"A gente se acostuma com tudo."
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Marina Colasanti
Marina Colasanti (1937-2025) foi uma escritora, jornalista, tradutora e artista-plástica ítalo-brasileira. Nascida em Asmara, na Eritreia, deixou um legado de mais de 60 obras que incluem poesia, contos, crônicas e literatura infantil. Reconhecida por sua escrita sensível e reflexiva, recebeu prêmios como o Jabuti e o Machado de Assis da ABL. Sua obra segue inspirando gerações com sua profundidade e beleza.
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Frases de Marina Colasanti
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""Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. (...)""
"Mas amor e sofrimento são vida, e negando-se a eles você se nega a si mesmo."
"O amor não é louco. Sabe muito bem o que faz, e nunca, nunca, age sem motivo. Loucos somos nós, que insistimos em querer entendê-lo no plano da razão."
"Preciso que um barco atravesse o mar lá longe para sair dessa cadeira para esquecer esse computador e ter olhos de sal boca de peixe e o vento frio batendo nas escamas."
"Assim como deixamos abertas as portas e disponíveis os sentimentos para receber a chegada de um amor, devemos deixar livre a passagem para que serenamente se vá quando chegada a hora."
"Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."
"A Paixão da Sua Vida Amava a morte Mas não era correspondido Tomou veneno Atirou-se de pontes Aspirou gás Ela sempre ela o rejeitava Recusando-lhe o abraço Quando finalmente desistiu da paixão Entregando-se à vida A morte, enciumada Estourou-lhe o peito"
"Meu pescoço se enruga, imagino que seja de mover a cabeça para observar a vida. E se enrugam as mãos cansadas de seus gestos. E as pálpebras apertadas no sol. Só da boca não sei o sentido das rugas, se dos sorrisos tantos ou de trancar os dentes sobre caladas coisas."
"Teu corpo é canoa em que desço vida abaixo morte acima procurando o naufrágio me entregando à deriva. Teu corpo é casulo de infinitas sedas onde fio me afio e enfio invasor recebido com licores. Teu corpo é pele exata para o meu pena de garça brilho de romã aurora boreal do longo inverno."
"E ali reclinado sobre a vida, descobriu aquilo que nunca suspeitara. Não era ele, com seus passos, que ordenava tudo, que comandava o salto do grilo, o vento da espiga, as pás do moinho. Mas eram eles, grilo e espiga, cada um deles que, com seus pequenos movimentos, faziam os passos do tempo."
"Frutos e flores Meu amado me diz que sou como maçã cortada ao meio. As sementes eu tenho é bem verdade. E a simetria das curvas. Tive um certo rubor na pele lisa que não sei se ainda tenho. Mas se em abril floresce a macieira eu maçã feita e pra lá de madura ainda me desdobro em brancas flores cada vez que sua faca me traspassa."