"Falas de amor, e eu ouço tudo e calo! O amor da Humanidade é uma mentira. É. E é por isso que na minha lira De amores fúteis poucas vezes falo."
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Mais de Augusto dos Anjos
Ver todas"Sofredora Cobre-lhe a fria palidez do rosto O sendal da tristeza que a desola; Chora - o orvalho do pranto lhe perola As faces maceradas de desgosto. Quando o rosário de seu pranto rola, Das brancas rosas do seu triste rosto Que rolam murchas como um sol já posto Um perfume de lágrimas se evola. Tenta às vezes, porém, nervosa e louca Esquecer por momento a mágoa intensa Arrancando um sorriso à flor da boca. Mas volta logo um negro desconforto, Bela na Dor, sublime na Descrença. Como Jesus a soluçar no Horto!"
"A Fome e o Amor A um monstro Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta, Receando outras mandíbulas a esbangem, Os dentes antropófagos que rangem, Antes da refeição sanguinolenta! Amor! E a satiríasis sedenta, Rugindo, enquanto as almas se confrangem, Todas as danações sexuais que abrangem A apolínica besta famulenta! Ambos assim, tragando a ambiência vasta, No desembestamento que os arrasta, Superexcitadíssimos, os dois Representam, no ardor dos seus assomos A alegoria do que outrora fomos E a imagem bronca do que inda hoje sois!"
"Solitário Como um fantasma que se refugia Na solidão da natureza morta, Por trás dos ermos túmulos, um dia, Eu fui refugiar-me à tua porta! Fazia frio e o frio que fazia Não era esse que a carne nos contorta... Cortava assim como em carniçaria O aço das facas incisivas corta! Mas tu não vieste ver minha Desgraça! E eu saí, como quem tudo repele, – Velho caixão a carregar destroços – Levando apenas na tumba carcaça O pergaminho singular da pele E o chocalho fatídico dos ossos!"
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