"Sabe... Eu sempre fui meio doida, meio pra lá e pra cá, cheia das manias e sentimentos. Quando as pessoas descobriam que eu sirvo a Jesus elas ficavam espantadas... Não porque eu não dava testemunho, mas porque sempre fui muito alegre, sempre demonstrei meus sentimentos intensamente e sabia exatamente como chegar em cada tipo de pessoa com quem eu convivia. E nessa época de escola eu tive muitos amigos, conhecidos e companheiros de altar - aquelas pessoas que tocam com você, cantam com você e trabalham na igreja com você. Eu sei, não é de costume meu vir e escrever aqui no blog tão abertamente, falando das coisas que vivi e estou vivendo - sempre fiz isso de uma maneira meio escondida, sem que ninguém percebesse qual é o meu sagrado, pra ninguém tocar nele. Mas é que hoje eu acordei triste - na verdade, acordei ouvindo a voz do meu amor e isso sempre me deixa bem - , mas aquele tristeza insistia em não sair daqui de dentro, e eu orei, e Deus me fez lembrar de muitas coisas e pessoas. Durante toda a nossa vida conhecemos pessoas e coisas, pessoas que ficam um pouco no trem da nossa vida pra nos ensinar alguma coisa, nos entregar alguma coisa e depois, três ou quatro estações dali, já descem e seguem outros rumos. Precisamos nos adaptar e readaptar a essas mudanças constantemente, porque é assim que segue a vida, nessas idas e vindas precisamos encontrar esquinas para sermos felizes tomando outros rumos, conhecendo outras pessoas, e deixar na lembrança aqueles que nos trouxeram um sorriso nos lábios ou uma lágrima nos olhos. E numa dessas viagens - apesar de muito ter ouvido falar - eu conheci uma pessoa incrível, uma pessoa que finalmente faria toda a viagem da minha vida e jamais desceria na próxima estação. Porque, chegou um ponto que eu cansei das despedidas... E Ele chegou tão gentil, me pegou no colo e disse que jamais me deixaria. E desde aquele momento, pra ser mais exata, uma madrugada de um inverno, prostrada no chão do meu quarto, com uma Bíblia aberta ao lado, e a janela entreaberta, uma brisa fria entrando no quarto e secando as lágrimas que escorriam no meu rosto. Eu tinha 16 anos, e nesse dia eu conheci o grande amor da minha vida. Aquele que jamais me deixaria, que jamais morreria - porque Ele já morreu uma vez e ressuscitou. E nessa mesma época eu tinha amigos 'da igreja', amigos em quem eu me inspirava sempre a compor e buscar em Deus a alegria de viver - essa alegria que muitos não sentem e tentam encontrar em muitas coisas erradas por aí. Mas eu não estou aqui pra falar o que é certo ou errado. Eu quero entender muitas coisas, e se você se encaixa numa dessas pessoas que logo abaixo vou descrever, e você tem uma explicação para todos os meus questionamentos, eu vou ficar muito feliz se você me procurar... Porque, nessa época, esses 'amigos da igreja' que eu tinha iam nos mesmos cultos que eu, e perto deles eu me achava menor ainda... Porque eles eram tão usados nas mãos de Deus que, pra mim, todo o tempo de oração que eu dedicava a Deus jamais seria o suficiente para eu ter a unção que aqueles tinham. Eu fazia questão de ser amiga deles porque eles me inspiravam na minha vida com Deus, eu orava e pedia a Deus que me usasse como usava fulano ou sicrano. E a gente amadurece... Eu mudei de cidade, cresci, amadureci. Durante esses quase 5 anos de vida com Jesus - de verdade, porque antes disso eu conhecia Jesus só de ouvir falar - , eu errei muito, quis parar, quis desistir... Mas nunca deixei de confiar em Deus, de crer que Ele é o Deus da minha vida, da minha casa, e que uma hora tudo se resolveria. Eu passei por tantas coisas... Mas sempre crendo que Ele tava ali do meu lado, pronto pra segurar a minha mão e me tirar todo o medo. E hoje, procurando por aqueles 'amigos da igreja', eu encontrei eles servindo ao deus da bebida, das drogas, da prostituição, do engano, da mentira, dos falsos amigos, e doeu aqui dentro... Doeu muito. Porque, apesar de todos os momentos difíceis, eu nunca deixei de servir a Deus, de crer