"Apesar de cada palavra linda, cada detalhe seu olhar que mais parece um oceano... Doía em mim. Mais do que todos os amores que tive. Você dói em mim. Dói porque as verdades, como as rosas, tem espinhos. E cada vez que você diz que me ama, com esses olhos marejados, dói. Sabia? Embora, eu não saber mais viver sem essa dor... Assim que se ama? Assim que se reconhece o amor da sua vida?"
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Ver todas"E eu estou aqui sob efeito do remédio, lutando contra o sono – já que dormi a tarde inteira e continuo com sono -, e lembrando de mim há meses atrás. Na verdade, estou sentindo uma saudade insuportável da peça que faltava no meu quebra cabeças, da metade da minha laranja, da cutícula da minha unha, dessa minha metade toda amor que me fez a pessoa mais feliz do mundo. Eu me lembrei de mim, lembrei das minhas filosofias – aquelas que eu criava sobre tudo e qualquer coisa que pudesse fazer o ser humano sentir qualquer coisa -, lembrei das muitas vezes que achei que amar era só conseguir ver, e desamar era só não ver mais. Lembrei de como sempre foi fácil pra mim largar tudo e seguir outro rumo, jogar tudo pro alto sem me importar se iria voltar ou não. Simplesmente virar as costas e esquecer de tudo. Deixar tudo guardado num baú que eu abriria num dia chuvoso, onde eu não teria nada pra fazer além de rever umas fotografias e reler algumas cartas, tomando um chocolate quente debaixo de um edredon qualquer. Eu sempre fui de esquecer das pessoas com tanta facilidade. Não que eu não amava, que eu não me importava, mas eu sinto que fui treinada – mesmo que inconscientemente – a descer do trem e deixar que as pessoas que eu amo continuem nele. Fui treinada a descer do trem sem olhar pra trás, parar na estação, observar o trem ir embora e não sentir dor. Eu sempre soube que passaria outro trem, e eu conheceria outros que me fariam felizes, de maneiras diferentes, mas me fariam. E depois, quando o vazio da saudade batia, eu olhava o céu, suspirava, colocava o vazio no bolso e ia ouvir uma sinfonia, assistir um filme ou ler um bom livro. E seguia. Sempre segui. Sempre segui achando que jamais encontraria um olhar que me faria ficar no trem, que faria todos os meus caminhos me encaminharem pra um único lugar. Sempre segui achando que jamais seria pouco dizer que amo, que quero, que preciso, que desejo. Segui jamais imaginando que seria tão pouco qualquer palavra perto do que eu fosse sentir. Você foi lindo comigo. Lindo, mesmo distante e tão perto. Me estudou e sabia exatamente que qualquer surto que eu pudesse ter era um sinal de que eu estava reagindo, de que eu estava me aproximando de tudo de novo. Aquelas inúmeras vezes que você me olhou quase sorrindo, me curaram e me fizeram sonhar que um dia nosso encontro iria acontecer inteiro. E eu deixei de buscar em filmes, músicas, livros e bonsais aquele certo tipo de consolo que eu jamais encontrei. E eu voltei a ter o gosto doce de menina romântica, e aquele gosto ácido de mulher moderna. Fazia tempo que eu não parava pra escrever qualquer coisa, ouvindo uma boa música. Estou pensando em você. Eu penso, repenso e trepenso em você. E eu apenas fecho os olhos, e te sinto mais perto. Bem perto. Cheirando o meu cabelo e sussurrando que me ama, e que eu tô linda mesmo com os olhos inchados e com o nariz vermelho depois de tanto chorar de saudade."
"Eu não sabia o que dizer quando cheguei lá em cima. O vento estava bagunçando meu cabelo, mas pela primeira vez eu não me irritei. Senti um alívio imenso, como se ali fosse um refúgio. Eu estava a salvo. O sol estava indo embora e eu conseguia ver ele ali, sumindo por detrás da montanha, me fazendo lembrar de bons momentos que eu vivi e que por culpa de toda a confusão eu não conseguia lembrar. O silêncio que perdurou alguns minutos me fez tão bem. Até mesmo o cheiro do perfume misturado com o cheiro das folhas das árvores. Eu não conseguia sentir medo, mesmo estando num lugar tão alto, sem nenhum equipamento de segurança, Não tinha como eu sentir medo. Eu confiaria mesmo se o prédio fosse de quarenta andares. Eu me senti tão bem, como há MUITO tempo não me sentia. Eu não me importei mais com quem estava distante, com quem estava me machucando. Eu me sentia segura ali, e quando olhava pra baixo ria por ser tão boba em ter medo de altura. Eu não queria que aquilo acabasse. Pela primeira vez, em duas semanas, eu estava conseguindo respirar fundo, sentir o ar entrando. E foi tão bom ouvir aquele 'agora você pode respirar, May...' E eu não pude evitar a onda de choro. Eu estava me segurando há muito tempo. Havia espinhos na minha garganta, e eles tinham que sair. Aquele choro contido estava me sufocando. O ombro emprestado foi muito útil, e as palavras me encantaram, como sempre. E