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Ruth Rocha

Ruth Rocha

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Frases de Ruth Rocha

8 frases de Ruth Rocha

"Quem tem medo de dizer não? A gente vive aprendendo A ser bonzinho, legal, A dizer que sim pra tudo, A ser sempre cordial... A concordar, a ceder, A não causar confusão, A ser vaca-de-presépio Que não sabe dizer não! Acontece todo dia, Pois eu mesma não escapo. De tanto ser boazinha, Tô sempre engolindo sapo... Como coisas que não gosto, Faço coisas que não quero... Deste jeito, minha gente, Qualquer dia eu desespero... Já comi pamonha e angu, Comi até dobradinha... Comi mingau de sagu Na casa de uma vizinha... Comi fígado e espinafre, De medo de dizer não. Qualquer dia, sem querer, Vou ter de comer sabão! Eu não sei me recusar, Quando me pedem um favor. Eu sei que não vou dar conta, Mas dizer não é um horror! E no fim não faço nada E perco toda razão. Fico mal com todo mundo, Só consigo amolação. Quando eu estudo a lição E o companheiro não estuda, Na hora da prova pede Que eu dê a ele uma ajuda Embora ache desaforo, Eu não consigo negar... Meu Deus, como sou boazinha... Vivo só para ajudar... Se alguém me pede que empreste O disco do meu agrado, Sabendo que não devolvem Ou que devolvem riscado... Sou incapaz de negar, Mas fico muito infeliz... Qualquer um, se tiver jeito, Me leva pelo nariz... Depois que eu estou na fila Pra pagar o supermercado, Já estou lá há muito tempo... Aparece um engraçado... Seja jovem, seja velho, Se mete na minha frente, Mas eu nunca digo nada... Embora eu fique doente! A gente sempre demora A entender esta questão. Às vezes custa um bocado Dizer simplesmente não! Mas depois que você disse Você fica aliviada E o outro que lhe pediu É que fica atrapalhado... Mas não vamos esquecer Que existe o "por outro lado"... Tudo tem direito e avesso, Que é meio desencontrado... Quero saber dizer NÃO. Acho que é bom para mim. Mas não quero ser do contra... Também quero dizer SIM!"
"Meu amigo dinossauro Um pequeno dinossauro Apareceu no jardim Educado, inteligente, O seu nome era Joaquim. Nunca consegui saber De onde foi que ele saiu Quando a gente perguntou Disfarçou e até sorriu... Ficou muito nosso amigo Fez tudo que é brincadeira. Levou o Miguel pra escola Levou a mamãe pra feira. As pessoas espiavam Estranhavam um pouquinho Onde será que arranjaram Este dinossaurosinho? Nessa tarde o papai trouxe Um amigo bem distinto Que se espantou e exclamou: - Mas este bicho está extinto! Há muitos milhões de anos Ele já virou petróleo! Ou já virou gasolina, Ou algum tipo de óleo. Meu dinossauro sorriu - Estou vivo, "podes crer"! Eu não virei querosene Como o senhor pode ver! Antigamente diziam Que o petróleo era formado Por montes de dinossauros Um sobre o outro empilhados. Mas isso não é verdade! Foram plantas e outros bichos Que ficaram bem fechados Entre buracos e nichos. Sofreram muita pressão Por muitos milhões de anos Sofreram muito calor No fundo dos oceanos. - Mas então por que o petróleo Até parece cigano? Ora aparece na Terra, Ora debaixo do oceano! É porque o planeta Terra Esteve sempre a mudar Depois de milhões de anos Tudo mudou de lugar. Todos ficaram espantados De tanta sabedoria E perguntavam: - Que mais Sabe Vossa Senhoria? - Sei ainda muitas coisas Disse o amigo Joaquim Para que serve o petróleo E outras coisas assim. Petróleo move automóvel, Navio, trem, avião, Ônibus e motocicleta, Helicóptero e caminhão. Com petróleo se faz pano, Brinquedo, bolsas e mala, Pele pra fazer salsicha, Copos, pratos, nem se fala. Se faz tinta, faz garrafa, Material de construção, Se fazem peças de automóvel E se faz tubulação. - Tenho mais uma coisinha Pra dizer. - Pois então diga! E o dinossauro puxou O fecho em sua barriga. E saíram lá de dentro O Pedro mais o Raimundo - Nós não somos dinossauro, Enganamos todo mundo!"
"O Direito das Crianças Toda criança no mundo Deve ser bem protegida Contra os rigores do tempo Contra os rigores da vida. Criança tem que ter nome Criança tem que ter lar Ter saúde e não ter fome Ter segurança e estudar. Não é questão de querer Nem questão de concordar Os diretos das crianças Todos tem de respeitar. Tem direito à atenção Direito de não ter medos Direito a livros e a pão Direito de ter brinquedos. Mas criança também tem O direito de sorrir. Correr na beira do mar, Ter lápis de colorir... Ver uma estrela cadente, Filme que tenha robô, Ganhar um lindo presente, Ouvir histórias do avô. Descer do escorregador, Fazer bolha de sabão, Sorvete, se faz calor, Brincar de adivinhação. Morango com chantilly, Ver mágico de cartola, O canto do bem-te-vi, Bola, bola, bola, bola! Lamber fundo da panela Ser tratada com afeição Ser alegre e tagarela Poder também dizer não! Carrinho, jogos, bonecas, Montar um jogo de armar, Amarelinha, petecas, E uma corda de pular. Um passeio de canoa, Pão lambuzado de mel, Ficar um pouquinho à toa... Contar estrelas no céu... Ficar lendo revistinha, Um amigo inteligente, Pipa