"Vencido No auge de atordoadora e ávida sanha Leu tudo, desde o mais prístino mito, Por exemplo: o do boi Ápis do Egito Ao velho Niebelungen da Alemanha. Acometido de uma febre estranha Sem o escândalo fônico de um grito, Mergulhou a cabeça no Infinito, Arrancou os cabelos na montanha! Desceu depois à gleba mais bastarda, Pondo a áurea insígnia heráldica da farda A vontade do vômito plebeu... E ao vir-lhe o cuspo diário à boca fria O vencido pensava que cuspia Na célula infeliz de onde nasceu."
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Ver todas"Solilóquio de um visionário Para desvirginar o labirinto Do velho e metafísico Mistério, Comi meus olhos crus no cemitério, Numa antropofagia de faminto! A digestão desse manjar funéreo Tornado sangue transformou-me o instinto De humanas impressões visuais que eu sinto, Nas divinas visões do íncola etéreo! Vestido de hidrogênio incandescente, Vaguei um século, improficuamente, Pelas monotonias siderais... Subi talvez às máximas alturas, Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras, É necessário que inda eu suba mais!"
"Falas de amor, e eu ouço tudo e calo! O amor da Humanidade é uma mentira. É. E é por isso que na minha lira De amores fúteis poucas vezes falo."
"Hino à dor Dor, saúde dos seres que se fanam, Riqueza da alma, psíquico tesouro, Alegria das glândulas do choro De onde todas as lágrimas emanam.. És suprema! Os meus átomos se ufanam De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro De que as próprias desgraças se engalanam! Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato. Com os corpúsculos mágicos do tato Prendo a orquestra de chamas que executas... E, assim, sem convulsão que me alvorece, Minha maior ventura é estar de posse De tuas claridades absolutas!"
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