Nele. Porque, naquela madrugada de inverno, Ele me ensinou que pra servir eu não preciso estar no altar, eu não preciso estar trabalhando na igreja - isso tudo é muito importante - , mas antes de servir na igreja, eu sirvo aqui no meu coração, aqui dentro da minha casa. Muitos líderes, pastores e amigos me decepcionaram, me machucaram.... Mas Ele não me deixou, mesmo quando eu não conseguia ouvir a Sua voz, eu sabia que Ele estava ali. Hoje eu queria entender o que fez os meus 'amigos' pararem... Desistirem de continuar servindo. Porque eles sempre estiveram cansados de ouvir que todo mundo pode nos desamparar, mas Deus jamais fará isso. Porque você parou? O que Deus te fez pra você deixar Ele? Ele deixou de te carregar no colo? De segurar a tua mão? De secar as tuas lágrimas? Quando você tocava o seu violão, o seu teclado, quando você cantava, quando você dançava, você não sentia mais que Ele te via, te ouvia? Quando você entoava a primeira nota, desenhava a melodia da adoração a Deus, você não sentia aquele friozinho na barriga? Aquela vontade de se jogar nos braços Dele sem se importar com mais nada? Ele te deixou com medo? O que Deus te fez pra você abandonar tudo e estar aí, agora, nesse lugar? Que Deus me faça entender isso.... Porque eu, apesar de todas as vezes que eu achei que fosse difícil só pra mim, eu queria quebrar tudo - e já quebrei tudo muitas vezes -, queria sair correndo e fugir dali... Ele continuou segurando firme e minha mão e sussurrando que tudo ficaria bem. Porque Jesus, antes de ser o meu Deus, ele é o meu Pai. E eu pensei que fosse assim pra você também. Que o meu Pai te visite hoje, e eu não peço que te faça voltar... Porque quem conhece Jesus uma única vez, não quer largar Ele nunca mais. Ver esses tantos amigos meus nessas situações só me faz pensar que eles nunca conheceram a Jesus, porque se tivessem conhecido, não veriam prazer nas coisas do mundo, porque só dá pra VIVER NUMA BOA se for aos pés de Jesus."
Temas Relacionados
Mais de Mayara Freire
Ver todas"São aquelas que você mais acredita, que te decepcionam. Você se sente correspondido nos gostos, nas atitudes, no gestos mais simples, e se permite confiar. Aquela pessoa te traz alegria, e te dá as mãos quando você pensa que vai escorregar. E, aos poucos, você cria uma base sólida, e forte, onde, todas as vezes que se sente inseguro, com medo, é ali que você se apoia. Aquela pessoa te ouve, diz entender seus medos e te consola. Você conta seus segredos, seus mistérios mais íntimos e sua revolta com as circunstâncias que te obrigam a viver momentos que você nunca pensou viver. Você também é fiel a essa pessoa, escuta os segredos dela, os mistérios, e o aconselha. A amizade está firme, e você, como qualquer ser humano iludida, pensa ser recíproco aquele sentimento que você zela com amor. Mas, aí, chega o dia em que essa pessoa nega sentir amizade por você, nega ter sido, algum dia, sua amiga, nega ter sido acolhida por você. Chega o dia em que ela te enfia uma faca nas costas enquanto você rega as plantas no jardim. Drama? Não! É exatamente assim! E, agora, eu estou aqui, sentada, com os olhos cheios de lágrimas. Eu estava revisando o meu livro, meu coração estava aquecido de amor... Mas, agora, está frio. Eu só queria que as pessoas não usassem nada do que eu digo contra mim. Eu só queria que ela cumprissem a promessa de serem fiéis a nossa amizade... Eu só queria que elas não levassem tão a sério os meus momentos de revolta, e me vissem como um ser humano, e não como mais uma patricinha inteligente, cheio de talentos...! Eu sei que eu, somente eu, sou culpada de ser traída por alguém que eu confiei. Porque eu dei liberdade para que essa pessoa entrasse na minha vida, foi eu que entreguei os meus sonhos e desejos nas mãos dela... E, ela podia fazer com eles o que quisesse. Eu só não esperava que fossem me decepcionar tanto... Mas como já dizia Drummond, quem sabe, mais tarde, essa tristeza será somente o resíduo de um passado que eu quero esquecer...!"