na ponta da linha, Um bom dum cachorro quente. Festejar o aniversário, Com bala, bolo e balão! Brincar com muitos amigos, Dar pulos no colchão. Livros com muita figura, Fazer viagem de trem, Um pouquinho de aventura... Alguém para querer bem... Festinha de São João, Com fogueira e com bombinha, Pé-de-moleque e rojão, Com quadrilha e bandeirinha. Andar debaixo da chuva, Ouvir música e dançar. Ver carreira de saúva, Sentir o cheiro do mar. Pisar descalça no barro, Comer frutas no pomar, Ver casa de joão-de-barro, Noite de muito luar. Ter tempo pra fazer nada, Ter quem penteie os cabelos, Ficar um tempo calada... Falar pelos cotovelos. E quando a noite chegar, Um bom banho, bem quentinha, Sensação de bem-estar... De preferência um celinho. Uma caminha macia, Uma canção de ninar, Uma história bem bonita, Então, dormir e sonhar... Embora eu não seja rei, Decreto, neste país, Que toda, toda criança Tem direito a ser feliz!!!"
"O que os olhos não vêem Havia uma vez um rei num reino muito distante, que vivia em seu palácio com toda a corte reinante. Reinar pra ele era fácil, ele gostava bastante. Mas um dia, coisa estranha! Como foi que aconteceu? Com tristeza do seu povo nosso rei adoeceu. De uma doença esquisita, toda gente, muito aflita, de repente percebeu... Pessoas grandes e fortes o rei enxergava bem. Mas se fossem pequeninas, e se falassem baixinho, o rei não via ninguém. Por isso, seus funcionários tinham de ser escolhidos entre os grandes e falantes, sempre muito bem nutridos. Que tivessem muita força, e que fossem bem nascidos. E assim, quem fosse pequeno, da voz fraca, mal vestido, não conseguia ser visto. E nunca, nunca era ouvido. O rei não fazia nada contra tal situação; pois nem mesmo acreditava nessa modificação. E se não via os pequenos e sua voz não escutava, por mais que eles reclamassem o rei nem mesmo notava. E o pior é que a doença num instante se espalhou. Quem vivia junto ao rei logo a doença pegou. E os ministros e os soldados, funcionários e agregados, toda essa gente cegou. De uma cegueira terrível, que até parecia incrível de um vivente acreditar, que os mesmos olhos que viam pessoas grandes e fortes, as pessoas pequeninas não podiam enxergar. E se, no meio do povo, nascia algum grandalhão, era logo convidado para ser o assistente de algum grande figurão. Ou senão, pra ter patente de tenente ou capitão. E logo que ele chegava, no palácio se instalava; e a doença, bem depressa, no tal grandalhão pegava. Todas aquelas pessoas, com quem ele convivia, que ele tão bem enxergava, cuja voz tão bem ouvia, como num encantamento, ele agora não tomava o menor conhecimento... Seria até engraçado se não fosse muito triste; como tanta coisa estranha que por esse mundo existe. E o povo foi desprezado, pouco a pouco, lentamente. Enquanto que próprio rei vivia muito contente; pois o que os olhos não vêem, nosso coração não sente. E o povo foi percebendo que estava sendo esquecido; que trabalhava bastante, mas que nunca era atendido; que por mais que se esforçasse não era reconhecido. Cada pessoa do povo foi chegando á convicção, que eles mesmos é que tinham que encontrar a solução pra terminar a tragédia. Pois quem monta na garupa não pega nunca na rédea! Eles então se juntaram, Discutiram, pelejaram, E chegaram à conclusão Que, se a voz de um era fraca, Juntando as vozes de todos Mais parecia um trovão. E se todos, tão pequenos, Fizessem pernas de pau, Então ficariam grandes, E no palácio real Seriam logo avistados, Ouviriam os seus brados, Seria como um sinal. E todos juntos, unidos, fazendo muito alarido seguiram pra capital. Agora, todos bem altos nas suas pernas de pau. Enquanto isso, nosso rei continuava contente. Pois o que os olhos não vêem nosso coração não sente... Mas de repente, que coisa! Que ruído tão possante! Uma voz tão alta assim só pode ser um gigante! - Vamos olhar na muralha. - Ai, São Sinfrônio, me valha neste momento terrível! Que coisa tão grande é esta que parece uma floresta? Mas que multidão incrível! E os barões e os cavaleiros, ministros e camareiros, damas, valetes e o rei tremiam como geléia, daquela grande assembléia, como eu nunca imaginei! E os grandões, antes tão fortes, que pareciam suportes da própria casa real; agora tinham xiliques e cheios de tremeliques fugiam da capital. O povo estava espantado pois nunca tinha pensado em causar tal confusão, só queriam ser ouvidos, ser vistos e recebidos sem maior complicação. E agora os nobres fugiam, apavorados corriam de medo daquela gente. E o rei corria na frente, dizendo que desistia de seus poderes reais. Se governar era aquilo ele não queria mais! Eu vou parar por aqui a história a que estou contando. O que se seguiu depois cada um vá inventando. Se apareceu novo rei ou se o povo está mandando, na verdade não faz mal. Que todos naquele reino guardam muito bem guardadas as suas pernas de pau. Pois temem que seu governo possa cegar de repente. E eles sabem muito bem que quando os olhos não vêem nosso coração não sente."