mesmo depois de ouvir tudo aquilo, eu não consegui me sentir confusa, porque estava claro que por nunca podermos nos ter, é que nos teríamos para sempre. E, hoje, mesmo depois de tudo o que aconteceu e que me tirou o sono, eu fiquei bem. O pôr-do-sol foi semelhante àquele, eu não estava num lugar tão alto, sentada numa madeira pequena, onde mal cabíamos, eu estava na varanda, sentindo o vento bagunçando meu cabelo - e dessa vez isso me irritava - mas eu me senti bem, como antes. Eu não te tinha ali pra me falar besteiras e me fazer sorrir cantando música de bêbado ou fingindo estar fora do tom, mas eu estava bem. Me senti inteira novamente. E isso me fez tão bem. Eu podia estar tão cansada agora, depois de fazer cinco bolos, rir um monte, ajudar na nova decoração da cantina, e comer o dia todo. Mas não. Estou disposta como naqueles dias em que eu vivia assim. É tão bom saber que em algum lugar aqui dentro ainda permanece aquela essência. Permanece aquela substância que, misturada com uma gotinha de felicidade, me faz quicar de alegria pelos cantos da casa, cantar sozinha e fazer bolos. Eu não sei ainda o que quero, o que decidi. Algumas coisas já estão encaminhadas. GRAÇASADEUS. Mas, sinceramente, não quero saber. Eu não quero que isso saia aqui de dentro, e só em pensar em voltar a ser como tudo era há dois dias atrás me dá vontade de chorar. Eu comecei a entender. Só agora. Eu não posso esperar que alguém retribua o que eu fiz com atitudes semelhantes. Não posso. Eu aprendi a amar a minha companhia; não posso dizer que não preciso, mas eu não dependo disso pra ser feliz. Não dependo da amizade, do apoio, das conversas. Uma hora as pessoas vão, encontram os motivos dela e vão, simplesmente. E eu não posso julgá-las por isso. Nunca. Elas também serão felizes, como eu sempre disse. Assim como eu também serei. Elas precisam ir, uma hora ou outra. E elas sempre estiveram cientes disso, apesar de todo o drama e filosofias que sempre chegam àquele ponto de que todo mundo parte, uma hora, e é preciso aceitar isso. Eu deixei tanta gente quando vim pra cá, cada mudança minha foi carregada de dor e uma saudade quase insuportável. Mas eu superei. E não vai ser agora que não vou superar. Mesmo que eu não vá e que eu fique mais um pouco, pelo menos, até a vida amanhecer, de novo. Eu sei que haverá essa despedida, mesmo perto, e que não seremos mais tão próximos. Quem sabe você tenha razão, quem sabe eu esteja fugindo dessa provável distância, mesmo morando a uns quilômetros de distância de você. E, se for isso mesmo, não me envergonho, Ter medo de perder alguém não é vergonha. Ainda mais quando esse 'perder' fora para sempre. Nem sempre eu tive oportunidade de me despedir, e uma das maiores saudades que sinto foi de uma pessoa que partiu, sem nem me avisar. E... Eu superei, não foi? Saudade... Foi isso que eu sempre temi, e foi isso que sempre me acompanhou. Eu fui 'crescendo', vivendo e... Sempre sentindo saudades. Saudade de um cheiro, de um gosto, de um abraço, de um lugar. O amado ia mas o amor permanecia e aquele sentimento ficou ali, alojado, agarrado àlguma planta que eu nem lembro quando plantei. Eu lembrei de tanta coisa hoje a tarde. Dos pactos inplícitos que foram rompidos, sem sequer uma explicação. Principalmente, dos pactos. Eu sempre fui tão sincera e sempre tão entregue às promessas que eu fazia/faço. E ter esses pactos rompidos doeu demais. Ainda dói. Eu tenho saudades, e não sou eu a culpada delas. Ultimamente, meu grau de sanidade tem estado muito a baixo de zero. Consigo imaginar novas situações, expressões. A saudade chega a ser tanta que sinto o cheiro, ouço a voz aveludada, revivo aquela noite tão inesquecível. Hoje, eu consigo pensar sem sentir o pesar da perda, da despedida, da ausência. Eu sinto como algo que vivi e que está tão distante, como em outra época, mas que me fez tão feliz como nunca fui. Ah...! Fazia tempo que eu não escrevia assim... Fazia tempo que eu não soltava os dedos sobre o teclado e deixasse sair o que quisesse. Eu estava me manipulando, não me permitindo. Um dos motivos para eu me sentir sufocada. Deixei os dedos rolarem, de novo... Nem lembro mais como comecei a escrever esse texto... Ah! estava falando sobre...O lindo pôr-do-sol que vi. Foi maravilhoso... Eu vou levar pra sempre. Sabe aquelas histórias de livro? - porque nem sempre o cinema reproduz aquela emoção com tanta perfeição - foi assim que me senti. Personagem de um livro cheio de emoção e encanto. Eu nunca imaginei estar sob aquela hélice gigante, sentada ali, com aquela mão firme na minha cintura pra não me deixar cair. Sem me irritar com aquele vento que teimava em bagunçar o meu cabelo - depois até fez um belo penteado, né? Eu renasci. Me senti viva, de novo. E vi como tudo pode ser mais bonito. É