"E pensar que eu sempre falei sobre essas amizades falsas que ferem a alma - melhor seria se ferissem o corpo. Eu sempre pensei - e continuo - que a verdadeira amizade é aquela que nos permite falar de defeitos, qualidades e o que mais vier a cabeça. Porque amizade de verdade é aquela que você fala o que vem a cabeça, e não se arrepende de nada dito - podem passar meses, anos. Não existe maneira mais bonito que justificar uma amizade defendendo um amigo. Isso pra mim é nobre. Mais nobre ainda é termos um amigo de valor. Nunca acreditei em alguém que não se deleita na felicidade de um amigo, a amizade não está nesse relacionamento. Esse negócio de fingir, tentar impressionar, ser outra pessoa não tá com nada, sabe? Gente que é gente gosta de ser do jeito que é. Triste mesmo é ver uma amizade evaporar em meio a decepção. Aí resta aquela boa esperança que, se tudo vivido foi verdade, a amizade reaproxima. Mas não acredito muito nisso. Pessoas feridas costumam mudar. Eu, por exemplo, não mudo só as roupas, o cabelo e o esmalte. Eu mudo a cidade, o telefone e a caderneta de anotações. É cansativo viver de memórias - prefiro deixar as memórias pra lá, pra haver mais espaços pra coisas novas. Eu gosto de novidade - e isso não significa que agora estou sociável. Também gosto da verdade. Antes uma dor sincera, que uma alegria falsa. E nada mais me irrita que saber que a alegria que tive foi falsa. Acho que é por isso que acabo sendo tão radical. Melhor assim. Amizade, acima de tudo, é certeza. E quando você duvida, já não é mais amizade. Eu acredito que o sentimento fica pela pessoa que te decepcionou, mas, como disse o Pr. João Chinelato hoje pela manhã "Amores e pessoas complicadas fazem mal a saúde. Ainda que precisamos amar a todos, faça um teste, quando você se afasta de pessoas complicadas até sua saúde melhora", então é melhor se afastar. A gente se afasta e a amizade esfria, congela e vira memória. Por que, como já dizia Immanuel Kant "a amizade é semelhante a um bom café, uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor". É melhor virar memória, poupar conversas desgastantes e dor. Sem dor, sem lágrimas."
