"Mors Amor Esse negro corcel, cujas passadas Escuto em sonhos, quando a sombra desce, E, passando a galope, me aparece Da noite nas fantásticas estradas, Donde vem ele? Que regiões sagradas E terríveis cruzou, que assim parece Tenebroso e sublime, e lhe estremece Não sei que horror nas crinas agitadas? Um cavaleiro de expressão potente, Formidável, mas plácido, no porte, Vestido de armadura reluzente, Cavalga a fera estranha sem temor: E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!" Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!""
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Ver todas"Na mão de Deus, na sua mão direita, Descansou afinal meu coração."
"Contemplação Sonho de olhos abertos, caminhando Não entre as formas já e as aparências, Mas vendo a face imóvel das essências, Entre ideias e espíritos pairando... Que é o Mundo ante mim? fumo ondeando, Visões sem ser, fragmentos de existências... Uma névoa de enganos e impotências Sobre vácuo insondável rastejando... E dentre a névoa e a sombra universais Só me chega um murmúrio, feito de ais... É a queixa, o profundíssimo gemido Das coisas, que procuram cegamente Na sua noite e dolorosamente Outra luz, outro fim só pressentindo..."
"Mãe Mãe - que adormente este viver dorido, E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas até o fio Do meu pobre existir, meio partido... Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido... Eu dava o meu orgulho de homem - dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava, Descuidada, feliz, dócil também, Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe!"
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