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"O VELHO E A FLOR Por céus e mares eu andei, Vi um poeta e vi um rei Na esperança de saber O que é o amor. Ninguém sabia me dizer, Eu já queria até morrer Quando um velhinho Com uma flor assim falou: O amor é o carinho, É o espinho que não se vê em cada flor. É a vida quando Chega sangrando aberta em pétalas de amor."

"Sei lá... a vida tem sempre razão Tem dias que eu fico Pensando na vida E sinceramente Não vejo saída Como é, por exemplo Que dá pra entender A gente mal nasce Começa a morrer Depois da chegada Vem sempre a partida Porque não há nada Sem separação Sei lá, sei lá A vida é uma grande ilusão Sei lá, Sei lá A vida tem sempre razão A gente nem sabe Que males se apronta Fazendo de conta Fingindo esquecer Que nada renasce Antes que se acabe E o sol que desponta Tem que anoitecer De nada adianta Ficar-se de fora A hora do sim É um descuido do não Sei lá, sei lá Só sei que é preciso paixão Sei lá, sei lá A vida tem sempre razão"

"A uma mulher Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias E a angústia do regresso morava já nos teus olhos. Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne Quis beijar-te num vago carinho agradecido. Mas quando meus lábios tocaram teus lábios Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo E que era preciso fugir para não perder o único instante Em que foste realmente a ausência de sofrimento Em que realmente foste a serenidade. Rio de Janeiro, 1933"

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