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"Quando Anoitece Quando anoitece contorno no meu rosto o perfil do dia que passou e tudo o que não sou me contradiz. Quando anoitece atravesso um labirinto caiado de paixão, pretexto circular da minha fé. Quando anoitece faço emergir do abismo um instinto quase secreto e fujo da noite, em vertiginosa simetria com o vento, como se fosse um equívoco esperar a madrugada com a mesma lentidão de um acto íntimo. Contra um muro branco esta lonjura gémea do vento. Uma casa ou um regaço alternando a desordem de corpos molhados numa dicotomia simulada quando o prazer é o reflexo nítido de um coágulo de azul queimado sobre madrepérolas. São corais que no fundo da água não quebram as vagas silvestres. Nasci agora enquanto uma andorinha baloiçava no espelho atravessado de pólen. Sou, sílaba por sílaba, o luto ou a negação de desumanos deuses. Quando anoitece ... Graça Pires"

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