"“[...], jamais houve na humanidade um tempo em que predominou tanta vaidade.” Além da minha certeza de que o mal do ser humano seja não pensar, também percebi que o ser humano anda vaidoso demais. O orgulho virou moda. Mania que as pessoas tem de achar que o perdão é inútil, que não vale à pena, e que se formos algum dia magoados não devemos, em hipótese alguma, perdoar. Eu também aprendi a exalar o mesmo perfume que a violeta deixa no sapato que a pisa. E toda essa vaidade e orgulho por que de uns tempos pra cá passamos a viver a mercê de pessoas que se dizem soberanas e que querem nos manipular por seus belos discursos e filosofias totalmente fora dos princípios básicos mas, por status, acaba ganhando a confiança de um bocado de gente. É só prestar atenção em circunstâncias diárias na nossa vida. Vê-se pelas meninas nos colégios: se a menina da Malhação começa a usar um lenço amarrado no calcanhar, na semana seguinte, todas as meninas do colégio também estarão usando. Nada contra a essas modinhas, eu mesma já cai em muitas delas. Mas, já presenciei meninas que sempre acharam o tênis All Star feio e depois que viu na Malhação passou a usar. Nada contra a Malhação, também. INFLUÊNCIAS. Assim acontece na escola, na rua, no clube, na academia, na roda de amigos. Ninguém se valoriza como é, segue seus princípios, é teimoso em assumir a verdade que traz consigo, que aprendeu com quem sempre esteve ao seu lado ensinando tudo sobre a vida. Não... Ficou mais fácil aprender com os amigos, ficou mais fácil aprender na rua, ou, sozinho. Ficou mais fácil viver sem opinião, é mais divertido se matar aos poucos, se acabar aos poucos. É muito mais fácil ser manipulado, não perder tempo pensando, receber ordens e nunca quebrar as regras. “Não ouça, não pense, não fale, não cante, não sinta... Apenas finja, obedeça, siga o que eu digo.” Todo mundo aprendeu a mentir o que realmente é, ou melhor, a OMITIR. Fica mais fácil esconder os traumas e negar a cura, esconder o amor e negar um bom momento, fingir amar e pensar estar seguro. Lutar pelo amor verdadeiro exige inteligência, esforço e muito amor, muita dedicação. É mais fácil comer chocolate em frente à TV que perder horas se dedicando aquilo que você realmente se importa. Mentir o que sente, o que ouve, o que vê, o que quer falar. Mentir é mais fácil, mais cômodo. Quando se fala a verdade, aquilo passa a ser eterno e, mais tarde, pode ser cobrado da gente. Temos prazer em mentir, prazer em enganar, prazer em inventar uma história. Nos sentimos criativos, maiores que qualquer outra pessoa. Mas, também mentimos por medo de dizer a verdade. Quando aqueles olhos encontram os nossos, não conseguimos encarar, a única escapatória é baixar os olhos e mentir. Mentir parece afugentar o nosso eu verdadeiro, a felicidade que teima em vir depois de um sofrimento, de uma luta travada entre a razão, coração, e mais uma centena de sentimentos. “Finja que acredita que os sentimentos são lâminas cegas esterilizadas que cortam sua pele superficialmente sem jamais atingir sua alma.” Finja que o amor não é essencial pra você, que você está bem assim. Contente-se em mentir todos os dias para o espelho que você é feliz, que o “ontem” da sua vida já está resolvido, que os seus traumas estão curados, ou melhor, nunca existiram. Minta todos os dias pra você mesmo que você não dormiu com vontade, que não acordou arrependido, que não quis sair correndo e pular nos braços dele. Minta, dói menos. Dói menos até você descobrir que dói. Vendo uma reportagem sobre anorexia, a moça disse: “A pior parte da doença é quando a gente descobre que a tem, parece doer mais... Mas, só assim podemos nos curar de verdade.” Você só vai ser feliz quando descobrir que você é um mentiroso, um fraco, que sempre se negou a se mostrar como você é, esse alguém guardado numa gaveta aí em algum canto, escondido debaixo de alguns papéis e fotografias. Quando descobrir, vai doer demais olhar pra dentro de si e ver o quanto toda essa mentira te destruiu, quanto afastou as pessoas que sempre te amaram e que você sempre amou, mesmo mentindo as odiar. Vai doer olhar pra trás e ver como o tempo passou rápido enquanto você se enclausurava dentro de si mesmo, à espera de alguma coisa que nunca apareceu, porque essa coisa também era uma mentira. Você vai exigir da sua alma um pouco mais de sinceridade, vai tentar correr atrás pra descobrir se é tarde demais e, se for, vai esperar que a esperança de novas chances nasça dentro de você. E, na pior das hipóteses, ir pra um ranchinho, perto de uma cachoeira, passar o resto dos dias vivendo a verdade da vida, conhecendo-se. Até você ter coragem de se olhar no espelho novamente e dizer: “Agora eu sou feliz.”"
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?


