"Quando chegares... Não sei se voltarás sei que te espero. Chegues quando chegares, ainda estarei de pé, mesmo sem dia, mesmo que seja noite, ainda estarei de pé. A gente sempre fica acordado nessa agonia, à espera de um amor que acabou sendo fé... Chegues quando chegares, se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem, a sós; se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e perguntaremos por nós..."
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Mais de J. G. de Araújo Jorge
Ver todas"Manhã para se feliz Esta é uma manhã para ser feliz em um lugar, de algum modo, é uma manhã para ser feliz... Esta é uma manhã para dois, para dois juntos abraçados e tontos, num remoinho não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores, de tudo envergonhado porque estou sozinho... Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens, na transparência do ar, neste azul do céu, imaculado, na beleza das coisas tocadas de sonho e imaturidade... Uma manhã de festa para ser feliz de verdade! Esta é uma manhã para te Ter ao meu lado... Quando Deus fez uma manhã como esta estava com certeza apaixonado..."
"Sim, teu amor era fútil... - Que importa se me iludia? Sem ele, entretanto, sou um inútil cada vez mais, noite e dia..."
"Os versos que te dou Ouve estes versos que te dou, eu os fiz hoje que sinto o coração contente enquanto teu amor for meu somente, eu farei versos...e serei feliz... E hei de fazê-los pela vida afora, versos de sonho e de amor, e hei depois relembrar o passado de nós dois... esse passado que começa agora... Estes versos repletos de ternura são versos meus, mas que são teus, também... Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que possa perturbar vossa ventura... Quando o tempo branquear os teus cabelos hás de um dia mais tarde, revivê-los nas lembranças que a vida não desfez... E ao lê-los...com saudade em tua dor... hás de rever, chorando, o nosso amor, hás de lembrar, também, de quem os fez... Se nesse tempo eu já tiver partido e outros versos quiseres, teu pedido deixa ao lado da cruz para onde eu vou... Quando lá novamente, então tu fores, pode colher do chão todas as flores, pois são os versos de amor que ainda te dou. (Do livro "Meu Céu Interior" – 1934)"
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