"Tercetos Noite ainda, quando ela me pedia Entre dois beijos que me fosse embora, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia: "Espera ao menos que desponte a aurora! Tua alcova é cheirosa como um ninho... E olha que escuridão há lá por fora! Como queres que eu vá, triste e sozinho, Casando a treva e o frio de meu peito Ao frio e à treva que há pelo caminho?! Ouves? é o vento! é um temporal desfeito! Não me arrojes à chuva e à tempestade! Não me exiles do vale do teu leito! Morrerei de aflição e de saudade... Espera! até que o dia resplandeça, Aquece-me com a tua mocidade! Sobre o teu colo deixa-me a cabeça Repousar, como há pouco repousava... Espera um pouco! deixa que amanheça!" E ela abria-me os braços. E eu ficava."
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Ver todas"Eu vos direi Amei para entendê-las Pois só quem ama pode ter ouvidos Capaz de ouvir e entender as estrelas."
"Respostas na Sombra "Sofro... Vejo envasado em desespero e lama Todo o antigo fulgor, que tive na alma boa; Abandona-me a glória; a ambição me atraiçoa; Que fazer, para ser como os felizes?" - Ama! "Amei... Mas tive a cruz, os cravos, a coroa De espinhos, e o desdém que humilha, e o dó que infama; Calcinou-me a irrisão na destruidora chama; Padeço! Que fazer, para ser bom?" - Perdoa! "Perdoei... Mas outra vez, sobre o perdão e a prece, Tive o opróbrio; e outra vez, sobre a piedade, a injúria; Desvairo! Que fazer, para o consolo?" - Esquece! "Mas lembro... Em sangue e fel, o coração me escorre: Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria... Odeio! Que fazer, para a vingança?" - Morre!"
"Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava, O que a boca não diz, o que a mão não escreve? — Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve, Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava... O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava; A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve... E a Palavra pesada abafa a Idéia leve, Que, perfume e clarão, refulgia e voava. Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor que morrem na garganta?"
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