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"APENAS QUERIA Queria escrever sobre a dor, mas a dor me impediu! Queria escrever sobre a solidão, mas a solidão, que me angustia, não deixou! Queria escrever sobre o fracasso, mas fracassei! Queria escrever sobre a saudade e, ao invés disso, chorei! Queria escrever sobre nós, mas descobri que não existe nós! Queria escrever sobre você, mas não o conheço! Queria escrever sobre mim, mas me perdi! Queria escrever sobre a vida, mas percebi que estou quase morta! Queria escrever sobre a morte e tive medo! Queria escrever sobre o medo, mas não tive coragem! Queria escrever sobre o amor, mas me senti tão infeliz, que decidi não escrever mais nada... Mariluci Carvalho de Souza"

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"PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER! Chega de multidão... Não quero mais confusão... Eu quero ficar na minha... Eu quero ficar sozinha... Eu já tomei a minha decisão: Vou entrar em depressão! Vou me afastar de todos e de tudo, Vou calar a minha boca e me comunicar com um grito mudo... E não me venham com esta de remédios para me acelerar, E médico algum vai me diagnosticar... Muito menos me encher de antidepressivos e vitaminas para eu melhorar... Eu não quero ficar ligada, antenada ou agitada, Quero somente poder descansar serenamente, Deixar o meu corpo fazer o que desejar, Mesmo que ele não deseje nada especificamente... Eu quero poder viver tranqüilamente... Da forma que eu, só eu, planejar... Não quero tomar banho todos os dias, E submeter-me àquelas temperaturas frias... Não quero comer a mesma hora que estou acostumada, E nem receber visitas chatas, vazias e inconvenientes... Quero ficar apenas deitada, sem saber se é noite ou se é dia... Não quero que venham me chamar para sair de casa, Com essa de que preciso me divertir... Eu quero, eu preciso, ficar sem sair... Eu quero ficar longe do consumismo desvairado... Quero ficar aqui na minha cama, simplesmente deitada... Sem fazer nada e sem nada pra fazer... É assim que, agora, eu quero viver... Estou com a minha depressão planejada A fim de não enlouquecer com tanta coisa agitada... Tanta coisa violenta e tanta coisa errada... Estou em depressão única, singular, Que tem tempo indeterminado para acabar... Podem acreditar e, sem dúvidas, confiar, Quando o mundo ficar mais calmo e humanizado, Eu subo nele de novo, e peço ao mundo para ele girar! Mariluci Carvalho de Souza"

"Noite triste... Marcamos um encontro... Uma noite de amor! A dúvida, depois a certeza, Eu tinha que ir... Tu eras céu claro acima de mim; Eras profundo, eras assim como se fosses abismo de luz, Eu não podia resistir... Ao contemplar-te estremeci de loucos desejos. Erguer-me à tua altitude; Eis para a mim a profundidade. Encobrir-me em tua masculinidade; Eis a minha inocência. Não falaste, teus olhos anunciaram a tua dor... Másculo, vieste a mim, mais velado pelo teu porte do que pelo desejo. Silêncio... Mãos frias, lábios trêmulos, revelavam um fracasso... Adivinhei todos os sentimentos secretos de tua alma. Vieste a mim, mas, tu ainda não tinhas chegado. Tristeza, medo, terror; tudo naquele instante me foi comum. As lágrimas, nessas horas, também nos são comuns. Tentei encontrar-te... Na fúria indomável de me sentir possuída; Na vontade incontida de entregar-me inteiramente aos seus carinhos, Não pude avaliar a enorme distância que nos separava. Um pequeno ruído me fez voltar a realidade... Um leito, dois seres... Uma mulher magoada, Um homem arrasado... Algumas palavras deram vida ao cenário. Estávamos abraçados, mas ambos possuíam as mãos vazias. Nem sequer tentamos justificar o ocorrido. Cansado, tu dormiste, E os segundos foram todos meus, No silêncio daquela Noite Triste... Mariluci Carvalho de Souza"

"INTROVERSÃO Saí do prumo... Perdi o meu rumo... Mergulhei na incerteza, Afoguei-me na estreiteza... Peguei a trilha totalmente errada e, Senti-me, de vez, acabada, Virei carta marcada, No jogo do vale nada... Meu barco ficou sem leme, Arrebentando-se em pedras e rochedos, E eu, impassível, assistia a tudo, Paralisada, diante dos meus próprios medos. O não me importo está tão próximo do me importo, Que não sei dizer a linha que os separam, Só sei que aquilo que tanto evitamos, É o que nós mais facilmente nos deparamos... Acertei o compasso? Soltei-me do laço? E agora, o que faço? O que não avança Também não retrocede Às vezes a apatia é tanta, Que você não sabe se ganha ou se perde Sem dúvidas, sem certeza... É assim que é a vida, Enquanto a vida é... É tão maior a tristeza, Quanto menor é a fé... A calmaria nem sempre significa paz, E a gente paga aqui o que aqui a gente faz Da escuridão veio a luz, Da claridade veio a certeza, Que o mesmo que nos seduz, Também nos leva à pobreza. Achei o prumo! Acertei o rumo! Novamente mergulhei... Só que agora me salvei! Mariluci Carvalho de Souza."

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