"Poeminha Sentimental O meu amor, o meu amor, Maria É como um fio telegráfico da estrada Aonde vêm pousar as andorinhas De vez em quando chega uma E canta (Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!) Canta e vai-se embora Outra, nem isso, Mal chega, vai-se embora. A última que passou Limitou-se a fazer cocô No meu pobre fio de vida! No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo: As andorinhas é que mudam."
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Ver todas"A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos..."
"Tão bom viver dia-a-dia...A vida, assim, jamais cansa."
"Ah, sim, a velha poesia... Poesia, a minha velha amiga... eu entrego-lhe tudo a que os outros não dão importância nenhuma... a saber: o silêncio dos velhos corredores uma esquina uma lua (porque há muitas, muitas luas...) o primeiro olhar daquela primeira namorada que ainda ilumina, ó alma, como uma tênue luz de lamparina, a tua câmara de horrores. E os grilos? Não estão ouvindo lá fora, os grilos? Sim, os grilos... Os grilos são os poetas mortos. Entrego-lhes grilos aos milhões um lápis verde um retrato amarelecido um velho ovo de costura os teus pecados as reivindicações as explicações - menos o dar de ombros e os risos contidos mas todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte as explosões de cólera o ranger de dentes as alegrias agudas até o grito a dança dos ossos... Pois bem, às vezes de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que parece que nada tem a ver com os ingredientes mas que tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse gosto de nunca e de sempre."
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