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"Partidas Tão estranha essa sensação de vazio, de se sentir perdida em algum lugar no meio desse mundo todo, que agora me parece infinitamente maior e sem sentido. Tão difícil não ter mais para onde voltar, onde fugir, onde me esconder, onde me encolher. Tão angustiante saber que não terei mais o colinho que me acolhia mesmo quando eu fazia as maiores besteiras na vida. Tão ultrajante aceitar a derrota, quando tanto se lutou durante anos. Tão doloroso ter a certeza que não irei mais encontrá-lo a me esperar altas horas da noite, como se eu fosse uma adolescente inconseqüente que ainda necessitasse de mínimos cuidados e proteção. Tão ironia do destino sentir na pele o mesmo que o senhor deve ter sentido todas as vezes em que me vira partir... Quantas vezes, pai? Quantas vezes o senhor ficou com o coração tão massacrado como está o meu agora? Quantas vezes as lágrimas que corriam de seus olhos o impediram de ver a sua menininha partir para longe, sem data para voltar, ou mesmo sem saber se iria voltar? Mas eu voltei, pai... Eu voltei para sentir na pele tudo o que o senhor sentiu. Eu voltei para estar a seu lado quando Deus decidisse que fosse a sua vez de viajar! E Ele decidiu a hora. Foi com muita dor que o vi embarcar e partir, em meio a tanto sofrimento e desespero. Doeu mais ainda ser capaz de entender que seu avião não teria mais qualquer possibilidade de voltar... E a sua garotinha ficou aqui. E vai continuar aqui, à janela do aeroporto. Mas não posso prometer não crescer! Sem o senhor, talvez a vida me tire dos olhos a fragilidade da menininha que só encontrava conforto em seu abraço de pai. Somente em seu abraço, meu querido e tão amado pai."

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"- Eu também. Ele fixou-lhe o olhar. Parecia não acreditar no que acabara de ouvir. Ela dissera isso mesmo ou será que estava sonhando? Seu coração estava acelerado. Suas mãos transpiravam. Ele precisava confirmar. Mas e se ela não dissesse novamente? E se tudo aquilo realmente fosse fruto de sua imaginação? Já fazia algum tempo que esperava aquele momento... Preferiu não arriscar... Ela dissera, dissera sim. Isso que importava. Tudo bem que faltavam ali mais duas palavrinhas, mas ouvir as duas primeiras já era um bom começo. Aliás, significava que já tinham ultrapassado o tão temível começo... Como ele não reagia, ela decidiu abraçá-lo. Primeiro contornou-lhe os traços, como se quisesse decorá-los, e deu-lhe um beijo bem na ponta do nariz. Ele sorriu. Ela sorriu e o aconchegou bem próximo ao coração. Ela sabia que faltavam ali duas palavrinhas, mas sabia também que o tempo a faria terminar a frase. Era isso que importava. Ela havia recomeçado."

"Eu sou mesmo assim...Um emaranhado de incógnitas que não suporta se curvar ao domínio das dúvidas, das obrigações, do tem que ser, do deve ser! Não são essas certezas infundadas que me dão tesão em descobrir quem sou eu de verdade...E como sei que sou um vulcão em erupção, prefiro me desvendar aos poucos, lentamente, para não me ferir e não ferir ninguém...Essa é uma das únicas certezas que tenho! Talvez infundada também..."

"De volta! De volta porque preciso gritar ao mundo que tudo que eu queria sempre esteve aqui. Aqui bem pertinho de mim. Aqui, bem à minha frente, bem ao alcance das minhas mãos. De volta porque preciso confessar minha cegueira, minha ignorância, minha teimosia. De volta porque só assim consigo ser completa, compreendida, ouvida. De volta porque palavras me sufocam, me queimam, me aprisionam, mas também são elas que me alforriam, me devolvem o ar, e me curam. De volta porque não percebia que ainda estava em você. Em seus olhos, sua boca, seu corpo, seu abraço, seus sonhos, seus desejos, sua corrente sanguínea. Mas, sabe aquela história de que só quem conhece o veneno, conhece o antídoto? Por isso voltei. E voltei curada. Voltei ao cubo pelas palavras que me libertam! Curada tão somente para também levar-te à cura!"

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