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"Mors Amor Esse negro corcel, cujas passadas Escuto em sonhos, quando a sombra desce, E, passando a galope, me aparece Da noite nas fantásticas estradas, Donde vem ele? Que regiões sagradas E terríveis cruzou, que assim parece Tenebroso e sublime, e lhe estremece Não sei que horror nas crinas agitadas? Um cavaleiro de expressão potente, Formidável, mas plácido, no porte, Vestido de armadura reluzente, Cavalga a fera estranha sem temor: E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!" Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!""

"Mãe Mãe - que adormente este viver dorido, E me vele esta noite de tal frio, E com as mãos piedosas até o fio Do meu pobre existir, meio partido... Que me leve consigo, adormecido, Ao passar pelo sítio mais sombrio... Me banhe e lave a alma lá no rio Da clara luz do seu olhar querido... Eu dava o meu orgulho de homem - dava Minha estéril ciência, sem receio, E em débil criancinha me tornava, Descuidada, feliz, dócil também, Se eu pudesse dormir sobre o teu seio, Se tu fosses, querida, a minha mãe!"

"Meus dias vão correndo vagarosos, Sem prazer e sem dor parece Que o foco interior já desfalece E vacila com raios duvidosos. É bela a vida e os anos são formosos, E nunca ao peito amante o amor falece... Mas, se a beleza aqui nos aparece, Logo outra lembra de mais puros gozos. A outros céus aspira: Se um momento a prendeu mortal beleza, É pela eterna pátria que suspira... Porém, do pressentir dá-ma a certeza, Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira, Eu sempre bendirei esta tristeza!"

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