"A pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo."
Temas Relacionados
Mais de Olavo Bilac
Ver todas"Tercetos Noite ainda, quando ela me pedia Entre dois beijos que me fosse embora, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia: "Espera ao menos que desponte a aurora! Tua alcova é cheirosa como um ninho... E olha que escuridão há lá por fora! Como queres que eu vá, triste e sozinho, Casando a treva e o frio de meu peito Ao frio e à treva que há pelo caminho?! Ouves? é o vento! é um temporal desfeito! Não me arrojes à chuva e à tempestade! Não me exiles do vale do teu leito! Morrerei de aflição e de saudade... Espera! até que o dia resplandeça, Aquece-me com a tua mocidade! Sobre o teu colo deixa-me a cabeça Repousar, como há pouco repousava... Espera um pouco! deixa que amanheça!" E ela abria-me os braços. E eu ficava."
"A Avenida das Lágrimas A um Poeta morto. Quando a primeira vez a harmonia secreta De uma lira acordou, gemendo, a terra inteira, - Dentro do coração do primeiro poeta Desabrochou a flor da lágrima primeira. E o poeta sentiu os olhos rasos de água; Subiu-lhe â boca, ansioso, o primeiro queixume: Tinha nascido a flor da Paixão e da Mágoa, Que possui, como a rosa, espinhos e perfume. E na terra, por onde o sonhador passava, Ia a roxa corola espalhando as sementes: De modo que, a brilhar, pelo solo ficava Uma vegetação de lágrimas ardentes. Foi assim que se fez a Via Dolorosa, A avenida ensombrada e triste da Saudade, Onde se arrasta, à noite, a procissão chorosa Dos órfãos do carinho e da felicidade. Recalcando no peito os gritos e os soluços, Tu conheceste bem essa longa avenida, - Tu que, chorando em vão, te esfalfaste, de bruços, Para, infeliz, galgar o Calvário da Vida. Teu pé também deixou um sinal neste solo; Também por este solo arrastaste o teu manto... E, ó Musa, a harpa infeliz que sustinhas ao colo, Passou para outras mãos, molhou-se de outro pranto. Mas tua alma ficou, livre da desventura, Docemente sonhando, as delícias da lua: Entre as flores, agora, uma outra flor fulgura, Guardando na corola uma lembrança tua... O aroma dessa flor, que o teu martírio encerra, Se imortalizará, pelas almas disperso: - Porque purificou a torpeza da terra Quem deixou sobre a terra uma lágrima e um verso."
"Respostas na Sombra "Sofro... Vejo envasado em desespero e lama Todo o antigo fulgor, que tive na alma boa; Abandona-me a glória; a ambição me atraiçoa; Que fazer, para ser como os felizes?" - Ama! "Amei... Mas tive a cruz, os cravos, a coroa De espinhos, e o desdém que humilha, e o dó que infama; Calcinou-me a irrisão na destruidora chama; Padeço! Que fazer, para ser bom?" - Perdoa! "Perdoei... Mas outra vez, sobre o perdão e a prece, Tive o opróbrio; e outra vez, sobre a piedade, a injúria; Desvairo! Que fazer, para o consolo?" - Esquece! "Mas lembro... Em sangue e fel, o coração me escorre: Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria... Odeio! Que fazer, para a vingança?" - Morre!"
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?



