"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato O amor comeu meus cartões de visita O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minha dieta O amor comeu todos os meu livros de poesia O amor comeu meu Estado, minha cidade O amor comeu minha paz, minha guerra, meu dia e minha noite Meu inverno, meu verão Comeu meu silencio, minha dor de cabeça O meu medo da morte"
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Ver todas"Tecendo a manhã Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão."
"Mesmo sem querer fala em verso Quem fala a partir da emoção"
""...E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina." (Morte e Vida Severina)"
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