"Os dias são outonos: choram...choram... Há crisântemos roxos que descoram... Há murmúrios dolentes de segredos... Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, o meu amor, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!"
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Ver todas"RUÍNAS Se é sempre Outono o rir das primaveras, Castelos, um a um, deixa-os cair... Que a vida é um constante derruir De palácios do Reino das Quimeras! E deixa sobre as ruínas crescer heras. Deixa-as beijar as pedras e florir! Que a vida é um contínuo destruir De palácios do Reino de Quimeras! Deixa tombar meus rútilos castelos! Tenho ainda mais sonhos para erguê-los Mais altos do que as águias pelo ar! Sonhos que tombam! Derrocada louca! São como os beijos duma linda boca! Sonhos!... Deixa-os tombar... deixa-os tombar..."
"A voz da Tília Diz-me a tília a cantar: “Eu sou sincera, Eu sou isto que vês: o sonho, a graça; Deu ao meu corpo, o vento, quando passa, Este ar escutultural de bayadera… E de manhã o sol é uma cratera, Uma serpente de oiro que me enlaça… Trago nas mãos as mãos da Primavera… E é para mim que em noites de desgraça Toca o vento Mozart, triste e solene, E à minha alma vibrante, posta a nu, Diz a chuva sonetos de Verlaine…” E, ao ver-me triste, a tília murmurou; “Já fui um dia poeta como tu… Ainda hás-de ser tília como eu sou…”"
"Inconstância Procurei o amor, que me mentiu. Pedi à Vida mais do que ela dava; Eterna sonhadora edificava Meu castelo de luz que me caiu! Tanto clarão nas trevas refulgiu, E tanto beijo a boca me queimava! E era o sol que os longes deslumbrava Igual a tanto sol que me fugiu! Passei a vida a amar e a esquecer... Atrás do sol dum dia outro a aquecer As brumas dos atalhos por onde ando... E este amor que assim me vai fugindo É igual a outro amor que vai surgindo, Que há-de partir também... nem eu sei quando..."
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