"Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. (...) mas quando o teu riso entra sobe ao céu à minha procura e abre-me todas as portas da vida. quando os meus passos se forem, quando os meus passos voltarem, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas o teu riso nunca porque sem ele morreria."
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Pablo Neruda
Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto (1904-1973), conhecido com o pseudônimo de Pablo Neruda, foi um poeta chileno.
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Frases - Página 6
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"Bondade que não agride nem lambe, mas que desentranha e luta porque é a própria arma da vida. E, assim, só se chamarão bons os de coração recto, os não flexíveis, os insubmissos, os melhores. Reinvindicarão a bondade apodrecida por tanta baixeza, serão o braço da vida e os ricos de espírito. E deles, só deles, será o reino da terra."
"Depois dum amargor tu afastaste-te, e a princípio não percebi. Tu partiras tal como chegaste uma tarde para alentar meu coração mergulhado na profundidade dum desencanto. Depois perfumaste-te com meu pranto, fiz-te doçura do meu coração, agora tens aridez de nó, um novo desencanto, árvore nua que amanhã se tornará germinação."
"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se."
"Que minha dor obscura não morra nas tuas asas, Nem se me afogue a voz em tua garganta de ouro. Desfaz, Amor, o ritmo Destas águas tranquilas: Sabe ser a dor que estremece e que sofre, Sabe ser a angústia que se grita e retorce. Não me dês o olvido. Não me dês a ilusão. Porque todas as folhas que na terra caíram Me deixaram de ouro aceso o coração."
"Esperemos Há outros dias que não têm chegado ainda, que estão fazendo-se como o pão ou as cadeiras ou o produto das farmácias ou das oficinas - há fábricas de dias que virão - existem artesãos da alma que levantam e pesam e preparam certos dias amargos ou preciosos que de repente chegam à porta para premiar-nos com uma laranja ou assassinar-nos de imediato."
"Se todos os rios são doces, de onde o mar tira o sal? Como sabem as estações do ano que devem trocar de camisa? Por que são tão lentas no inverno e tão agitadas depois? E como as raízes sabem que devem alçar-se até a luz e saudar o ar com tantas flores e cores? É sempre a mesma primavera que repete seu papel? E o outono?... ele chega legalmente ou é uma estação clandestina?"
"Vamos buscando a emoção que não podemos encontrar neste tédio sempre igual que nos envolve o coração. Enfermos deste eterno mal que antes que nasça algum amor alegrará com sua canção esta amarga solidão, o matará com sua dor que soa como perpétuo e lento toque de maldade dentro do nosso coração. Vamos buscando a emoção que não podemos encontrar e desejamos com ardor."
"O teu riso Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida."
"Assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos. Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro."
"Acontece Bateram à minha porta em 6 de agosto, aí não havia ninguém e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira e transcorreu comigo, ninguém. Nunca me esquecerei daquela ausência que entrava como Pedro por sua causa e me satisfazia com o não ser, com um vazio aberto a tudo. Ninguém me interrogou sem dizer nada e contestei sem ver e sem falar. Que entrevista espaçosa e especial! (Últimos Poemas)"
"Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida, nem para os meus cansaços perfumados de rosas, nem para a impotência da minha raiva suicida, não eras a bela e doce, a bela e dolorosa. Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida nem para os meus quebrantos nem para a minha dor, não eras para os prantos das minhas duras feridas, não eras para os meus braços, nem para a minha canção."