"Xeque-Mate A meia luz e a fumaça do cigarro deixavam à mostra apenas o contorno de seu rosto bonito. Do outro lado, alguém tentava decifrá-la, com o olhar fixo, insistente. Estava há poucos metros de suas pernas despudoramente cruzadas em um mini-vestido escolhido a dedo para aquela noite. Embora fingisse indiferença, ela sabia que cada gesto seu era analisado por ele. O movimento do corpo, o toque aos cabelos, a carícia à borda da taça, o jogo insinuante de cruzar e descruzar as pernas, o cigarro aceso, a fumaça que lhe saía da boca, o olhar malicioso... Ele apenas a olhava, extasiado, deslumbrado. Vez ou outra tomava ares de que se aproximaria, mas ela o mantinha inerte com um olhar insensível e, ao mesmo tempo, desafiador. Era excitante torturá-lo com aquele jogo de esconde-esconde. De repente, em questão de segundos, ela não estava mais ali. Desaparecera. Ele ainda a procurava quando sentiu o gosto gelado da bebida de uma boca quente a devorar-lhe os lábios, a língua, o corpo, a alma, a vida, a calma. - E se eu me apaixonar? Ela nada respondeu. Apenas continuou a consumi-lo, parte a parte, em carinhos, carícias, toques, beijos, gemidos, êxtase. Seria inútil explicar-lhe que ela somente aprendera a procurar. Que ela trazia na alma a eterna insatisfação de quem não sabia encontrar. Seria inútil dizer-lhe para não se apaixonar..."
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Ver todas"Não me culpe se meu corpo tem vontade própria, se meu desejo desconhece o “dever ser” ou “deveria ser”! O desejo não tem regras. O corpo não tem regras. O amor não tem regras. A vida não tem regras. O que eu tiro disso tudo? Que não há nada mais urgente que viver! E, sinceramente, eu tenho pressa!"
"E depois de tantas dúvidas, tantas idas e vindas, tantas reviravoltas, ela não poderia começar o ano novo sem a presença de quem lhe ocupara o coração há algum tempo atrás. Sem o corpo daquele que tomou todos os seus espaços vazios, espaço que ela pensara ser não mais possível preencher, que ela pensara estar ainda travado, trancado, inacessível. Espaço que ele, sem cerimônia, invadiu, sem sequer obedecer a qualquer uma das regras que o amor realmente é incapaz de respeitar! E foi assim seu primeiro dia do ano! Sem tempo para as regras, sem tempo para as convenções! Foi ali, à luz da lua, que sem qualquer arrependimento, não fora apreciada! Afinal, ela tinha ali, na primeira noite do ano, o homem que deixara para trás todos os outros! E também a lua! Ali, assim, nua, na rua, à luz da lua! Completamente nua..."
"Por amor... Pensando bem, não existe amor que supera tudo. O que há são pessoas que se sujeitam a tudo por ausência de amor. Amor próprio."
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