só eu me esforçar um tico. Todo esse lero-lero é pra agradecer. Eu realmente me surpreendi por ver algumas pessoas ausentes, fingindo que não entendem e me acusando sempre que podem. Não esperava isso. Mas a gente nunca espera ser machucado. A ferida logo seca e depois só fica a cicatriz, pra você lembrar que um dia deu permissão o suficiente para que alguém entrasse na sua vida e tivesse a liberdade de te conhecer um pouco mais do que a moça da padaria (que te atende todos os dias quando você vai comprar 8 pães de trigo e cinco pães doce), e pudesse usar alguma coisa contra você. Eu permiti e... Uma hora ou outra isso poderia acontecer. Tudo segue, não é? O mundo não pára de girar. E, a propósito, sabia que a Terra gira em torno do sol a 80km/s? Por segundo! Eu quase desmaiei quando me disseram isso, se não fosse pela gravidade, o que seria dos meus cabelos? Buenas... Voltando, obrigada. Quem eu nem imaginava que estaria ao meu lado por esses dias, mesmo ausente, esteve. Se fez presente por uma mensagem, uma ligação, uma ajudinha, um e-mail, um olhar. Realmente é bom ter vocês. Eu consegui ter bons momentos no meio de toda essa guerra, dessa confusão constante que teimava em me pegar de surpresa. Eu sempre disse que minha vida começaria de verdade quando esse problemas passassem, quando eu me formasse, quando eu casasse, quando eu fosse um pouco mais independente e tivesse as minhas coisas. Na verdade, eu não tinha percebido que esse obstáculos são exatamente parte da minha vida, é o que a faz interessante, o que a deixa com um ar de mistério e me faz viver cada hora na expectativa de um momento melhor, de uma surpresa. A felicidade está numa caixa de bombons, deveras? Crianças ganham caixas de bombons, adultos também."
"Você saiu e deixou um pote de iogurte com pedaços de pêssegos pra mim. Saiu deixando a imagem do seu rosto me dizendo que esses dias que te levam pra longe de mim e trazem de vez em quando vão acabar logo, e fez nascer em mim a esperança com um verde tão vivo como nos primeiros meses. Desse jeito você não me deixa pensar em outra coisa a não ser em você, em como te agradar, te encher de mimos, tolerar suas manias e controlar as minhas. Nós somos capazes de mandar sms no mesmo instante, ler o mesmo texto na Bíblia, ter a mesma revelação, ler o mesmo poema, comer a mesma comida, ver o mesmo filme, ouvir a mesma música, ainda que distantes. Por você eu preparo o café enquanto apronto o almoço só pra você ter o prazer de tomar seu café-pós-refeição. Eu sei, parece besteira, mas eu não faria isso por ninguém - você sabe. Você saiu e junto com o pote de iogurte deixou uma chuva que refrescou a minha tarde e a minha nuca. Prendi o cabelo e fui pro quintal ver a chuva cair. Sabe aquele calor de amor que você sempre traz quando vai chegando perto de mim ou me olha de longe? A chuva me refrescou. E no instante em que fechei os olhos, vi você com seus olhos pequenos e furinhos na bochecha sorrindo pra mim e dizendo pela milésima vez que me ama e que não fico feia com o cabelo preso. Qualquer um pode dizer que não nos entende, mas o que me interessa é o gesto, as palavras e a sua atitude de amor em tudo o que se refere a mim. Eu nunca me senti assim. Nunca ninguém fez nem disse nada disso a meu respeito. Você me trouxe uma vida que eu ainda não conhecia. Um Cristo que eu ainda não conhecia. Você me trouxe muito mais que amor, você me trouxe de volta - ou só me trouxe, porque tenho a impressão de que nunca estive aqui realmente. Me trouxe risos e gargalhadas que parecem que nunca vão terminar. Me mostrou que esse meu jeito estranho não é problema pra você, que você não se importa com os dias que resolvo passar de pijama nem com os dias que só falto colocar um salto alto pra arrumar a casa. Minha mania por cosméticos nunca te pareceu problema algum - obrigada por não espirrar quando está perto de mim. Eu sei que às vezes exagero no hidratante. Essa chuva me trouxe uma espécia de filme de todas as suas caras e manias e momentos que me agradou mais que qualquer outra pessoa conseguiria. Nenhuma outra pessoa consegue me fazer sentir o que só você, meu amor, consegue, porque somos tão amigos e tão namorados que já não sei dizer de quem preciso mais. Eu preciso de você inteiro, como você é. Sabe essa coisa de estarmos tão juntos que somos capazes de sentir o que o outro sente? Então... É disso que eu preciso pro resto da vida. Porque desse jeito eu me sinto segura, você sempre sabe como estou. Eu quero ser pra você tudo o que mais te agrada, te faz bem, te faz feliz. Uma vontade de rir, um banho de cachoeira, a vontade de chorar num final de filme. Você me lembra o tempo inteiro que eu preciso ser feliz. Que eu preciso ser feliz com você."
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