"São aquelas que você mais acredita, que te decepcionam. Você se sente correspondido nos gostos, nas atitudes, no gestos mais simples, e se permite confiar. Aquela pessoa te traz alegria, e te dá as mãos quando você pensa que vai escorregar. E, aos poucos, você cria uma base sólida, e forte, onde, todas as vezes que se sente inseguro, com medo, é ali que você se apoia. Aquela pessoa te ouve, diz entender seus medos e te consola. Você conta seus segredos, seus mistérios mais íntimos e sua revolta com as circunstâncias que te obrigam a viver momentos que você nunca pensou viver. Você também é fiel a essa pessoa, escuta os segredos dela, os mistérios, e o aconselha. A amizade está firme, e você, como qualquer ser humano iludida, pensa ser recíproco aquele sentimento que você zela com amor. Mas, aí, chega o dia em que essa pessoa nega sentir amizade por você, nega ter sido, algum dia, sua amiga, nega ter sido acolhida por você. Chega o dia em que ela te enfia uma faca nas costas enquanto você rega as plantas no jardim. Drama? Não! É exatamente assim! E, agora, eu estou aqui, sentada, com os olhos cheios de lágrimas. Eu estava revisando o meu livro, meu coração estava aquecido de amor... Mas, agora, está frio. Eu só queria que as pessoas não usassem nada do que eu digo contra mim. Eu só queria que ela cumprissem a promessa de serem fiéis a nossa amizade... Eu só queria que elas não levassem tão a sério os meus momentos de revolta, e me vissem como um ser humano, e não como mais uma patricinha inteligente, cheio de talentos...! Eu sei que eu, somente eu, sou culpada de ser traída por alguém que eu confiei. Porque eu dei liberdade para que essa pessoa entrasse na minha vida, foi eu que entreguei os meus sonhos e desejos nas mãos dela... E, ela podia fazer com eles o que quisesse. Eu só não esperava que fossem me decepcionar tanto... Mas como já dizia Drummond, quem sabe, mais tarde, essa tristeza será somente o resíduo de um passado que eu quero esquecer...!"
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Ver todas"Sempre é assim. A saudade nunca chega quando estamos perto da família, do namorado, dos amigos. A saudade nunca chega na infância, naquela música antiga ou naquela época do primeiro amor. A saudade é um sentimento inimigo dos enamorados, dos amigos, dos apaixonados, dos vividos... Ela chega quando aquele namoro terminou, quando a infância passou, quando aquela música não toca mais na rádio. Saudade é aquele sentimento do momento não vivido, do beijo não dado, do abraço negado... Daquele perfume, daquelas briguinhas, daquelas gargalhadas. Saudade é a palavra vazia, o silêncio calado, a dor consentida. Saudade é um sentimento sentido sem querer, sem perceber já somos tomados por ele. Saudade mata as pessoas, fere a alma, machuca o coração; Mas a saudade, além de nos causar e mostrar a dor da perda, ela nos mostra o quanto aquilo nos faz falta. A saudade é confusa, complicada, dolorida. Certa e incerta. Cheia de caminhos contrários aos do amor. Às vezes dói tanto que parece querer matar, mas às vezes nos causa sensações tão boas que nos fazem chorar. A saudade leva e traz esperanças, amores, intrigas e rancores. Nos mostra que devemos dar valor enquanto temos. Mostra-nos a vida de um ângulo diferente, oculto. A saudade faz parte de um romance, de uma amizade... Mas faz parte da vida. Sem ela, a vida não teria a mínima graça."
"Mas eu quero. Eu quero um amor todinho meu, não uma metade, nem alguns caquinhos, mas todinho. Que eu possa chamar de meu, apertar, morder, beijar, bater. É meu, caramba! Ah... E eu quero surpresa, quero loucuras, quero bagunça, crise de ciúme, briguinhas que acabam em agarros, provas de amor. Eu quero me surpreender. Até hoje, todos esses meus amores foram pré-definidos por uma lista de objetivos na vida, por um sonho bobo, por uma aposta. Agora eu quero me surpreender."
"Os dias tem sido bons, apesar de todas as tempestades torrenciais, eu tenho me mantido em pé. E isso me faz sorrir todos os dias, me faz querer mudar a cor do cabelo, do esmalte, do batom. É bom olhar tudo isso e saber a pessoa boa que me tornei - apesar de todos os surtos e defeitos que eu não devia ter -, eu me orgulho, sinceramente. Essa coisa de transferir a responsabilidade, sofrer ouvindo casinhos, bancar a forte, inflexível, esclarecida e indisponível não é comigo. Ninguém é mais forte que o amor. Amando eu descobri novidades a meu respeito, lembrei de um passado escondido e decidi ser gentil. Porque, como já dizia Carpinejar "Sem gentilezas o amor cansa". E eu não quero que esse amor aqui dentro canse. Bom olhar em volta e perceber que segurei o mundo de muitas pessoas enquanto o meu desmoronava, mas agora elas estão bem, seguindo suas vidas, andando sozinhos sem ter que segurar a mão de alguém pra atravessar a rua. Elas cresceram e isso me fez bem, me faz bem. Eu tenho esse meu lado mãe de todos e olhar os olhinhos marejados desses a quem ajudei me faz bem. Eu não sei amar pouco. Apesar dos traumas, eu resolvi amar muito. Mas também... Me contrario quando digo isso, porque se você me analisar alguns minutos, verá que esse amor não surge assim. Eu só consigo amar depois que desconfio da pessoa até mesmo precisando inventar um motivo. Depois que minha desconfiança cansa, eu amo. Depois que eu amo, eu confesso. E aí já não haverá volta. Falarei mais de quatro mil palavras por dia, não esconderei a resposta de uma pergunta sequer que você me fizer e continuarei falando e divagando sobre qualquer coisa enquanto eu sentir o triplo da responsabilidade caindo sobre você a cada palavra minha. Porque, pra mim, ouvir as confissões de alguém é uma das maiores responsabilidades da vida. Isso exige amor, paciência, bom humor, um bocado de fé e a simplicidade no olhar. Cada palavra que você ouve de uma confissão deve servir apenas para você amar aquela pessoa, e nunca usar o que ela disse contra ela em um dia cinza de raiva, mágoa ou coisa do tipo. Confissões não servem pra fofoca: você ouve, sorri e consola. Simples assim. E o mundo tá carente de ouvintes. Falta quem decida morrer com e pelas confissões que ouviu. Distorcer confissões ou fazer delas fofocas apagam lembranças, podem estragar a vida de alguém. O que é dito não é pra ser devolvido. Você não precisa ser ouvinte, mas se quiser ser, precisa aprender a cercar o silêncio de alguém com o seu silêncio. Precisa aprender que não nasceu pra julgar ninguém, mas para se julgar, e aí então, merecer amar."
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