"...já se acostumara ao parco quinhão que lhe era destinado, e empurrava as horas, os dias e as semanas com a indiferença e o tédio com que um preso se acostuma à sua prisão. Acordar, pensar em ser realmente feliz, em chegar à janela do seu cárcere e olhar a paisagem, era quase uma violência que a fazia estremecer toda..."
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Ver todas"Ah,o que ela ignorava é que todo ato de violência, desde que seu gesto se cumpra, é um ato interior; o que ela estranhava, não era o ambiente, mas o que nela era estranho - o que se rompera no seu íntimo com aquilo que praticara, era a dose de vontade que despertara seu espírito do letargo imposto pelo hábito, a raiz viva da consciência que, boa ou má, começava a aflorar acima das contingências banais da existência."
"Aprendera a conhecer, através da sua própria experiência, esses constantes movimentos do amor, que se alternam entre a esperança de um esquecimento e a silenciosa angústia da impossibilidade, atenuando-se, reaparecendo de tempos a tempos, como a chama que se alastra e se inclina ao jugo do vento."
"Sim, bem sabia que o amor era uma fuga à realidade, que algumas vezes construímos os nossos mais belos sonhos sobre criaturas que não merecem nada."
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