Voltar para o início

"Ah, sim, a velha poesia... Poesia, a minha velha amiga... eu entrego-lhe tudo a que os outros não dão importância nenhuma... a saber: o silêncio dos velhos corredores uma esquina uma lua (porque há muitas, muitas luas...) o primeiro olhar daquela primeira namorada que ainda ilumina, ó alma, como uma tênue luz de lamparina, a tua câmara de horrores. E os grilos? Não estão ouvindo lá fora, os grilos? Sim, os grilos... Os grilos são os poetas mortos. Entrego-lhes grilos aos milhões um lápis verde um retrato amarelecido um velho ovo de costura os teus pecados as reivindicações as explicações - menos o dar de ombros e os risos contidos mas todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte as explosões de cólera o ranger de dentes as alegrias agudas até o grito a dança dos ossos... Pois bem, às vezes de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que parece que nada tem a ver com os ingredientes mas que tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse gosto de nunca e de sempre."

Compartilhar agora

Temas Relacionados

Mais de Mario Quintana

Ver todas

Autores Populares

Em busca de mais sabedoria?