"Solidão Acordei hoje com o gosto salgado e amargo da tristeza na boca Tinha nos olhos inchados, resquícios da tristeza da noite anterior Dificil olhar para trás achando que deixou pegadas cravadas no chão Pra que te achassem, que te seguissem... Para saber que passou por ali. Foi triste, vi que logo atrás, (acho mesmo que era dentro de mim) um vento gelado tocava minha pele e sacudia meus cabelos Percebi então, uma chuva fina molhando minha pele, encharcando meus cabelos, meu corpo...Senti tanto frio! Mas foi bom... Pelo menos assim, ninguem percebeu que dos meus olhos também chovia..."
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Ver todas"Humana Idade Hoje minha certidão de nascimento avisa: 50 anos. Sinto meu coração gelado, o sangue não percorre mais meu corpo, as narinas só percebem um cheiro: o do bolor! Penso sobre tudo, sobre o que restou de humanidade, humanitário, humano...serão apenas palavras em um dicionário? Cadê meu irmão de coração caridoso, de sangue pulsante e crédulo na humanidade, para me resgatar? Quantas Madalenas estarão espalhadas entre nós? Quantas pedras atiramos? Palavras que abrem as chagas com o desprezo e desdém. Como toda frieza arrogante, sequer percebemos que há muito estamos sós! Eis que aqui estou, coração frio, cheirando à mofo, sentindo apenas o que restou aos homens: a solidão!"
"Servidão Numa época de senhores e escravos, certa feita, um causo se sucedeu. Um dos escravos, o mais velho e obediente que já houvera por aquelas bandas, teve seu único filho envolvido numa pendenga. A sinhazinha, moça de poucos atributos e coração de pedra, vira o menino comendo uma fruta. Coisa boba, pedaço de sobra da refeição anterior, mais que ele tivera a ousadia de pegar. Antes os porcos do que os serviçais da casa. Caso passado ao sinhozinho, o menino fora chamado a responsabilidade: iria pagar com seu lombo franzino e a carne magra, os desaforos do arroubo. Assim fora marcado: o menino ia apanhar do capataz da fazenda no alvorecer do dia, para que diante de toda a negrada ficasse bem claro: só poderiam comer do angú que lhes fossem servidos. O pai do negrinho, vendo que o capataz não ia tremer a mão na hora do castigo, tomou de força e pediu: - Sinhô, sei que meu filho errou, sei que vosmecê tem filho também, e coisa que aprendi morando aqui como vosso servo, é que pai educa filho. Deixa eu educar o meu também. Permita que eu dê a coça, mode ele aprende a não pegar nada que não seja dado. E assim foi. O pai bateu até que o sinhô desse a ordem de parar, que foi quando o menino desmaiou. Menino franzino, 10 ou 12 anos, tanto fazia. Se fosse pela mão do capataz, duas e teria tombado morto. Na madrugada, Quando o choro miúdo do menino se fazia grande na senzala, ouviu-se um sussurro: pai, por quê você me bateu? Bem sabe que eu só tinha fome, e as sobras iam para os porcos... O pai entre lágrimas respondeu: bati porque eu sabia onde podia bater sem te matar. Cada chicotada que dei, tua pele eu parti, mas meu coração eu sangrei!"
"Mentiras Faça de conta que por mim, nunca sofreu. Que por me deixar sem adeus, não se arrependeu. Faça de conta ainda, que a ferida aberta, já curou. Que a lágrima escorrida, já secou. Minta quando disser, é claro! Quando disser que na sua vida, não há breu. Que de amor nesta vida, nunca ninguém morreu. E que nesse caso de amor, a única que sofre... sou eu!"
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