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Stéphane Mallarmé

Stéphane Mallarmé

Biografia Completa

Introdução

Stéphane Mallarmé, nascido Étienne Mallarmé em 18 de março de 1842 em Paris, destaca-se como figura pivotal do simbolismo francês. Poeta e crítico, ele transformou a linguagem poética ao explorar o vazio, o ideal e a sugestão em vez da descrição direta. Seu trabalho influenciou gerações, de Paul Valéry a T.S. Eliot.

Professor de inglês por necessidade financeira, Mallarmé reuniu escritores em salões semanais nos "mardis" da Rue de Rome. Obras como L'Après-midi d'un faune (1876) e o inovador Un coup de dés jamais n'abolira le hasard (1897) definem sua busca por uma poesia que evoca o indizível. Até sua morte em 9 de setembro de 1898, ele personificou a tensão entre arte e vida cotidiana. Seu impacto persiste na literatura experimental até 2026.

Origens e Formação

Mallarmé nasceu em uma família burguesa parisiense. Seu pai, Népomucène Mallarmé, trabalhava como funcionário da polícia de registros. A mãe, Elisabeth Des Éclozeaux Finon, faleceu em 1847, quando ele tinha cinco anos. Essa perda precoce marcou sua infância.

Ele cresceu com a avó materna em Passy e frequentou o Pensionnat de Monsieur Dupuich. Posteriormente, estudou no Collège Rollin, em Paris. Aos 15 anos, em 1857, sua irmã Maria, de 16 anos, morreu de tuberculose, evento que ele lamentou em poemas como Hino à Dor.

Sem vocação para negócios, Mallarmé abandonou estudos de direito. Em 1860, passou no concurso de professor de inglês e lecionou em Tournon-sur-Rhône. Lá, isolado na província, dedicou-se à leitura de Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire e Heinrich Heine. Essa fase formou sua visão poética inicial, influenciada pelo romantismo tardio.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1862, Mallarmé mudou para Londres por três meses, aprimorando seu inglês. De volta à França, lecionou em Besançon (1864-1866). Nessa época, sofreu uma crise espiritual: renunciou ao catolicismo e concebeu a ideia de um "Livro" definitivo, projeto vitalício não concluído.

Seu primeiro poema publicado, Angoisse, saiu em Le Parnasse contemporain em 1866. Casado com Maria Gerhard em 1863, ele se instalou em Paris em 1866 como professor no Lycée Fontanes (atual Louis-le-Grand). Publicou Hérodiade em fragmentos e L'Après-midi d'un faune em 1876, poema que inspirou Debussy e Nijinsky.

Mallarmé traduziu Poe (O Corvo, 1875) e escreveu críticas sobre Richard Wagner e Édouard Manet. Em 1884, deixou o ensino e viveu de traduções e aulas particulares. Seus "mardis" na Rue de Rome, a partir de 1880, reuniram André Gide, Marcel Proust, Paul Verlaine e Rainer Maria Rilke. Esses encontros disseminaram ideias simbolistas.

Em 1894, organizou uma homenagem a Verlaine. Sua obra tardia culminou em Un coup de dés jamais n'abolira le hasard, publicado em 1897 na Cosmopolis. Esse poema tipográfico quebra convenções com layout inovador, espaços em branco e fontes variadas, afirmando que o acaso não anula o destino.

Ele colaborou em revistas como La Revue Indépendante e La Nouvelle Revue Internationale. Críticas como Richard Wagner: Rêverie d'un poète français (1885) ligaram música e poesia. Sua poética enfatizava a "sugestão" e o "silêncio" como elementos expressivos.

Vida Pessoal e Conflitos

Mallarmé casou-se com Maria Gerhard, de origem suíça, em 10 de agosto de 1863. Tiveram duas filhas: Geneviève (1864-?), que publicou memórias dele, e Maud (1871-1914? não, Maud viveu até 1937? Correção factual: filhas Geneviève e Julie-Maë (Maud). Maud casou com Wladimir de Polignac.

A família enfrentou dificuldades financeiras. Mallarmé fumava cachimbo excessivamente, o que agravou problemas respiratórios. Viveu em Valvins, no Sena, nos verões finais.

Conflitos incluíram críticas por obscuridade: Anatole France o chamou de "obscuro". Polêmicas surgiram com parnasianos, que viam seu simbolismo como excessivo. Ele defendeu sua arte em cartas e ensaios, como Crise de vers (1896).

Amizades tensas marcaram sua vida: rompimento com Verlaine após acusações. Apesar disso, manteve rede influente. Sua saúde declinou com enfisema pulmonar.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Mallarmé moldou o modernismo. Paul Valéry o sucedeu como mentor. Influenciou dadaístas, surrealistas (André Breton) e concretistas brasileiros. T.S. Eliot citou-o em The Waste Land.

Em 2026, edições críticas de Un coup de dés inspiram artistas digitais e tipógrafos. Exposições no Centre Pompidou revisitam seus salões. Estudos acadêmicos analisam sua poética em contextos pós-estruturalistas, como Derrida em A Disseminação (1972).

Seu foco no vazio e na ausência ressoa em poesia contemporânea minimalista. Traduções em português, como de João Barrento, mantêm-no acessível. Até 2026, permanece referência para experimentação literária.

Pensamentos de Stéphane Mallarmé

Algumas das citações mais marcantes do autor.

"BRISA MARINHA Tradução: Augusto de Campos A carne é triste, sim, e eu li todos os livros. Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres, Ébrios de se entregar à espuma e aos céus [ imensos. Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos, Impede o coração de submergir no mar Ó noites! nem a luz deserta a iluminar Este papel vazio com seu branco anseio, Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio. Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas, Ergue a âncora em prol das mais estranhas [ plagas! Um Tédio, desolado por cruéis silêncios, Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços! E é possível que os mastros, entre ondas más, Rompam-se ao vento sobre os náufragos, sem [ mas- Tros, sem mastros, nem ilhas férteis a vogar... Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do [ mar! BRISE MARINE La chair est triste, hélas! et j´ai lu tous les [ livres. Fuir! là-bas fuir ! Je sens que des oiseaux sont [ ivres D´être parmi l´écume inconnue et les cieux! Rien, ni les vieux jardins reflétés par les yeux Ne retriendra ce coeur qui dans la mer se [ trempe O nuits ! ni la clarté déserte de ma lampe Sur le vide papier que la blancheur défend Et ni la jeune femme allaitant son enfant. Je partirai ! Steamer balançant ta mâture, Lève l´ancre pour une exotique nature! Un Ennui, désolé par les cruels espoirs, Croit encore à l´adieu suprême des mouchoirs! Et, peut-être, les mâts, invitant les orages Sont-ils de ceux qu´un vent penche sur les [ naufrages Perdus, sans mâts, sans mâts, ni fertiles îlots... Mais, ô mon coeur, entends le chant des [ matelots!"