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"Minhas mãos - duas chamas débeis de vela unidas no mesmo destino. Minhas mãos derretidas em cera que vai escorrendo, gota a gota, ao longo do corpo hirto da vela moribunda. Que vai escorrendo, lenta, na calmaria falsa e densa da luz delida e mortuária do meu quarto. E o livro de Anatomia, grave e inútil, aberto em frente. E todo o mundo, que me espera e desespera, nas páginas inúteis e graves do livro de Anatomia. E as horas morrendo, morrendo, como uma vela que se vai derretendo no quarto frio de um morto. Ai! minhas mãos, minhas mãos - duas chamas débeis de vela unidas no mesmo destino! - Que horas serão? A vida é uma vela de corpo hirto que se vai derretendo, derretendo, na calmaria falsa e densa de um quarto de morto."

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"Minhas mãos - duas chamas débeis de vela unidas no mesmo destino. Minhas mãos derretidas em cer..." - Fernando Namora | PENSADORES.CO