voz ecoar, o sol rachar. a boca gelada, sangue quente, pulmões limpos, café, beijo, queijo, goiabada. eu danço pra vida. e a vida dança pra mim. vindas e idas. vai ser sempre assim."

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"as flores que eu digo. de nada tem, dos ventos que me vêem a cabeça."

"Se pudesse, se as pernas dessem pé. Se gritasse! desmiolasse! dormisse… Se tu soubesse… Da penitência que a vela reza. do terço de farinha preço do pão. metade da ironia, saudade suada. Molha camisa, um olho alegria, outro de raiva. coca-cola com vinho. Seco, rasgado. Pintado de verde o muro. Pichado de vermelho sangue. de penitência reza. de loucura preza. paciência espera. desepera! Passa lento. tempo pra quem conta dias. cadarço descalço corre, foge fogo! foge! Nem se a vela apagasse você eu soprasse. nem que endoidasse… diria: “Te Amo!” Porque te amo uai! Amém"

"ah meu coração… que nem vermelho é mais. nem branco. nem preto. bate assim… listadinho! e bate tanto…. eu tenho uma arquibancada dentro de mim. tenho um estádio, um hino. alguns refrões tolos e lindos… Tenho o Willy Gonser, o Alberto Rodrigues e até o Galvão Bueno dentro do meu coraçãozinho listradinho. Já perdi a conta dos palavrões e dos galateios que destinei-os. Ah… quando as buzinas tocam. quando os meninos gritam. quando as bandeiras sacodem… quando eu asseno e quase choro. Quando eles dizem aos prantos: “sooobe galo”. e eu sinto tanto orgulho dos que rasgaram a carteira de torcedor, e no outro dia voltaram roucos de tanto cantar o hino preto e branco… como se pedissem desculpa pela heresia. Eu me encanto, e não me canso de encatar… por toda essa gente preta e branca, que dorme na fila, que grita, e chora, e canta, e luta, e acredita!!! Já vi atleticano chorar e enxugar as lágrimas na bandeira… Já vi atleticano com as mãos juntas e os olhos fechados dizendo “ave atlético cheio de graça”… já ouvi promessa, mandinga, novena, simpatia. Só nunca vi atleticano calar. Porque esse povo tem eletricidade, raça, expressão. Tem garra! e por mais que eu faça, por mais que eu diga, ninguém nunca vai entender o bater preto e branco do meu coração. Porque eu posso até votar no Lula, virar homossexual, vegetariana, evangélica… mas não deixo meu galo, nem se ele voltar a ser um time de fundo de quintal. Porque eu tenho essa tal de “raça” que dizem por aí. Enquanto houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade… eu vou estar na lá… torcendo contra o vento."

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