"A Abelha A abelha que, voando, freme sobre A colorida flor, e pousa, quase Sem diferença dela À vista que não olha, Não mudou desde Cecrops. Só quem vive Uma vida com ser que se conhece Envelhece, distinto Da espécie de que vive. Ela é a mesma que outra que não ela. Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! — Mortalmente compramos Ter mais vida que a vida."
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Ver todas"Sábio Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo, E ao beber nem recorda Que já bebeu na vida, Para quem tudo é novo E imarcescível sempre. Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis, Ele sabe que a vida Passa por ele e tanto Corta à flor como a ele De Átropos a tesoura. Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto, Que o seu sabor orgíaco Apague o gosto às horas, Como a uma voz chorando O passar das bacantes. E ele espera, contente quase e bebedor tranqüilo, E apenas desejando Num desejo mal tido Que a abominável onda O não molhe tão cedo."
"Prefiro Rosas Prefiro rosas, meu amor, à pátria, E antes magnólias amo Que a glória e a virtude. Logo que a vida me não canse, deixo Que a vida por mim passe Logo que eu fique o mesmo. Que importa àquele a quem já nada importa Que um perca e outro vença, Se a aurora raia sempre, Se cada ano com a primavera As folhas aparecem E com o outono cessam? E o resto, as outras coisas que os humanos Acrescentam à vida, Que me aumentam na alma? Nada, salvo o desejo de indiferença E a confiança mole Na hora fugitiva."
"Temo, Lídia Temo, Lídia, o destino. Nada é certo. Em qualquer hora pode suceder-nos O que nos tudo mude. Fora do conhecido é estranho o passo Que próprio damos. Graves numes guardam As lindas do que é uso. Não somos deuses; cegos, receemos, E a parca dada vida anteponhamos À novidade, abismo."
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